31 de ago de 2007

Cap 89: Casamento da minha melhor amiga

Trilha sonora da cena (clique aqui)

Eu tinha preparado aquela festa como se fosse minha, afinal, era nada menos que o casamento da minha melhor amiga.

Cheguei bem cedo no salão e conferi tudo. Dos docinhos às mesas. Não admitiria que nada saísse errado. Provei cada comida da cozinha, olhei com meus próprios olhos todos os detalhes. O tempo passou muito rápido.

Assim que eu cheguei de manhã, senti a atenção das pessoas sobre mim. Alguém descobrira que eu tinha terminado meu relacionamento com Caio. Já até sabia que língua havia se soltado: a do tio Paulo. Como eu era madrinha do casamento, precisei pedir seu auxílio à noite para que eu pudesse coordenar a festa e ao mesmo tempo participar dela.

Expliquei-lhe o grau de delicadeza da cerimônia, já que Caio estaria presente. Nem eu, nem ele, desistimos do convite que nos fizeram, porém, continuávamos sem nos falar desde o baile.

Os funcionários olhavam-me com pena, como se eu fosse o ser mais infeliz do mundo e a todo o momento tentavam me agradar ou me vigiavam para ver se conseguiam pescar algum sinal de tristeza.

Mas, eu era extremamente profissional e consegui desempenhar muito bem o meu trabalho, de maneira fria e o mais imparcial possível.

Só pude relaxar mesmo, quando vi aqueles dois no altar, prontos para dizerem sim.

A presença de Caio perto de mim me trouxe um grande desconforto. Não havia como colocar uma pedra em cima de tudo com ele ao alcance dos meus olhos.

Passado o baque inicial, eu racionalizei toda a nossa situação. Quem olhasse de fora poderia considerá-lo o vilão. Mas, não havia vilão naquela história. Se eu abdicara de muita coisa por ele, Caio também se privara de muitas outras para estar comigo, dividido sua atenção entre mim e sua família.

Mas, por mais que meu amor por ele fosse uma força imutável dentro de mim, eu estava certa de que não queria me mudar, nem largar tudo para seguí-lo. Eu amava aquele homem, mas não o seu destino.

Não podia medir ainda o quanto estava perdendo ou me arrependeria, mas não me sentia um monstro como as pessoas me pintavam. Ouvi de muitas “amigas” que conheci na Internet que eu era egoísta e só pensava em mim, ou que era uma patricinha mal resolvida.

Ribeiro e Débi passaram por debaixo do teto de aço formado pelas espadas dos aspirantes amigos deles. A chuva de pétalas de rosas vermelhas que programei emocionou a todos.

Quando a atenção estava voltada para o casal e começaram a cumprimentá-los, eu fugi para respirar. Estava sentindo um ligeiro estado de sufocamento. Passei a mão no peito.

Levantei o meu vestido azul claro para andar mais rápido e não pisar na sua barra. Encontrei um garçom no meio do caminho e peguei uma taça de champanhe.

Fechei a porta da minha sala atrás de mim.

Sentei no sofá sozinha e olhei a taça molhando meus dedos com o suor do líquido gelado no vidro. Bebi de um gole só e fiz uma careta. Larguei a taça no chão e deitei-me encolhida, em posição fetal.

Lembrei da frase do meu tio, quando me delegou a primeira tarefa de ficar no banheiro auxiliando os convidados da festa. Ele me dizia para chamá-lo no rádio quando precisasse de sua ajuda.

Peguei o rádio que trouxera comigo e apertei o botão. Ele atendeu. Eu fiquei muda.

_Bela, é você? _ perguntou.

_É... Eu estou precisando de ajuda. _ falei baixinho.

_Onde você está?

_Na sala. _ respondi.

_Fique aí. _ desligou.

Tio Paulo entrou na sala um minuto depois, fechou a porta e se agachou na minha frente.

_Acho que você já agüentou demais... _ passou os dedos no meu cabelo e fez um afago.

Fechei os olhos e duas lágrimas caíram.

_Está na hora de você tirar uns dias. _ disse-me. _ Isso não é um pedido, é uma ordem.

Fiz que sim com a cabeça e ele beijou minha mão.

_Vou chamar um táxi para te levar para casa. Deixe o seu carro estacionado aqui. _ falou e foi até o telefone.

_Eu tenho que me despedir dos meus amigos... _ disse-lhe, sentando.

_Agora é hora de pensar em você. _ anunciou e me pegou pela cintura, eu me senti fraca. _ Vamos passar por dentro da cozinha e sair pelos fundos, tente fazer isso o mais rápido possível, sem que percebam.

_Tudo bem... _ sequei as lágrimas com as costas das mãos e fiz que sim com a cabeça.

Tio Paulo colocou-me dentro de um táxi e, antes de bater a porta, disse:

_Fique o tempo que precisar.

_Obrigada. _ sorri um sorriso triste.

Cheguei em casa e minha mãe perguntou por que eu havia voltado tão cedo. Falei-lhe de uma maneira maquinal que o trabalho havia acabado antes da hora e fechei a porta do meu quarto. Abri o zíper do vestido e deitei debaixo do meu edredom, sem roupa.

Eu podia agora começar a hibernar e só acordar quando a avalanche que me assolara tivesse derretido.

Fechei os olhos e dormi um sono pesado e escuro.

Autora: Li



*Blog da Bela e da Débi

* Comunidade do livro no orkut!

Não percam os capítulos finais do livro!

14 comentários:

mellzinhaaa disse...

aaii li...
naum acho justo esse final =/
olha tudo q caio e bela jah passaram juntos... naum seria justo com eles (nem com nós) ficarem separados!
pensa com carinho e muda esse final =/
eu pra dar uma variada... to soluçando aqui, de tanto chorar =//

Tita disse...

Caramba viu! Imagina como foi isso pra eles! Pra ela ver um casamento de um cara da mesma turma do Caio, ver o Caio com aquela farda todo lindo e maravilhoso. E ele vê-la toda maravilhosa também, naquela festa perfeita que Ela organizou. E não trocarem uma palavra.
Eu achei que a Bela fosse encher a cara e dar aquele vexame quando ela pegou a taça de champagne hehe!
Aiaiai!
Beijoo

Li disse...

Meninas, meninas, rs, minhas leitoras amadas, calma...
Calma...
Muuuuuita calma nessa hora.
O livro está quase terminando, mas ainda falta algumas coisas...
Beijos!!!
Li

Li disse...

faltam*

aninha disse...

nossa!!! tadinha da Bela!!!! afff!! ta doendo em mim!!!!!rsrss!!!!!

Lu disse...

Lii.. cmo prometido oia eu aki o/
sem comentario esses dois ultimos capitulos.. ;~~ chorei pra me acabar aki.. uahuahauha mas n poderia deixar de falar do capitulo anterior mtt lindo aquilo q vc escreveu.. simplesmente perfeito!

bjuxx

Li disse...

:) Brigada Lu por sua presença aqui!
Foi um prazer falar contigo no msn.
Meninas, emoções finais chegando.
Aguardem.
Beijos.

Lucy disse...

*suspiro de pesar*... cara... isso dói insanamente... ela é forte DE-MAIS para agüentar tudo isso e ainda organizar a festa de casamento da melhor amiga... ver o homem que ela ama, que a rejeitou, ao seu lado e não desabar... e... enfim... dói demais... demais... (-_-)'

caramba... nem keria que o livro terminasse, mas do jeito que os capítulos estão, prefiro que termine logo pra gente acabar com essa agonia!!! =P

Li disse...

:) eita, rs, rs, sente a pressão, como diz o funk.

"vou botar muita pressão!!"

hahahahahah

ai meu deus...

beijocas.

Tita disse...

Putz e bota pressão! A cada cap que passa fica "pior" (entenda-se melhor)
hehehe

Quel disse...

Ah...to ficando doente com essa historia ja!!!hehehehe...quero e naum quero que termine logo!hehehehe...bem decifida neh?! mas tudo bem!
To adorando demais Li!!!
Beijoss

Li disse...

Oi, quelzinha!
Que bom que desse vício você não quer largar. Hei! Nem eu viu?
Pode deixar que vou fazer a próxima estória ser tão ou mais divertida e apaixonante que essa!
Aguardem, pois começa semana que vem!
Um beijão!!!

Ana Carolina disse...

Li...eu li todos os capitulos..sabe que na festa do aspirantado do bruno eu vi uma menina chorando horrores..deve ter sido isso..exatamente na escada que ia para o estacionamento...lembrei dela quando li o capítulo anterior!! eles merecem ser felizes li...poxa...depois de tanta coisa...faz igual a história de um major que comandou a cavalaria na minha época de cm..ele namorou uma menina por toda a aman..terminaram dias depois do baile do aspirantado e cinco anos depois, numa praia do sul ele s reencontraram e estão juntos até hoje!!rsrs...beijos linda!!!

Li disse...

ohhhhhhhhh qnt tempo!
mas 5 anos! puxa rs.
seu relato só corrobora minha pesquisa para o livro, afinal, poucos sabem, mas nada aqui é por acaso.
beijocas!