29 de ago de 2007

Cap 87: Decisão

_ Amor, eu vou para o sul do país. _ disse com uma voz feliz.
Aquilo foi uma faca entrando no meu peito. _ Diz alguma coisa. _ pediu.

_Que bom que sua carreira vai seguir os rumos que você queria e...

_Você vem comigo? _ perguntou.

_Temos que sentar e analisar melhor tudo direitinho... _ foi o máximo que consegui dizer-lhe.

_Claro, esse fim de semana eu vou para aí. Preciso desligar, te amo.

_Também te amo. _ desliguei.

Fiquei em pé, parada, como se meu mundo tivesse parado de girar. As lágrimas desceram fartas pelos meus olhos. Dei três passos de costas e caí sentada na cama, escorreguei junto com o edredom e fiquei no chão. As minhas mãos protegeram meu rosto e eu chorei um soluço sufocado, triste, profundo.

O telefone tocou mais uma vez. Peguei-o e atendi.

_Bela! É a Débi!

_Oi. _ respondi.

_Saíram as vagas! O Ribeiro vai para o norte! Quero dizer, nós vamos para o norte. Estamos felizes, era o que ele queria e o que ele quer é o que quero também. _ sua voz era tão animada e cheia de gritinhos que me fez até sorrir.

_Que bom...

_E Caio, ligou?

_Não, ainda não. _ menti. _ Mas, vai ligar.

_Está tudo bem?

_Está sim.

_Bela, eu te conheço.

_Já disse que está. Tenho que desligar.

Desliguei. Aquele momento era só meu, não queria dividir com ninguém, nem estragar a felicidade dela. Chorei sem medida e, no dia seguinte, meu rosto estava desfigurado. Como eu poderia trabalhar daquela maneira?

Cortei algumas rodelas de batata com um pouco de sal e coloquei no meu rosto. Fiquei deitada na minha cama. Sem forças para me mexer. Mas, era preciso trabalhar. Fiz um sacrifício e me vesti.

Era preciso correr para deixar tudo pronto para o casamento de Débi. Havia muitos preparativos a serem arranjados.

***

Os olhos de Caio só esperavam uma resposta, logo aquela que eu não poderia lhe dar:

_Caio, eu vou ser muito sincera com você. E gostaria que me escutasse primeiro.

_Tá. _ ele sorriu e segurou minha mão. Estávamos no meu quarto, sentados em minha cama.

_Eu amo demais você, descobri que aquele meu amigo de segundo grau era o meu verdadeiro amor. Por você suportei mil coisas... Mas, eu não vou poder largar tudo agora e ir para o sul do Brasil. Não agora. Eu estou terminando minha faculdade, tenho os meus pais, o meu trabalho, minha vida aqui.

_... _ os olhos dele se encheram de lágrimas.

_Não faz isso… _ pedi, passando a mão no seu rosto.

_A minha carreira não terá significado nenhum sem você do meu lado. _ disse ele.

_Eu sei. Mas acha justo eu jogar tudo para o alto agora?

_... _ ele não respondeu, mas pelo que eu o conhecia aquele era o seu “não”.

_Eu pensei, repensei e achei melhor não tomar nenhuma atitude por impulso. Se você me ama de verdade, vai entender meu lado.

_A maioria das namoradas dos meus amigos vão com eles, estão felizes e...

_Caio?! Cada um sabe o tanto que tem a perder e eu tenho muito.

_E me perder?

_Nós passamos tanto tempo separados e não nos perdemos. _ lembrei-o.

_E quanto tempo mais eu terei que esperar para você estar preparada? _ perguntou-me.

_Eu não tenho essa resposta para você. _ disse.

Ele abaixou a cabeça.

Meu celular tocou, era do trabalho. Revirei os olhos, era só o que me faltava agora... Atendi.

_Dona Isabela? O DJ acabou de ligar, o pai sofreu um acidente e ele não vem tocar. E agora?

_Calma, para tudo se dá um jeito. _ fiquei de pé, andei pelo quarto e pensei. _ Já sei, vou ligar para um outro que tenho aqui na minha agenda e... _ abri minha bolsa. _ Droga, deixei ela aí. _ coloquei meu cabelo atrás da orelha e equilibrei o telefone entre a bochecha e o ombro. _ E o resto, está tudo certo?

_Sim, está caminhando. _ disse minha assistente.

_Tudo bem, estou chegando aí. Vou arrumar um DJ, nem que eu mesma tenha que controlar uma mesa de som pela primeira vez. _ desliguei o telefone e olhei para Caio.

Ele balançou a cabeça para os lados com desdém e saiu do quarto.

_Caio, vem aqui, desculpe, eram problemas do trabalho... _ fui atrás dele.

Caio pegou a mala que a pouco tinha deixado no chão da sala.

_Aonde vai? Você acabou de chegar de Resende.

_Vou embarcar para São Paulo.

_Quê? Como assim, meu amor? Caio, não pode fazer pirraça agora, as coisas não se resolvem assim, eu tenho que resolver os problemas do trabalho.

_Tudo bem, Bela. Eu já entendi, “você tem que resolver os problemas do trabalho”, não precisa repetir. _ entregou-me o convite da festa. _ Aí está. _ pegou a mala.

_Não, por favor, não vai embora. _ implorei.

_Me deixa. _ ele pediu e abriu a porta do apartamento.

_Tá, se você quer ir, ao menos deixe eu te levar de carro. _ ofereci.

_Não quero que perca seu tempo precioso para achar um DJ. _ lembrou-me.

Ele estava certo, se eu fosse, não teria como conseguir um DJ e a festa sairia um fiasco, muito dinheiro e responsabilidade estavam envolvidos nisso.

_Caio, eu te amo. _ eu falei, antes da porta do elevador se fechar.

A última imagem que tive dele era de seu rosto duro e amargurado.

_Droga! _ gritei e minha vizinha apareceu na porta, assustada.

Não lhe dei nenhuma satisfação e bati a porta do meu apartamento.

Fui buscar minha bolsa.

Que droga, droga, droga, meu mundo estava começando a vir abaixo!

Autora: Li



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5 comentários:

Tita disse...

Ahhhh isso não é justo! Sempre que ela tava falando com ele vinha um "amor tenho que desligar, campo, prova, serviço". Agora o pai do DJ morre e ele faz isso!? aah para né?
Fiquei indignada!
Mas por outro lado é de partir o coração essa situação!
Ai qta emoção!
Beijooo

Li disse...

Eu também acho que ele está sendo imaturo. Mas talvez seja carência, pense que toda vez que chegue a Bela tem que largar tudo para ficar com ele...
Complicado mesmo.
E agora? Ansiosa tb para os últimos capítulos.
beijos!

aninha disse...

esse capitulo é muito triste... tanta luta por esse amor, mas parece que é uma luta só de um lado... o caio foi incapaz de entender o lado dela... credo... chorei....rsrs! e agora, como vai ser ?????
ei, kd a dona lucy que não veio ainda com seus comentários esclarecedores ????

mellzinhaaa disse...

aaii...
chego a estar inchada aqui de tanto chorar!
nem tenho o q comentar...
esse capitulo foi mto triste!
nossaa (suspiros e mais suspiros)...

Anônimo disse...

Akiiii, ana!!! \o/ voltei!!!
Eu tava enrolada com estresses de estudos, vestidos... tantas coisas acontecendo por aki... =(

mas to aki!!! e os comentários esclarecedores, amiga... ficaram para trás, tropeçaram há alguns capítulos atrás e estão no hospital esperando o bom momento para voltar...

sério mesmo... estou sem comentários... até pelo menos ela se decidir, o Caio amadurecer (vish, vou esperar sentada neh? em pé, cansa)... enfim... aiaiai... vamos continuar na estória e ver o que acontece... nessas horas, prefiro ficar kietinha ouvindo tudo pra não perder nem um pingo de emoção das cenas!!! caraca...

ai, Li... que coisa mais dramática pra Bela... tadinha... ='(