4 de set de 2007

Cap 93: Final

Trilha sonora da cena (clique aqui)


(6 meses depois...)


Abri a porta do meu carro e olhei para o salão de festas. Respirei fundo, hoje seria um dia tão cheio! Teríamos muitas coisas para fazer. Aprendi a ser extremamente exigente com todos os detalhes.

_Eu quero ver isso tudo pronto antes das quatro! Põe essa panela para ferver, pessoal! _ bati palmas na cozinha e, como de costume, cumprimentei um por um. Todos os meus funcionários deveriam ter o prazer de trabalhar para mim, nunca uma obrigação.

Verifiquei os outros itens marcados na minha agenda e isso levou até as três horas, momento em que parei para comer alguma coisa, senão ia desmaiar. Essa compulsão por trabalho me fazia esquecer das necessidades vitais, às vezes.

Respirei fundo. Todo o ambiente estava iluminado, repleto de flores e véus por toda parte.

_Gente, nada pode sair errado hoje, essa noiva merece! _ repeti a frase para cada um. Alguns riam e repetiam comigo, antes de eu terminar. Esse bordão virou piada entre nós!

Para alguns, eu só piscava o olho e fazia um sinal de ok com o dedão.

Pensei em Caio, senti saudade, eu lembrava dele toda hora. Mas eu tinha que me concentrar no trabalho, nada de misturar com o coração!

***

_ Os músicos estão a postos? _ perguntei no rádio.

_Sim senhora! _ respondeu do outro lado minha assistente.

_Eu acho que isso fica comigo agora... _ uma mão tomou o rádio de mim.

_Tio Paulo!_ senti um alívio por vê-lo.

_Se não me deixar fazer isso, vou ficar inútil aqui!

_Que isso... _ ri.

_Só estou um pouquinho nervosa... _ sorri.

_É coisa de noiva. _ me passou uma taça. Bebi o líquido em um gole só.

_Que isso?! _ fiz uma careta. _ Guaraná?

_Não quero você de pilequinho. _ riu.

_Como estou? _ perguntei.

Ele olhou-me de baixo a cima. Eu estava com um vestido branco tomara que caia, todo bordado em pérolas e com rendas. Usava luvas brancas até os cotovelos e segurava um buquê de rosas vermelhas. No meu cabelo um véu muito comprido.

Aquele não era um casamento qualquer, era a minha vez. Eu era a peça principal daquela grande noite e por isso Tio Paulo estava ali para assumir o controle da festa por mim.

_Você está lindíssima! _ beijou-me a testa.

Meu pai me ofereceu o braço e sorriu orgulhoso.

_Pode começar a música. _ o tio ordenou pelo rádio.

Quando entrei, todos se levantaram e viraram para trás. Caio olhou-me apaixonado e feliz do altar. Estava perfeito em sua roupa de oficial. Meu coração disparou e meus olhos se encheram de lágrimas.

Me veio a cabeça tudo como um filme em flash:

Nós demos o melhor de nós.
Eu abdiquei dos abraços e beijos e nós vencemos
Eu briguei com o orelhão toda vez que ninguém atendeu o telefone na ala e nós vencemos
Eu fiquei sozinha em nossos aniversários de namoro e nós vencemos
Eu enfrentei a crítica dos meus familiares e nós vencemos
Eu te vi partir a cada fim de semana, levando meu coração contigo e nós vencemos.
Eu entendi seus serviços e nós vencemos.
Eu entendi suas punições e nós vencemos.
Eu entendi seus campos e nós vencemos.
Eu enlouqueci e voltei a ficar bem e nós vencemos.
Eu engordei e emagreci e nós vencemos.
Eu enfrentei sua mãe e nós vencemos.
Eu juntei dinheiro para viajar e te ver e nós vencemos.
Eu agüentei as piadinhas dos falsos amigos e nós vencemos.
Eu te ajudei na sua monografia e nós vencemos.
Eu te acolhi na minha casa e nós vencemos.
Eu esperei 4 anos e nós vencemos.
Eu sofri noites de insônia e nós vencemos.
Eu senti sua falta e, mesmo assim, esperei e nós vencemos.

Havia ali tantos rostos familiares, amigos, parentes, conhecidos de Caio me admirando. Sua mãe e avó estavam emocionadíssimas, pois faziam muito gosto com nosso casamento.

Meu pai entregou-me para Caio, que beijou minha testa. Sorrimos e fizemos o juramento de cuidaríamos um do outro em quaisquer circunstâncias.

Passamos pelo teto de aço, recebemos a chuva de arroz e brindamos nossa felicidade com muito champanhe. Enquanto nossos amigos se divertiam, Caio me puxou para um canto do salão:

_Eu nem acredito que eu, aquele menino desengonçado e feio...

_Você não era feio! _ briguei.

_Que eu, aquele menino desengonçado e ajeitadinho...

_Caio!

_Ok, que eu, seu amigo, iria ganhar a menina mais linda de toda a escola. Que eu, que fui capaz de quase acabar com nosso amor, tive forças para voltar e lutar por você... E agora você está aqui tão linda... _ acariciou o meu rosto e me beijou.

Meu celular começou a tocar.

_Bela...

_Desculpa, amor!_ tirei o meu minúsculo celular entre os seios, de dentro do vestido. _ Alô?

Caio tomou delicadamente o telefone da minha mão:

_Alô? _ atendeu ele.

_Caio!

_Quem fala? Ah! Você é um vendedor. Entendi, olha, aqui quem está falando é o marido da Bela. Sabe o que é, ela não vai poder atender agora, está em Lua de Mel. Pois é, justo, justo, você ligou na hora em que o noivo beija a noiva. Obrigado pelos votos de felicidade, obrigado, tchau.

Eu olhei para ele de bico.

_Pronto, eu sou mais rápido.

_Me dá o meu celular.

_Para quê? Você acabou de entrar em Lua de Mel. _ colocou-o no bolso.

Comecei a rir e ele riu também e me beijou.

_Oooohhh, que lindo! _ouvimos alguns amigos, que estavam prestando atenção em nós.

Eu abracei Caio e eles tiraram várias fotos nossas. Uma delas acabou ao lado dos porta-retratos no meu apartamento.

A minha vida era perfeita. Eu tinha meu trabalho e um homem que me amava. Caio ficou ainda por mais um ano no sul e depois veio para cá.

Chegamos a um acordo de que nenhum dos dois deixaria de fazer o que gostava e que nosso amor lutaria para ficar sempre aceso, apesar de qualquer distância.

Ah! Débi? Ela se formou e seguiu com Ribeiro. Eles finalmente descobriram o ponto de equilíbrio e maturidade.

_Amor? Cheguei. _ ouvi a voz de Caio, que acabara de abrir a porta.

_Oi. _ recebi seu beijo.

_Eu estava sentindo o cheiro do seu macarrão lá do quartel e vim correndo.

_É? Mentiroso você... _ ri.

Ele deixou sua boina ao lado do porta-retrato e foi tomar banho. Aquele era um dos meus dias de folga, nesses momentos sagrados, nós aproveitávamos cada segundo.

Eu não era a mulher convencional, pelo contrário, não tinha tanto tempo para viver ao lado dele à cada formatura. Mas nós fazíamos um esforço diário de tolerar a vida profissional um do outro. Ele brigava, como eu também brigada por atenção, mas de monotonia a gente não vivia por certo.

Esse não é o caminho certo, ou errado. É o meu caminho e cada um descobre a melhor maneira de ser feliz. Não há um mapa, nem guia, ou manual de instruções.

A única coisa que é inviolável é a nossa união, porque para mim Caio será o meu amor eterno, além da vida.
Autora:


Obrigada a todos vocês que chegaram até aqui junto comigo, acompanhando as aventuras da Bela e do Caio e se emocionando juntos.

Quando comecei este livro, assumi os riscos e me propus a preencher a lacuna da nossa literatura sobre a vida de uma namorada de cadete. Pouco se fala ainda a respeito das dificuldades, desventuras e também alegrias de se namorar um militar.

O modelo serial atenuou as tenções e resultou em uma novela divertida e emocionante. Acabei ganhando um público vibrante, que quero levar comigo para outras e outras estórias!

Meu agradecimento especial a Lucy, que todos os dias fazia a revisão dos capítulos com muito carinho, apesar do seu tempo tão curto. Você não existe!

A Bela foi um pouco de muitas histórias reais que ouvi. Muitos personagens aqui presentes de fato existiram, em outros tempos e em outros contextos, que só eu saberei e guardarei como segredo de Estado.

Muita gente diz: "Como pode dar errado para Bela? Comigo é tudo tão fácil e dá tão certo, não entendo por que esse alarde." Bom, o livro não era para contar uma estória fácil, era para narrar a angústia de Belas e Caios pelo Brasil. Pode-se dizer que nem tudo entrou no livro e cada uma sabe o que quero dizer... Mas eu não queria trazer tristeza e sim alegria, divertimento. O difícil era equilibriar isso. Mas imagino que consegui.

Ficou aquela sensação ruim de ahhh, acabou?! Bom, então, vamos começar uma outra aventura.

Vem comigo! E vamos ver o amor, que mora no quarto ao lado!


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3 de set de 2007

Cap 92: Você tem dois segundos

Trilha sonora da cena (clique aqui)

O telefone chamou por mais três vezes e Caio atendeu do outro lado. Nesse momento, dei-me conta de que não sabia por onde começar. Eu havia dito tantas indelicadezas que não tinha palavras para estabelecer qualquer diálogo amistoso.

_Oi, é a Bela.
_Hum. Esqueceu alguma coisa para dizer? _ perguntou. Pelo barulho ao fundo deveria estar no trânsito dirigindo.

_Li sua carta. _ disse-lhe na esperança de que entendesse ser aquela a minha rendição.

_E aí? _ perguntou, agora na posição de quem está no direito de fazer jogo duro.

_Eu... _ passei a mão na nuca, pensei por alguns segundos. _ Queria marcar para a gente conversar. Pode ser hoje?

_Que horas? _ perguntou.

_Hum. _ Olhei o relógio e ri. _ Você vai estar fazendo alguma coisa importante a uma e meia da madrugada? _ perguntei em tom de brincadeira.

_Bom, talvez eu esteja indo pegar água na geladeira ou, não sei, indo ao banheiro.

_Eu sei que é muito tarde. Mas, é a hora que eu saio do trabalho, tenho uma vida noturna de morcega. Tudo bem, deixa...

_Não foi essa a Bela que eu conheci. Você não costumava entregar os pontos tão fácil.

Revirei os olhos. Santa paciência!

_É que eu sei que você não gosta de joguinhos. Bom, então, deixa eu desligar porque tem algumas pessoas aqui me chamando e...

_Tá, então.

Desligamos.

_Ai! _ fiz uma careta olhando para o telefone ainda na minha mão. _ Como você me irrita, garoto!

Expirei e os fios do meu cabelo voaram no ar e depois caíram de volta na testa. Levantei-me para esticar as pernas, eu parecia pensar as coisas melhor em pé. Pus as mãos na cintura.

O telefone tocou mais uma vez.

_Eu sabia! _ ri, mas não atendi de imediato. No terceiro toque apertei o botão. _ Alô?

_Ok, uma e meia eu passo aí. _ disse-me ele.

_Te espero. _ dei um soquinho silencioso no ar em comemoração.

Desligamos.

E a noiva demorou para querer casar, não parecia nem um pouco com pressa para acabar a festa.

Quando, finalmente, o pessoal da limpeza entrou em ação, eu vesti o meu sobretudo e pequei minha bolsa. O frio de julho estava pouco convidativo para esperar lá fora, mas fiquei na porta, aguardando Caio chegar.

Olhei o relógio cravando uma e meia por baixo da manga. Caio estacionou o carro na frente do salão e saiu.

Estava com uma outra camisa, agora preta e muito cheiroso. O cabelo molhado com gel mostrava que tinha tomado banho recentemente.

Tudo isso era para mim?

_Boa noite, Cristóvão. _ eu disse ao porteiro, desci os dois degraus que davam para a saída.

Pus as mãos dentro dos bolsos do sobretudo e encolhi os ombros.

_Oi. _ cumprimentei-o com um simples sorriso tímido.

_Suas bochechas ficam coradas com o frio. _ comentou.

Abaixei a cabeça e a levantei de lado. A luz do poste dava um colorido no seu rosto próximo ao meu agora. Nossas respirações formavam leves nuvens de fumaça branca.

_Eu estou com fome, pensei em sair para comer alguma coisa. _ sugeri.

_Com fome aqui? _ apontou para o salão.

Olhei para trás e sorri:

_É... Não falta comida, mas se eu viver à base de salgadinhos, vou terminar no formato de uma coxinha, fina em cima e bojuda na barriga.

_Trocar salgadinhos por pizza melhora bastante também... _ ponderou.

_Tá bom, você me venceu! _ ri e toquei no seu braço.

Foi o nosso primeiro contato, depois de 6 meses separados.

Ele pegou minha mão entre seus dedos e dedilhou-a, até que esta soltou-se no ar.

_Então, onde você propõe a gente comer um pé de alface?

_Bom, já que não tem pé de alface, vai de pizza mesmo. Eu, particularmente, ... _ colocou a mão em seu peito irônico. _ ... não trocaria um pé de alface por iguaria nenhuma nesse mundo, mas já que não tem, vou fazer esse sacrificiozinho e comer pizza.

_Puxa, obrigada! _ dramatizei também.

_Onde pode estar aberto a essa hora? _ perguntou.

_Parece que já esqueceu que morou por aqui. _ comentei.

Ele ficou me olhando e eu senti uma pontada de tristeza por isso. Do que mais ele teria se esquecido?

_Vamos à “Pizza da casa”, lá perto da casa da Cris.

Ele abriu a porta do carro para eu entrar.

_O meu está ali. _ apontei. _ Você pode vir atrás de mim.

_Claro, eu esqueci que você é uma mulher independente. _ senti um tom de ironia em sua voz.

_Pensei que já tivéssemos selado o acordo de paz.

_Selado como? _ ele olhou em cheio para os meus lábios.

_A gente pode brindar daqui a pouco. _ sugeri e abri a porta do meu carro.


***

_O que vocês vão pedir? _ perguntou a balconista da pizzaria.

_O de sempre? _ ele olhou-me, buscando minha opinião.

Era como se nada tivesse acontecido e aquele fosse mais um encontro. Por mim, qualquer coisa servia, até pizza de jiló e suco de boldo, mas era melhor eu demonstrar rapidinho que não tinha esquecido de nossos hábitos e gostos:

_Metade quatro queijos, metade frango com catupiry. Uma Coca-Cola de 500 ml pra ele e para mim, guaraná.

_Mais alguma coisa? _ ela perguntou.

_Uma pizza mini de chocolate para sobremesa. _ ele acrescentou para me indicar que não havia esquecido minha “tara” por pizza de chocolate com morangos.

_Nós vamos fechar daqui a quarenta minutos. _ avisou. _ Preferem levar para a viagem?

Caio olhou-me, a resposta dependeria de um convite meu.

_Bom, podemos ir para o meu apartamento. _ falei baixinho para ele. _ A Débi e o Ribeiro estão lá. _ comentei, para que ele não pensasse que a mudança de planos significava um convite íntimo.

Sentamos para esperar que o pedido ficasse pronto.

_No telefone, você disse que leu a carta. _ puxou o assunto.

_É, li. _ olhei para o lado e depois para ele.

_Eu acho que já falei tudo o que sinto ali. Bela, eu sei que errei em ter me precipitado em acabar o namoro. Quem sabe, eu tinha medo do golpe de você fazer isso... _ ele tirou uns fios de cabelo do meu rosto, colocou atrás da orelha, mas estes resistiram e caíram outra vez. _ Bela, você me esqueceu?

_Esqueci.

Fiz uma pausa e expliquei:

_Todo santo dia eu te esqueço.

_Isso significa que eu ainda tenho uma chance?

_Pizza da mesa nove! _ gritou a balconista.

Levantamos para receber o pedido e Caio adiantou-se, pegou a caixa de papelão e equilibrou os dois copos em cima.

***

Senti seus olhos percorrendo todos os cantos do apartamento quando abri a porta da sala.

_Parece que todos estão dormindo. _ eu sussurrei.

Ele olhou para os porta-retratos e tenho certeza que sentiu falta de alguma foto sua no móvel.

_Vem... _ convidei-o para entrar na cozinha.

Sentamos à mesa e eu distribui pratos e talheres. Coloquei o guardanapo à disposição.

_Isso aqui é tudo que você sonhou, lembro de como você vivia contando que sua casa seria assim, assado... _ ele serviu-se da pizza.

_Eu pensei que nunca tive escutado o que eu falava...

_Eu sempre escutei, só que tudo isso me dava muito medo. _ confessou.

_Mas está tudo aqui como eu sonhei, conquistado com muito suor. Meu trabalho é incrível. Amo lidar com pessoas, com festas, com... Desculpe, não me deixe falar só de trabalho... _ bebi um gole do refrigerante.

_Continue. Você escutou anos eu falando da Academia, por que não te ouvir agora?

_Eu estou estudando para o mestrado agora, quero seguir aprendendo, me aprofundando. _ comentei.

_Muito bom! O que mais? _ perguntou, antes de morder mais um pedaço. _ Não vai comer?

_Vou! É que te ver comer me dá gosto. _ sorri e apoiei o queixo no meu ombro, vendo-o de lado. _Nossos amigos ficaram com meu quarto e só restou o outro da Débi com uma cama de solteiro, mas acho que consigo te alojar na sala... _ lembrei-me deste detalhe.

_Qualquer pedaço de chão para mim está bom. Você sabe que eu não tenho dificuldade de dormir.

_Eu vou ver o que faço... Aproveita a pizza.

_Você tem certeza disso?

_Claro, pode comer. _ sorri e me levantei.

Passei pela sala, liguei o som e coloquei um CD que eu havia gravado com músicas que gostava. Volume baixinho para ficar um som ambiente.

_”Olha aqui/ Preste atenção/ Essa é a nossa canção/ Vou cantá-la seja aonde for/ Para nunca esquecer o nosso amor/ Nosso amor
Veja bem Foi você/ a razão e o por quê/ De nascer esta canção assim/ Pois você é o amor que existe em mim...”

Senti a presença de Caio. Virei o rosto para o lado e o vi escorado na porta da cozinha, com as mãos no bolso.

_ “Você partiu e me deixou/ Nunca mais você voltou/ Pra me tirar da solidão/ E até você voltar/ Meu bem eu vou cantar/ essa nossa canção”.

Desliguei o botão.

_Pode deixar. _ ele pediu.

Eu apertei o botão outra vez.

_É... _ não sabia onde colocar minhas mãos. _ Eu preciso tomar um banho. _ retirei o sobretudo e o deixei em cima do sofá. _ Você pode dormir no sofá. Vou trazer um cobertor...

Caio não falou nada, só me olhava.

Fui para o banheiro e senti seus passos atrás de mim. Quando fechei a porta, sua mão a forçou.

Ele olhou-me e não estava mais com paciência para resistir.

Meu coração disparou e eu dei dois passos para trás.

Caio segurou meu rosto e encostou sua testa na minha. Sua respiração estava ofegante e seu cheiro maravilhoso tirou-me a lógica do pensamento.

Minhas mãos se seguraram na borda da pia atrás de mim.

_Você tem dois segundos para me mandar embora. _ disse ele.

Fechei os olhos e meus lábios se entreabriram para receber os dele em resposta. Caio inclinou o rosto para o lado e beijou-me. Senti sua língua, os lábios entre os meus. Minhas mãos procuraram seu cabelo.

Ele fechou a porta do banheiro e voltou a beijar-me, agora o pescoço, o colo dos seios, abriu os botões da minha blusa e eu puxei a sua. Beijamo-nos com uma saudade explosiva e o doce reencontro dos corpos sedentos.

Deixamos a água quente cair sobre nós e esquecemos o tempo, imersos na fumaça branca que nos envolvia.

Não importa o tempo que ficamos separados, não paramos de nos querer, de sentir esse ardor de vida. A prova disso era a vontade cada vez mais forte de abraçá-lo, puxá-lo todo, como uma onda que engole e traga tudo para si, eu o queria inteiro, entre os limites da epiderme e do pêlo, completo.

Minhas mãos apoiadas no azulejo embaçado escorregaram, deixando um rastro de meus dedos úmidos, quando sentimo-nos finalmente um só.

Depois, descobrimos que não precisávamos de sofá porque a cama de solteiro da Débi era suficiente.

Ele acariciou meu corpo debaixo do edredom, enquanto seus lábios não desgrudavam-se dos meus. Segurei seu rosto com uma das mãos para ver melhor seus olhos lindos e sorri:

_Eu te amo, Caio.

_Eu também te amo, Bela. _ ele me beijou mais uma vez, como se cada beijo quisesse saciar a lembrança de um desejo já contido no fim do anterior.

O dia amanhecia quando nossos corpos já estavam fadigados de se amar.

Deitei-me contra seu peito e encaixei-me na concha do seu corpo. Senti a sonolência chegar com toda força.

_Bela? _ ouvi sua voz doce a me chamar perto do ouvido.

_Hum. _ mantive os olhos fechados.

_Quer casar comigo?

Autora: Li

Amanhã, o capítulo final, espero todas vocês!

2 de set de 2007

Cap 91: Eterno Retorno

Trilha sonora da cena (clique aqui)

Débi se recuperou bem. Acho que o melhor remédio foi o retorno ao seu lugar de origem. Ela quis morar comigo, ao invés de voltar para casa da mãe. Isso corresponderia a ser, outra vez, a ”filhinha da mamãe”. Entendi sua posição. Afinal, agora ela era uma mulher casada.

Mas, precisei estabelecer algumas regras. Usar um anel no dedo não lhe dava alguns miolos a mais, suas atitudes ainda eram, em boa parte, as de uma estudante sem muitas responsabilidades.

Primeiramente, incentivei-a para arrumar um emprego a fim de ocupar seu tempo e, também, ajudar nos custos da manutenção da casa: aluguel, água, luz, telefone, internet banda larga, comida. Não que eu realmente precisasse financeiramente do seu apoio, mas ela tinha que sentir a sensação de sustentar-se e não de que recebia um favor. A última coisa que eu fiz foi ratificar o papel de “pobrezinha”.

Depois, falei-lhe que o assunto “mundo militar” dentro daquele apartamento deveria ser evitado, em consideração a mim. Débi, no início, só sabia falar a mesma ladainha de que as mulheres conseguiram se adaptar muito bem e ela, não. Eu até queria dar-lhe ouvido, mas sinceramente, esse tema trazia-me sensações ruins.

Débi compreendeu e parou de bater na mesma tecla. Nesse tempo de mudança, ela ganhou peso, uma cor bronzeada e um belo sorriso no rosto. A saudade do marido era saciada no msn, skype e telefone todos os dias. Por isso, foi também preciso colocar o computador no quarto dela, já que não dava para todo dia ficar ouvindo aqueles dois enquanto eu tentava dormir.

Minha amiga adquiriu, dessa maneira, uma nova rotina: trabalhar, estudar muito, colaborar com as tarefas domésticas e se divertir. Aproveitamos para ver peças de teatros, alugar todos os filmes que ela tinha perdido e ficar horas ouvindo as músicas das paradas de sucesso. Tinha muita coisa a tirar o atraso. Era isso que ela tanto sentia falta, o cheiro de cultura que o Rio de Janeiro tinha no ar.

A faculdade estava de vento em popa e seus trabalhos, muito reconhecidos no meio acadêmico. Pelo menos, os livros continham sua fome de recuperar o tempo perdido e dava-me uma brecha para respirar e cuidar das minhas coisas.

Eu tinha minhas manias de, antes de dormir, tomar banho de cremes, passar óleo no corpo enquanto tomava banho, enfim, era o meu momento sagrado comigo mesma, à noite.

Mas, acho que não deixei a regra clara quanto ao horário da manhã. Ela entendera que, ao chegar do trabalho, eu não gostava de desperdiçar meu tempo de relaxar com qualquer assunto ou problema. Contudo, ao acordar, eu também não queria ser empurrada da cama, isso me despertava um humor do cão.

_Bela, Bela! _ ela pulou em cima da minha cama, quase me matando do coração.

Sentei-me e afastei o cabelo do rosto:

_Que aconteceu? Ficou maluca!? _ reclamei irada por ver em seu sorriso que não era nada sério. Aliás, sua cara era de travessura, então, eu só tinha a temer.

_Adivinha quem vem ao Rio de Janeiro? _ Débi abriu as cortinas, deixando o sol entrar e iluminar meu rosto.

Eu respirei fundo e tentei não ter um ataque.

_Não, eu não sei.

_O Caio!

_Quê?! _ Quase dei um grito, controlei-me e fingi que não foi nada, coloquei o cabelo atrás da orelha e cruzei os braços. _ E daí?

_Como “E daí?” Aloooou? _ ela estalou os dedos e ficou de joelhos na cama. _ Belinha, o amor da sua vida está desembarcando hoje, no Rio de Janeiro e...

_Que "amor da sua vida"?! _ franzi a testa. _ Você está louca? Ele foi embora...

_Então, por que seu coração está disparado?

_Meu coração não está disparado!

_Deixa eu ver?

_Débi, isso é ridículo.

_Deixa?

_Tá. _ revirei os olhos e ela colocou a mão no meu peito.

_Bela, querida, você está tendo um ataque cardíaco, eu vou ligar para o Caio para vir fazer uma respiração boca a boca. _ Débi me empurrou na cama e eu caí de costas. Ela estava se matando de rir da minha situação.

_Presta atenção! _ Sentei-me outra vez, tentando recuperar a moral. _ Eu só estou assim porque... você... _ apontei para ela. _ ... entrou no quarto feito uma louca e me deu um susto.

_Humhum. Tá bom. _ Ela ficou olhando o teto.

_E sabe quem vem junto?

_Essa é fácil: Ribeiro! _ respondi.

_Isso mesmo! Parabéns, menina esperta! _ riu. _ Não é o máximo? Ele conseguiu uma passagem de 50 reais na Internet, se cadastrou no site e comprou! É um milagre mesmo. As coisas tinham que acontecer assim. E, ah! O Caio também conseguiu pegar um avião da FAB e vir para cá. Bom, os dois não vão poder ficar aqui até a hora que quiserem porque não depende deles o retorno... _ Débi falava tudo tão rápido como se estivesse ligada em uma tomada, fazendo gestos amplos com as mãos. _ Eu sinto que não é por acaso! Júpiter deve ter se aliado com Vênus, com o sol e a lua...

_Débi? Você confundiu aquele pote que fica ao lado do de açúcar e colocou pó de guaraná no seu café?

_Não! _ ela se matou de rir, parecia em transe. _ Bela, o Ribeiro me disse que o Caio disse que... Eu não sei se digo o que disse...

_Disse, disse, disse o quê, criatura? _ interrompi-a, já aflita.

_Ah! Você não queria saber mesmo. _ ela pulou da cama, calçou o chinelo e saiu do quarto.

_Débora, volta a aqui! O que ele disse? Eu vou contar... 1, 2 e...

_Tá bom, eu conto. _ ela voltou correndo e pulou sentada na cama, fazendo-me quicar no colchão de molas. _ O Caio disse para o Ribeiro que vem te ver.

_Ãnh? _ fiz uma careta, agora sim eu precisava de uma respiração boca a boca!

_Humhum, queridinha, ou você acha que eu vim te acordar para quê? Precisa fazer as unhas, se arrumar... Parece que esqueceu como é isso. Bela, tudo vai voltar a ser como nos velhos tempos!

_Débi, eu acho que você não está entendendo... _ eu ri da situação toda e tentei mostrar-lhe que não era tão simples assim. Talvez eu estivesse ficando pragmática demais. _ ... O Caio e eu perdemos contato há 6 meses porque ELE terminou comigo. Agora, do nada, ele vem aqui ME ver?

_É, pura e simplesmente assim! Bela, você complica demais a vida... Iiiiih, me cansa a beleza.

_Então, deixa eu entender. O Caio estava sonâmbulo todo esse tempo. Ai, na manhã de ontem, bateu com a testa no box do banheiro e plá! Acordou e se deu conta: “Caramba, a Bela não está aqui comigo?!”.

_Eu não sei onde ele bateu a testa, mas o seu gatinho está a caminho! _ esfregou uma mão na outra.

Gatinho? Eu estava fazendo uma terapia comigo mesma para não pensar em Caio e ela me pula na minha cama e me faz sentir como no dia que ele me beijou pela primeira vez, cheia de medos, expectativas e com friozinho na barriga?! Isso era colocar por água à baixo toda a transformação lenta e gradual em questão de segundos.

_E onde o Ribeiro vai ficar?

_Tem algum problema dele ficar aqui? É só por um ou dois dias.

_Tudo bem. Mas, e o Caio?

_Bom, aí é contigo. O homem é teu! _ deu de ombros. _ Bela, eu tenho que correr para a faculdade. Se cuida amiga porque... _ colocou as mãos no meu ombro. _ você está feia. Vai por mim. Horrorosa! _ falou, se agüentando para não rir.

_Eu fiz a unha ontem!

_Deixa eu ver! _ pediu, desacreditando.

_Aqui ó. _ mostrei com as mãos estendidas no ar.

_Querida, para uma doméstica, está ótima. Esse branquinho cru e sem graça fica perfeito. Põe um vermelho nisso, um ruge nessa cara... _ ela apertou os seios e fez uma cara de “tara” divertidíssima. _ ... e joga todo esse sex appeal para fora! _ balançou o cabelo no ar, teatralizando. Depois, piscou o olho para mim e saiu.

Eu fiquei ainda meio zonza, sentada na minha cama. Nem com Lexotan eu conseguiria dormir depois dessa notícia.Respirei fundo e fui até o banheiro fazer xixi.

Olhei-me no espelho e, em seguida, verifiquei minhas unhas. Débi talvez estivesse certa, eu merecia um cuidado especial. Mas, tinha tanto medo de estar criando um monte de expectativas para depois me frustrar.

Só que não podia negar que a alegria explosiva dela me entusiasmara. Minha amiga conseguiu trazer-me de volta àquela Bela alegre, feliz e adolescente. Acho que a vida permitiu que ela e eu nos reencontrássemos porque, no fundo, eu estava precisando de ajuda também.

***

Trilha sonora da cena (clique aqui)

_Dona Isabela. _ o rádio tocou na minha mesa, eram seis horas da tarde.

_Pode falar, Cristóvão. _ reconheci sua voz.

Continuei escrevendo no computador o e-mail para uma cliente que queria contratar nossos serviços.

_O senhor Caio quer falar com a senhora, posso deixar subir?

Meus dedos travaram no teclado e meu corpo inteiro parou, até me coração estancou. Parecia que tinham derrubado um balde de cera sobre mim e eu mumificara.

_Dona Bela?

_Oi, na escuta. _ peguei o rádio. _ Pode mandar subir. _ autorizei e desliguei.

Era verdade, a Débi estava certa, ele viera me ver.

_Ai, meu Deus! Ai, meu Deus! _ fiquei de pé, dei uma volta na sala, estava absurdamente sem ar, com calafrios, os pêlos da nuca, dos braços, do corpo todinho arrepiados, tudo em pé de tanta excitação. _ Ai, socorro!!! _ corri para minha mesa e sentei novamente.

Não podia aparentar desespero. O que ele ia pensar? Que eu tinha ficado todo aquele tempo à sua espera!

Ouvi três toques na porta.

Fechei os olhos e respirei profundamente. Seis meses e ele estava à minha porta.

_Pode entrar... _ falei, pegando uma caneta e fingindo escrever alguma coisa “sem noção” no primeiro papel que achei na mesa para dar uma de “mulher super ocupada” e que não está nem aí para sua chegada.

Só vi aquele vulto entrar pela minha esquerda e ficar bem na minha frente. Meus olhos se levantaram do papel e senti a veia pulando no meu pescoço. Lentamente, fui visualizando sua figura, como um scanner que faz a leitura gradual da imagem de baixo para cima.

Ele estava de calça jeans e uma blusa azul clara. Aquilo para mim significou muito mais tempo do que realmente foi, o mundo parecia ter parado de girar. Mordi a parte interna dos lábios e meus olhos se encontraram com os seus, brilhantes, profundos, fitados em mim.

_Oi. _ disse-me e sua voz nos meus ouvidos despertaram-me alma.

Seis meses não foram suficientes para deixar-me imune à sua voz grave e familiar. Nem a eternidade, creio eu, seria capaz.

_Oi, você estava andando pela rua e pensou: "puxa, vou virar aquela esquina e dar um pulo lá na Bela"? _ perguntei, sem deixar nada fácil para o lado dele.

_Não, na verdade eu estava andando na rua e pensei: "puxa, vou pegar aquele avião, atravessar o Brasil e ver a Bela". _ foi rápido também.

_E... o que te motivou a dar um pulo acolá no Brasil? _ recostei-me na cadeira, em posição de defesa.

_Eu já disse: ver a Bela.

_E...? _ franzi a testa.

_Eu senti sua falta.

_Caramba! Demorou um pouquinho, hen? _ alfinetei.

_Bela, eu estive pensando...

_Engraçado.. _ levantei-me e fui para perto dele. Ficamos frente a frente. _ A última vez que nos falamos você me disse exatamente isso, acho que foi no baile. Vem cá, você está pensando até agora? Que pensamento colossal. Escreve uma tese sobre isso! Falo sério! Agora eu estou tentando a prova para o mestrado e estou vendo que não importa o tema, se você tem uma boa idéia e embasamento... tudo se resolve. Embasamento não vai te faltar, eu acho...

_Pelo visto, tudo que você guarda de mim é rancor. _ sua voz saiu triste e, por um triz, aquilo quase me quebrou.

_Rancor? _ eu não conseguia sair da linha “sarcástica-ácida”. _ Por que eu teria motivos? Eu te esperei por quatro anos e quando achei que você podia pensar em uma maneira de ficarmos juntos, você decidiu por nós dois que era melhor seguir sem mim. Ótimo, Caio. Mas como vê, eu não morri, estou bem, sobrevivi.

Caio riu sozinho, olhou para o lado e balançou a cabeça.

_Como eu sou um idiota.

_Aonde vai? _ perguntei, quando ele caminhou para porta.

_Eu vim para conversar com você, não para ficar a tarde toda em um estratagema verbal. Não gosto muito desses RPG's com meus sentimentos. Você sempre soube disso, aliás, você deve ter esquecido tudo sobre mim, grande mulher bem sucedida. _ ele tirou do bolso de trás da calça jeans um envelope branco e jogou em cima da minha mesa. Aquela cena lembrou-me uma vez no colégio, quando ele fizera um trabalho de casa para mim e jogara na minha carteira. _ Lê e depois joga fora, se quiser.

Caio saiu.

Eu ainda dei três passos, mas a porta se fechou na minha frente. Droga! Como eu podia ter deixado a raiva me dominar? Era muita coisa acumulada na garganta!

Peguei o envelope e sentei no sofá.

“Aos cuidados de Isabela”, dizia unicamente no verso do envelope. Abri-o, tendo que rasgar a parte lateral. Era uma folha digitada no computador.

“_Bela, são onze horas da madrugada e eu estou aqui em casa tentando te escrever. Já gastei meio caderno, mas percebi que estava devastando as pobres árvores na tentativa de fazer um começo decente, então parti para a tela do computador, onde posso apagar e ainda ser ecologicamente responsável...”

(Aquele seu tom de amigo já fazia o meu corpo aquecer e as lágrimas virem aos olhos, não importava a continuação daquele primeiro parágrafo).

_"Você pode se perguntar porque está com essa folha nas mãos e não lhe enviei por e-mail. Mas eu vou me propor entregá-la em suas mãos eu mesmo, não por intermédio do correio. Nem que eu deixe com alguém da portaria do seu trabalho, só quero que saiba que vim trazer o meu coração de volta para você dentro desse envelope pessoalmente. "

(Levei a mão à boca e tentei não chorar.)

"_Eu sei que você deve estar se perguntando o que deu em mim agora. E eu vou ser muito franco com você e contar tudo exatamente como aconteceu. Eu estava muito cheio de expectativas no aspirantado. Achava que tudo tinha que ser daquele jeito: você vir comigo, largar tudo e pronto, porque a minha carreira era mais importante. Eu pensava ainda assim até antes de ontem.

Aqui no quartel tínhamos um sargento muito amigo, que morreu em um acidente e nosso capitão Ruan tentou de tudo para salvá-lo. Eu acabei passando por todo esse transtorno ao lado dele e em um dado momento, começamos a conversar sobre a vida. Contei um pouco da minha, ele um pouco da dele.

Foi aí que ele me perguntou:

_Se estivéssemos na guerra agora e o seu melhor amigo se ferisse, você o largaria no meio do caminho, sabendo que ele teria chance de sobreviver se o carregasse nos ombros?

Eu respondi que lógico que daria minha vida para trazê-lo nos ombros. Foi aí que o que ele me disse me atingiu como um soco na boca do estômago.

_Você já foi mandado para guerra faz muito tempo, meu caro. Só que abandonou a pessoa mais importante para trás e só pensou na sua vida. Pode ser que ela tenha sobrevivido, mas será que você merece dela o mesmo respeito, depois de tê-la abandonado à própria sorte?

Eu entendi naquele momento que a pessoa a qual ele se referia era você e me senti a pessoa mais burra e incompetente do mundo.

_Para que serve tudo que aprendeu? Onde esperava aplicar? No front? Olha a sua volta? Não está vendo as minas? Elas estão armadas para te pegar, só que o colorido da paisagem ilude, deturpa. Você ainda não enxergou que as decisões que tem que tomar são essas minas?

Eu fiquei sem palavras e ele percebeu isso e só me deu um conselho:

_Filho, vai atrás do "seu soldado", pode ser que ele ainda não tenha morrido.

É por isso que estou escrevendo essa carta, eu quero você de volta para mim. Vi por aqui dezenas de casos diferentes. O comandante dessa unidade tem uma esposa que é desembargadora em São Paulo, ela nunca largou a vida dela e nem por isso eles deixaram de casar e ter filhos. São muitos e muitos casos de maneiras diferentes de se viver esse amor. Eu queria descobrir a nossa maneira, mas dessa vez, sem que ela te faça abdicar dos seus sonhos para seguir o meu.

Eu só quero estar em alguma missão bem longe e saber que o seu coração é só meu. Bela, nada teve sentindo sem você. Pode não acreditar, fiz tudo isso pensando no seu bem e só fiz mal a mim mesmo. "

(A mim também, falei baixinho.)

"_Se quiser me dar essa chance, aí está o meu telefone. "

Eu limpei as lágrimas do rosto e pensei na maneira horrível que o tratei.

_Dona Bela. _ era a voz de Cristóvão de novo.

Será que era Caio outra vez na portaria? Será que voltara arrependido de não ter dito pessoalmente o conteúdo da carta... e...?

_Dona Bela, a noiva do casamento não quer sair do carro, ela está em prantos... vem para cá.

Revirei os olhos, eu, louca para cuidar da minha vida e me aparece uma “noiva em fuga”?

Deixei a carta na minha mesa e corri para ver qual era o problema dela. Não podíamos deixar que os convidados percebessem a situação.

Entrei no carro pela outra porta e passei-lhe a taça de champanhe que eu havia pegado na cozinha. Eu já era profissional em resolver situações críticas.

_Beba. Vai te fazer bem. Toda noiva passa por isso.

_É? _ ela engoliu o choro.

_Teve uma que precisou de uma garrafa de conhaque. _ disse-lhe.

_Obrigada. _ ela bebeu tudo e respirou fundo. _ A mãe dele me odeia e diz que não vou fazê-lo feliz, estou morrendo de medo e...

_Ei... _ coloquei as mãos no seu rosto e o acariciei. _ Ninguém está preparada... Mas, quando surgirem os problemas, você mesma vai descobrir a força que tinha em você e não sabia. Você não o ama? Então, lute por isso. Vá e suba naquele altar. Nunca vi uma noiva tão linda como você! Imagina o quanto todos estão curiosos para te ver, ãnh?

Ela sorriu e eu retoquei sua maquiagem com um pó que eu trouxera. Já tinha passado por aquilo algumas vezes para ter meu próprio kit “desespero de noiva”.

Bati a porta do carro e sai de dentro. Respirei fundo. Ufa, ela não ia jogar por água a baixo toda a big festa que eu preparara. Nem que eu precisasse hipnotizá-la para ela só acordar na lua de mel.

_Pode mandar tocar a música para a noiva entrar. _ ordenei pelo rádio à minha assistente e voltei para minha sala.

Peguei a carta.

Respirei fundo.

“Lute por isso”, era a vez de eu falar para mim mesma.

Disquei o número.

Começou a chamar.



Autora: Li

Faltam dois capítulos!!! Não percam!!!

1 de set de 2007

Cap 90: Vida nova, casa nova

Trilha sonora da cena (clique aqui)

(6 meses depois...)


_O apartamento é o melhor que temos para alugar. Vista ampla da sacada, uma sala em L espaçosa e os dois quartos já estão com armários modulados. _ avisou-me o corretor por telefone.

Mesmo assim preferi conferir tudo de perto. Queria ver com meus próprios olhos o meu futuro canto. Seria uma espécie de quarto em grandes proporções, a minha casa, o meu lugar onde posso fazer o que quiser e ser dona de mim, independente. Era a realização de um grande sono.

Realmente era como eu queria. Muito aconchegante. Levei algum tempo para decorá-lo, pois queria cuidar com muito carinho de cada detalhe. Sempre fui de me empenhar em tudo que faço, gosto de pesquisar antes para ter uma gama de escolhas. Comprei revistas de decoração, entrei em sites e fui montando meu estilo.

Para começar, a sala. Coloquei dois sofás brancos muito fofos e com almofadas aconchegantes. Um era de cinco lugares, ótimo para eu me esticar e ler um livro. Sobre ele, coloquei uma manta mostarda bem chique. Em uma das paredes, fiz uma textura em vinho escuro e coloquei quadros de tons claros para contrastar. Fui, pessoalmente, escolher uma planta grande para colocar em um dos cantos, ela seria ótima para absorver as energias do ambiente. Que dia delicioso aquele passeando pela floricultura.

Eu não queria nada caro... Eu queria sofisticação. Fui em um antiquário e consegui um aparador antigo, com um design maravilhoso. Coloquei-o encostado na parede vermelha e, em cima, um vaso com folhagem seca e dos dois lados deste alguns porta-retratos de pessoas queridas: Débi, minha mãe, meu pai e irmão, os amigos da faculdade, meu tio, os profissionais da empresa.

Não havia foto dele, estavam todas junto com as coisas que eu ainda tinha dele na casa dos meus pais. Não trouxe comigo. Eu decretara que começaria uma vida nova, não podia trazê-lo para dentro de casa, por mais que ele cismasse em me seguir dentro do meu coração.

Então, como eu ia dizendo, a sala era meu ninho. Coloquei um tapete bege claro e em cima uma mesa de centro grande de madeira decorada com livros e umas velas coloridas que comprei em uma casa esotérica. Eram aromáticas e coloridas.

Ao invés de comprar um estante, fiz diferente. Coloquei uma enorme prateleira de ponta a ponta de uma parede e duas menores embaixo, pegando de um canto até um espaço no meio, de maneira que a televisão ficou encaixada entre elas. Um pouco mais abaixo, mandei fazer uma pequena estante pequena, só com portas, para eu guardar coisas que eu teria no futuro, já que era só o começo da minha vida de solteira independente.

Na varanda, uma rede, claro. E uma cortina estilo romântica, salmão, maravilhosa, que faz sentir-me em uma casinha de bonecas.

O meu quarto era amplo, com uma cama de casal para eu me espalhar entre oito almofadas e travesseiros muito fofos. Apenas coloquei uma mesa para comportar meu computador novo e cadernos da faculdade. Queria uma coisa clean mesmo, sem muitos móveis.

A cozinha já estava com armários, só tive mesmo que comprar o basicão dos eletrodomésticos. Mas, não queria que fosse um lugar frio. Coloquei quadros pequenos na parede, enfeitei com potes de vidros, flores e coisas que me fizesse lembrar de que aquele era um lugar acolhedor.

Podem ficar pasmos, mas aprendi a cozinhar. Claro, às custas da paciência das cozinheiras do salão de festas que me aturavam em seus ombros, fazendo mil perguntas e apontando para as panelas. Acho que até engordei um pouquinho de tanto provar os pratos.

Minha rotina era faculdade, trabalho e minha casa. Mas, logo vi que precisava de mais fôlego e decidi, então, me matricular na academia. Finalmente, eu estava em equilíbrio de corpo, mente e coração.

Pode parecer muito estranho eu dizer isso, mas eu sobrevivi à separação. No princípio, parecia que o mundo ia acabar, eu não conseguia parar de chorar e me sentia alguém muito ruim, como muita gente me fazia crer que eu era. Mas depois, voltei a lembrar do que sou de verdade, focalizei minha atenção nas coisas que eu gostava e segui meu rumo.

Ele não é algo que eu possa esquecer, simplesmente vem em meu pensamento para onde quer que eu siga, mas agora sem me atrapalhar. Simplesmente, está ali quieto em meu coração, sem trazer turbulências.

Às vezes, me perguntam como ele está, mas eu digo o que de fato aconteceu: não procurei saber. Eu queria ficar bem e esforcei-me para isso.

Não posso dizer que não me sinto solitária em certos momentos, mas isso também não me faz infeliz. Vivo rindo, de alto astral, tentando passar coisas boas para as pessoas, não posso amargar um rompimento do passado e tornar a vida de todos um inferno.

Ao mesmo tempo que estou terminando minha graduação, estou estudando para a prova do mestrado, que espero passar. Por isso, hoje, na hora do almoço, eu tinha duas tarefas, além de comer no shopping, comprar umas roupas legais para malhar e passar na livraria.

Sentei-me em uma mesa e pedi um pedaço de torta. Seria minha sobremesa, eu amava comer doces e guloseimas naquela parte da livraria. Era tão aconchegante! Luz baixa, fotos antigas da cidade do Rio de Janeiro nas paredes, um ambiente acolhedor que tocava mpb e jazz.

Era quase terapêutica aquela sessão de café com bolinhos e livros. Nem sempre eu vinha para comprar, só queria me sentir naquela deliciosa atmosfera. Abri minha bolsa e tirei uma carta. Era de Débi.

Débora fora morar no norte com Ribeiro e viver sua vida de casada, mas nem tudo saiu como ela sonhava. Semanalmente quase me escrevia. Eu tentava responder sem interferir muito em suas decisões, pois não queria ser a “amiga que a coloca a perder”, eu já estava suficientemente mal vista por não ter querido seguir com meu ex para o sul. Já estava bom de inimigos.

Aos poucos, as cartas começaram a me fazer mal, pois elas a todo momento relembravam-me de uma agonia que eu só queria esquecer, porém, por amizade, eu as abria e lia com paciência. O meu blog já havia sido fechado há muito tempo e ela, por não ter computador em casa, também desistira.

Era duro saber que minha amiga não se adaptara a nova vida. Eu achei que era só um pânico inicial de estar longe de tudo, mas cada carta reiterava a sua infelicidade diante das circunstâncias.

Hoje fora uma das vezes em que adiei a leitura da carta que pegara no correio de manhã. Pensei que, talvez, o ambiente gostoso da livraria proporcionaria boa paz de espírito que eu pudesse acolhê-la.

“Bela.

Fiquei muito feliz por saber que você está firme e forte estudando para a prova do mestrado. Muito bom para você. Eu ainda não consegui retomar os estudos. Achei que seria tudo muito simples, chegaria aqui, ingressaria em uma faculdade e pronto. Mas, não estamos podendo ainda porque os móveis foram muito caros, gastamos bastante com tanta coisa... que meus estudos tiveram que esperar. Isso me deixa mal, sabe? Fico com aquela sensação de que tudo está passando por mim e eu estou no mesmo lugar.

O Ribeiro vive em missões, no trabalho... e eu? Sozinha em casa. Eu tento sair, fazer amizades, mas a vontade que dá é só voltar para meu quarto e ficar deitada na cama. Como lhe falei, comecei a ir a psicóloga. Ela me passou uns remédios. Nunca pensei que eu precisaria disso.

Eu tive a idéia de dar aulas, procurei uma escola particular aqui perto, mas o diretor disse que não podia me dar à preferência, já que eu não tinha estabilidade, que daqui a pouco iria embora e o dinheiro que investiria em mim seria perdido. Aquilo contribuiu para uma crise que fez a minha psicóloga entrar com os remédios.

Vejo as fotos da formatura do fim do ano passado. A maioria daquelas meninas não estão mais com seus namorados, sabia? Talvez você não saiba, pois preferiu se afastar... mas a vida é dura, encarar isso não é brincadeira. Não é como eu pensei, eu tinha sonhos, castelos construídos em minha mente.

Agora as que estão aqui estão bem felizes. A maioria não trabalha, fica em casa fazendo artesanato, tentando contribuir de alguma forma com a renda. Mas elas parecem que tem a vida que pediram a Deus, dá para ver em seus olhos a alegria que eu não vejo nos meus.

O Ribeiro fica triste com isso... Ele sabe que eu não estou bem, pois tirou a arma de casa. Imagino que tenha sido um pedido da psicóloga... Algo me diz que foi ela.

Eu queria poder dizer para algumas meninas que ainda estão achando que a melhor coisa é jogar a sua vida para o alto para pensar melhor, porque pode não ser ainda a hora. Eu disse isso a minha psicóloga e ela falou que se as pessoas que eu conheço são felizes, eu não precisaria dizer isso a elas, mas só a uma pessoa: a mim mesma.

Exatamente isso... Eu queria poder voltar no passado e dizer a mim mesma para pensar melhor. Porque, agora, eu não posso abandonar o meu marido. Mas eu não estou bem, Bela.

Eu sinto falta de tudo e nada daqui me satisfaz. As pessoas amam esse lugar, é perfeito para elas, mas não tem nada a ver comigo, não me reconheço em nada. E isto está se refletindo no meu físico, emagreci 10 quilos.

Bela, o que devo fazer? Me ajuda.

Débi.”

Realmente, nem o ambiente, a música ou os bolinhos da livraria me faziam digerir o soco no estômago que eram aquelas palavras da pessoa que eu tanto amava. Débi era quase parte de mim.

Respirei fundo e guardei a carta. Eu tinha a resposta que ela queria, mas não podia dá-la. Não seria justo com Ribeiro, mas foi ele mesmo que me permitiu ajudá-la.

À noite, o telefone tocou e eu, que já estava debaixo das cobertas, assistindo um filme que alugara, tive que levantar para ir até a sala. Eu tinha que, urgentemente, providenciar uma extensão, nem que improvisar uma com um fio muito grande para carregar o telefone pela casa.

Atendi, sentando-me no sofá com a perna dobrada.

_Ribeiro? _ franzi a testa. _ Aconteceu alguma coisa...?

_Bela, você deve saber que a Débi não está bem, eu vejo que você manda cartas para ela.

_O que aconteceu?

_Calma, ela não fez nada ainda. Mas eu temo que seja "ainda". _ a voz dele era de quem estava relutando para não chorar. _ Às vezes, eu acho que fiz errado em trazê-la para cá, eu estou feliz, mas ela não consegue ser feliz ao meu lado...

_Ribeiro, ela te ama muito, ela só não gosta do lugar...

_Bela, ela está muito mal, não consegue comer. Ela está no hospital tomando soro. Vou convencê-la a voltar para a casa da mãe. Ela não quer, mas eu vou obrigá-la porque eu estou com medo de ela estar enlouquecendo aqui...

_Ribeiro, escuta. Eu vou mandar o dinheiro da passagem dela, vou esperá-la no aeroporto e diz para ela que ela vai ficar na minha casa, aos meus cuidados.

_Você faria isso? Acho que só você conseguiria trazê-la de volta àquela Débi de antes porque eu estou detonado com tudo isso...

_Ela só precisa voltar para as fontes de referência dela. Voltar a estudar, a trabalhar, a sair, a viver como antes.

_Bela, eu amo tanto essa mulher que, se for para ela estar aí, feliz, e só me ver uma vez nas férias, eu vou estar bem, eu só quero vê-la feliz, não importa o preço da distância que eu pague.

Aquilo para mim foi muito tocante de ouvir porque era justamente esse sentimento de desprendimento que esperei de Caio.

_Mesmo que ela queira arrumar outro... _ prosseguiu com seu desabafo. _ Eu vou superar, eu só quero saber que em algum lugar ela voltou a sorrir, mesmo que não seja por minha causa. Mas, eu tenho medo de chegar um dia em casa e ver que ela cometeu alguma besteira... Bela, me ajuda, eu estou desesperado.

_Calma, Ribeiro. Faz o que lhe falei. Vou depositar na sua conta o dinheiro e o resto aqui é comigo.

_Obrigado. Vou voltar para o hospital. Nossa, estou sem dormir acho que há dois dias. Isso está fazendo mal para mim também. Não entendo por que conosco deu tudo errado.

_Não deu tudo errado. Apenas, quem sabe, foi fora de hora. Ela não estava pronta para isso.

_Foi assim com você e Caio?

_Prefiro não falar dele. _ pedi.

_Como você sabia que não era sua hora?

_Ribeiro, a Débi e eu somos pessoas diferentes. A questão é que ninguém sabe como será até meter a cara. Cada um terá uma reação. Uns vão e, mesmo dando errado, não abandonam o barco. Outros preferem não ir. Outros vão e voltam para se preparar melhor...

_Acho que esse será o caso dela.

_Vamos ver...

Desliguei e mais uma vez me senti mal, com aquela carga pesada. Essa coisa toda de se sacrificar tinha um quê de intoxicante. Só de relembrar me tirava o fôlego. Mesmo assim, eu me odiava por ainda ter uma absurda vontade de rever o Caio. Detestava-me por ter saudade de alguém que eu comecei a sentir raiva. Tudo se misturava. Basta!

Larguei o telefone, balancei a cabeça para os lados e respirei muito fundo, fechando os olhos. Eu voltaria para o meu filminho de comédia, meu edredom e minha paz.

***

Quando fui buscar Débi no aeroporto, estava muito ansiosa para revê-la. Mas meu sorriso de felicidade se desfez quando reconheci aquela garota de cabelo preso, magrela e cheia de olheiras, vindo a mim de cabeça baixa.

Eu simplesmente abri os braços e ela se encolheu como quem, finalmente, encontra um porto e desatou em um choro desmedido.

_Eu não consegui, eu não consegui... _ repetia isso.

Olhei para as pessoas ao redor nos observando.

_Débi, olha para mim? _ levantei seu rosto. _ A Bela, lembra? Sua amiga de todas as horas.

Ela engoliu o choro.

_O Rio de Janeiro maravilhoso. _ sorri. _ E os cariocas tirando todos os casacos breguíssimos do armário para não sentirem frio!

Ela riu.

_Você está de volta, garota! _ pisquei.

Ela mal imaginava o que a esperava no meu apartamento. Eu consegui reunir sua família, os nossos amigos em comum e fiz uma pequena festa de boas vindas com balões coloridos, comidas, bebidas.

_Bem vinda! _ todos gritaram quando eu acendi a luz.

Débi começou a chorar, ela ainda estava muito frágil para fortes emoções.

_Obrigada, obrigada. _ repetiu de longe e eu li seus lábios.

Naquela noite, ela dormiu na minha cama e eu a obriguei a comer todos os doces e salgadinhos deliciosos que encomendara. Era o fim da sua falta de apetite!

_Como será que meu marido está?

_Ele está bem! Ele é um guerreiro da selva!

_E o seu cavaleiro? _ perguntou.

_Eu não tenho mais cavaleiro. Estou vendo que daqui a pouco vou ter que me contentar com um motorista de ônibus ou um taxista. Quem sabe um motoboy? _ franzi a testa, bati no travesseiro e o arrumei para deitar. _ Mas se me aparecer um Jama eu aceito.

_Jama? _ ela riu.

_Se aparecer um jamaicano bem grande com um... _ fiz o tamanho com a mão. _ bem grande, eu gamo!

Ela deu uma gargalhada longa com minhas palhaçadas e eu senti que estava começando a cumprir minha promessa de salvar a mulher da vida de Ribeiro.

_Estou cansada... Amanhã vamos sair para comprar uma cama de solteiro para você e ir à faculdade para reabrirmos sua matrícula!

_Tudo bem... _ ela sorriu e fechou os olhos.


Autora: Li



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