30 de ago de 2007

Cap 88: 000 dias. Eu te dei o melhor de mim

Trilha sonora da cena (clique aqui)

_Você tem certeza disso? _ Débi segurou minha mão e falou baixinho.

_Tenho... Eu tenho que tentar...

Estávamos no quarto de hotel. Parece que o tempo não passou, que ontem foi o Espadim e estávamos as duas com esperanças e expectativas sobre tudo que iria acontecer. Mas, amadurecemos e mudamos muito. Foi um duro trajeto e lá estávamos para o grande dia do aspirantado.

000 dias.

_Ele não quer falar comigo, mas eu não posso perdê-lo. _ mordi o lábio inferior e olhei para o alto para as lágrimas não correrem.

_Eu o entendo. _ Débi disse com a voz hesitante. _ Ele está sendo um pouco egoísta, eu sei... Mas ele só quer sua atenção. O Caio precisa de você e você só tem tempo e dedicação para o seu trabalho...

_Não é verdade...

_Bela, você é que não está conseguindo ver isso.

_Mas, eu preciso trabalhar. Ele não tem que se dedicar ao trabalho dele? Esse é o meu.

_Você não veio ao culto ecumênico, nem a colação de grau, nem a entrega da espada por causa do seu trabalho.

_Mas, eu vim ao baile! Eu só consegui sair de lá agora de tarde e vim correndo, estou cansada.

_Eu te entendo, mas ele sente sua falta.

_Eu também senti, Débi. Porque, nos meus melhores momentos, ele não esteve lá e nem por isso eu fiz jogo duro e deixei de falar com ele.

_É... _ ela suspirou. _ É complicado.

_Débi, você sabe de alguma coisa que eu não sei?

_Não. _ ela levantou-se e deu as costas. _ Seu vestido é lindo, deve ter sido uma fortuna.

_Um pequeno pecado. _ sorri.

O meu vestido era lindo, rosa escuro de um pano bem maleável. Sem brilhos, muito clean, com as costas nuas e um decote maravilhoso nos seios. Fiz maquiagem e cabelo em um salão próximo ao hotel e, à noite, eu cheguei com Débi e Ribeiro na festa.

Estava tudo mais lindo que no Espadim. Uma noite fabulosa. Meu coração estava batendo muito forte e minhas mãos suavam.

Encontramos Caio com seus familiares. Ele virou-se e me olhou. Sorri e dei uma voltinha tímida.

_Você veio... _ ele sorriu também.

_Nunca perderia esse dia.

Ele me pegou pela mão e fomos dançar na pista.

_Você está lindo... _ disse em seu ouvido.

Ele, realmente, estava muito bonito de roupa cinza, gravata, calça também cinza... Aspirante. Enfim. Eu sentia tanto orgulho porque eu tinha sido parte daquela conquista que era como minha também.

_Bela, preciso falar com você. _ ele novamente me pegou pela mão e me levou para fora do salão.

Ficamos afastados do barulho da música e das pessoas. Procuramos um lugar bem reservado.

_O que houve? _ perguntei.

Caio respirou fundo, coçou a testa. Eu o conhecia, ele estava se preparando demais para falar algo importante.

_Bela, eu pensei muito...

_Caio, se você continuar com esse suspense eu vou ter um filho. _ ri e tentei manter o humor.

_Bela, eu vou para o sul, como você já sabe. Eu pensei e pensei. Você tem razão, tem que seguir com sua vida, eu não tenho o direito de atrapalhar nada.

_Você não atrapalha. _ tentei tocá-lo, mas ele se afastou.

_Por favor, me deixa terminar, não está sendo fácil para mim. _ pediu. _ Bela, eu acho melhor você ficar aqui e eu ir. E... se um dia a vida nos unir de novo...

_Isso significa o fim?

_Não o fim, é como eu falei, quem sabe um dia...

_Caio, você está terminando comigo? Você está tomando essa decisão por nós dois, é isso mesmo?

_Bela, não vai ser fácil... e... eu prefiro as coisas assim.

_Ah! Você prefere assim? _ as lágrimas começaram a cair do meu rosto.

_Não é que gostaria que tudo acabasse desse modo, mas depois vai ver que vai ser melhor, você vai ficar livre...

_Ou você quer ficar livre para encontrar alguma guria na terra da Gisele Bündchen? _ fui irônica, aquilo não estava acontecendo comigo!

_Bela, por favor, vamos manter o nível da amizade.

_Caio, sai daqui, senão eu vou bater em você, sai. _ pedi, fechando os olhos.

_Eu só...

_Sai! _ pedi mais uma vez, mas enfática agora.

Ele foi embora.

Agora eu vou contar a vocês uma história que pouco se fala porque quem perde não conta sua história, esquece-a, rasga todas as páginas do livro da vida e queima os arquivos. Só ficam as versões felizes.

Eu vou contar a vocês o que acontece com aquelas que não tem um happy end neste conto de fadas.

Levei as mãos ao rosto e comecei a soluçar sozinha. Procurei uma escadaria que havia longe do salão e sentei. As lágrimas desciam negras por causa do lápis de olho e manchavam meu rosto.

Eu te dei o melhor de mim.
Eu abdiquei dos abraços e beijos e você desistiu.
Eu briguei com o orelhão toda vez que ninguém atendeu o telefone na ala e você desistiu.
Eu fiquei sozinha em nossos aniversários de namoro e você desistiu.
Eu enfrentei a crítica dos meus familiares e você desistiu.
Eu te vi partir a cada fim de semana, levando meu coração contigo e você desistiu.
Eu entendi seus serviços e você desistiu.
Eu entendi suas punições e você desistiu.
Eu entendi seus campos e você desistiu.
Eu enlouqueci e voltei a ficar bem e você desistiu.
Eu engordei e emagreci e você desistiu.
Eu enfrentei sua mãe e você desistiu.
Eu juntei dinheiro para viajar e te ver e você desistiu.
Eu agüentei as piadinhas dos falsos amigos e você desistiu.
Eu te ajudei na sua monografia e você desistiu.
Eu te acolhi na minha casa e você desistiu.
Eu esperei 4 anos e você desistiu.
Eu sofri noites de insônia e você desistiu.
Eu senti sua falta e, mesmo assim, esperei e você desistiu.

Eu morri e voltei e você desistiu.

Como pode fazer isso comigo? Como pode acabar comigo desta forma? Vamos voltar no tempo. Deixe-me sozinha na beira daquele rio e nunca apareça para aquele encontro. Não me beije, nem me diga nada. Você segue seu curso e eu, o meu.

Mas agora, depois de tudo que fiz por você, não pode desistir, porque eu te dei o melhor de mim.

_Bela?_ ouvi a voz de Débi, que correu até mim.

Suspendeu o vestido e subiu os degraus aos pulinhos.

_Você já sabia, não é? _ perguntei.

_Suspeitava… _ passou a mão no meu rosto. _ Estou aqui... _ abraçou-me.

_Isso não está acontecendo. _deneguei.

_Calma... Calma... Vou te levar de volta para o hotel.

_Não precisa. _ disse-lhe, respirei fundo e levantei.

Ela, ainda agachada, olhou-me de baixo.

_Eu só preciso chamar um táxi. _ abri minha bolsa e procurei o celular, havia anotado o número de um motorista.

_Tem certeza? Eu não quero te deixar sozinha.

_Essa é a sua noite. _ disse-lhe.

Depois de ligar, ela segurou minhas mãos e não soube o que dizer.

_Nem imagino o que é estar no seu lugar.

_Não pode imaginar mesmo...

_Aonde vai? _ ela perguntou-me.

_Eu vou esperar na entrada de frente para o retão.

_Eu vou com você.

_Não precisa, eu quero ir sozinha. _ pedi. _ Não diz a ninguém que me viu chorando.

_Pode deixar. É uma pena. Combinamos um encontrão com as meninas 1 hora da manhã, lembra?

_Lembro. Deixa meu beijo para elas. Melhor, não deixa nada. Eu só quero encontrar uma pessoa, a Bela. Preciso me reencontrar, ainda estou fora de mim.

_Por isso quero ir com você.

_Não, eu vou sozinha.

Caminhei lentamente e esperei o táxi em pé, só, na noite quente e iluminada por uma linda lua.

O carro chegou e, antes de entrar, olhei para o prédio atrás de mim e pensei se tudo tinha valido a pena para ter terminado daquela forma, separando Caio de mim.

_Eu já vi muitas meninas como você chorarem assim, é todo ano. _ disse-me o taxista. _ É por isso que minha filha não namora cadete, se namorar eu expulso de casa.

_Se não se importa, eu não quero ouvir nada. _disse-lhe.

_Desculpe.

Autora: Li



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6 comentários:

Anônimo disse...

não precisava ser assim...

bjos, meninas...
bjo, Eli...

aninha disse...

putz Li!!! até eu me surpreendi nessa!!! acho que o capitulo pegou todo mundo de surpresa!!!! pior é saber que isso sempre acontece com algumas... a minha prima passou por isso e até hj quase 1 ano depois não se recuperou... o namo dela fazia ESA e ele simplesmente a deixou dois dias depois da formatura... acho que o sentimento de perda é o mesmo.. independente do tipo de formatura!!!! nossa... esse capitulo mexeu com meu emocional!!! não queria que fosse assim... mas sei que essa é a realidade crua!!!!!

mell disse...

nossa li... =O =O
assim como a aninha jah disse, esse capitulo mexeu com o meu emocional tb!
chorei do inicio ateh o fim!
seilah... imaginanei q os dois seriam 'felizes para sempre'.

Li disse...

Sim, isso acontece demais, mas é um assunto pouco abordado, infelizmente.Foi com base no relato de muitas meninas que escrevi esse capítulo com todo o cuidado possível.
É como a Bela tão bem falou, quem perde não conta sua história, tenta esquecê-la, ficam apenas as versões felizes.
Mas muita calma, pois a estória de Caio e Bela ainda não acabou!
beijos da Li

Tita disse...

Quando eu li o título, já veio aquele arrepio... Até chorei nesse Lii! Que capítulo perfeitamente triste.
De repente a gente percebe que tudo aquilo que parecia sólido e eterno, pode PUF! acabar assim ao mudarem as circunstâncias da vida.
To sem palavras...
Bejo

Li disse...

Exato, tudo que parece sólido pode puf. rsrs. gostei da sonoplastia.
Bom, mas também o que não parece sólido pode mudar...
vamos ver.
beijos.