20 de ago de 2007

Cap 78: Amadurecimento

Caio sofreu muito com aquele gesso no pé. Eu estive ao seu lado em todos os momentos, tanto fisicamente como moralmente. Procurava ligar todos os dias para saber seu estado de saúde. O peso de carregar o próprio corpo só com a ajuda das muletas lhe trouxera ferimentos debaixo das axilas e muito cansaço físico.

Mas, o tempo faz as coisas voltarem ao normal, ele logo ficou bom e retornou aos treinos físicos. Só que nem tudo tinha a capacidade de retornar a fase anterior, pelo contrário, progredia... Estou me referindo ao meu relacionamento propriamente. Hoje, estou namorando, e amanhã?

É sobre isso que comecei a conversar com Caio. Não diretamente, mas em tom de puro sonho ou brincadeira:

_ Amor, olha aquele apartamento, tão bonitinho né? Derrubaram uma casa antiga e rapidinho levantaram esse prédio. _ apontei, enquanto andávamos pelas ruas do meu bairro. _ Quando a gente se casar, eu quero ter um desses para a gente ter o nosso canto, claro...

Ele apenas ouvia, não complementava em nada no meu sonho. E seu silêncio representava para mim uma contrariedade incômoda porque eu me sentia errada ao ter aqueles desejos, já que ele não partilhava o mesmo comigo.

_O que foi? Ficou calado, Caio.

_Hum... Sei lá, é que eu acho pura bobeira gastar dinheiro comprando imóvel. A gente vai viver se mudando pelo país. É bem melhor investir em ações, corre muito mais dinheiro que os juros da poupança.

Aquele era um lado tão pragmático: juros, ações, poupança, especulações. Eu estava me referindo a uma poltrona no quarto ao lado da cama para ler, um pequeno escritório para estudarmos, uma sala com DVD para assistirmos vídeos juntos, uma mesa na cozinha. Eu via um lar, ele via cifrões, lucros.

_Eu não acho besteira. _ afirmei minha posição.

_Eu acho, meus pais nunca tiveram isso.

_Porque seu pai quis assim. A maioria das pessoas se preocupam com isso.

_Meu pai é militar. _ me lembrou.

_Justamente por isso. _ falei enfaticamente. _ Caio, esses são os meus sonhos. Você sonha com cursos, campos, serviços e tudo que sua carreira impõe, até as transferências. Esses não são os meus sonhos. Os meus sonhos são: um trabalho, uma casa minha...

_Tá, mas eu não quero comprar nada. Meus pais nunca ligaram para isso.

_Eu não vou mais falar no assunto. _ calei-me, se continuasse estragaria o nosso curto fim de semana.

Mas, eu ainda teria muito que falar sobre aquilo em breve, quando uma mudança repentina na minha vida me faria tomar uma decisão sobre tudo o que envolvia esta pequena discussão.

Caio simplesmente não gostava de falar de casamento. Dizia que era muito cedo, só depois de capitão. Parecia que nos casar era fazê-lo pular uma etapa da sua vida. Então, o que ele queria? Sair por aí, “pegando geral”, virando madrugada em boate, sei lá?

Eu sabia que não era isso, que existia uma grande imaturidade da parte dele, não estava preparado para ser dono do próprio nariz. Eu só sondava que sabia, não tinha tanta certeza do fato, porém o futuro me mostraria o quanto Caio ainda era só um garoto. E eu virava uma mulher em uma velocidade um pouco maior.

Essa postura de ter coceira só em ouvir a palavra casamento me entristecia, queria ao menos me sentir amada ao ouvi-lo falar: “Ah! Quando a gente casar vai ser assim...”. Mesmo que fosse daqui a sete anos, não importava, eu queria me sentir dentro desse sonho futuro.

A sua explicação também fora menos alentadora: “Eu só vivo o presente, nunca planejei nada a longo prazo”. Putz, ouvir aquilo, sim, era desmotivante. Eu namorava um cara sem sonhos, sem objetivos? Talvez a questão não fosse essa (mesmo que eu sentisse com muita dor dentro do coração que fosse). A realidade é que Caio tinha toda a sua vida arrumadinha, cronometrada pelos seus superiores. Até sua carreira possuía degraus certos para progredir. A gente faz planos justamente quando não tem certezas. Ele não, ao contrário, tinha todas as garantias do mundo, bastava não fazer nenhuma besteira e tudo seguiria o cronograma.

Simplesmente, ele não poderia querer casar porque o casamento seria um “projeto” todo baseado por sua conta e risco. Para quem não está acostumado a fazer nada desses moldes, o melhor mesmo é adiar para uma data muito longe.

Eu ficava ruminando isso tudo na minha cabecinha e isso me provocava um inferno mental. Passei por várias fases em relação a essa história de casar: falava disso o tempo inteiro e fingia que ele só não fazia o mesmo por ser tímido; depois, falava e sabia que ele não me seguia, pois não tinha as mesmas metas; mais tarde, falava e questionava seu silêncio e, por fim, parei de falar. Como se aquela batalha me trouxesse um cansaço.

Deixei cair no esquecimento, me prometi que viveria cada dia e pronto. Contudo, o 3º ano chegou e com ele uma avalanche ainda mais forte de questionamentos. Não dava para escapar, o tempo corria e logo ali na frente, no 4º ano, estaríamos de cara com o fim daquela distância.

Ele sabia o que queria e eu sabia também o que não queria. A partir de então, aqui no peito, começou a bater um coração em guerra.

Autora: Li



*Blog da Bela e da Débi

* Comunidade do livro no orkut!

O livro ganhou o troféu "The Best!" do mês, no site A Gazeta dos Blogueiros!

5 comentários:

Jane disse...

Ooi! Caramba Li... É engraçado como aqui os capítulos vêm na hora certa como uma ajuda!
Eu e o meu amor queremos ficar juntos pra sempre. Ele já me disse que quer que eu seja sua mulher, que quer ficar comigo pra sempre. Mas eu nunca ouvi ele falar a palavra "casar" pra mim.
No Espadim, eu esperava que ele me pedisse em casamento. Mas não aconteceu... Nem pensei muito nisso porque sei que é a maior bobeira, mas eu fiquei esperando sabe?
Quero só ver o que vai acontecer agora! =)
Bjoo!

Anônimo disse...

Nya... essa sim é a parte complicada da história toda. Acho que o casamento, por mais maduro que seja o rapaz, não é fácil de decidir. Existe aquela coisa da liberdade. Eles passam tanto tempo presos lá dentro que quando saem uerem respirar um pouco, decidir o que vestir, aonde ir e etc... tá certo que não é liberdade total, mas também não é aquela coisa toda da AMAN, horários definidos senão vai preso ou punido... etc.

A pressão diminui e eles só querem aproveitar um pouco desse relaxamento que é viver com um pouco menos de limitações. Acredito que é sempre bom dar um tempo para eles depois que sairem de lá, para ver o que realmente querem fazer, para analisarem e tomarem a decisão. Já esperamos tanto tempo, não custa nada esperar mais um pouco para que eles tomem a decisão mais importante da vida deles. Claro que não precisa parar a vida por causa disso, vai andando que, na hora certa, ele vai pra perto de vc ou te leva pra perto dele ou, ainda, ambos convergem os caminhos na mesma direção. Enfim...

Sinceramente, também passei por fases como a Bela. Falava muito nisso e não ouvia retorno; falava menos e ouvia brincadeirinhas sobre o assunto, mas nada que pendesse para o lado do casamento; passei a comentar apenas esporadicamente, mas já ouvia comentários do tipo "qual a cor do carro, meu amor?" ou "vamos investir nisso ou naquilo?", ouvia planos que somente pessoas que pensam em passar o resto da vida juntos pensam em realizar juntos; por fim, não falo mais em casamento e até brinco algumas vezes com isso.

Na verdade, ambos não estão preparados. Não falo em maturidade, porque só se alcança a maturidade do casamento depois de vivê-lo (na minha opinião). Eu falo da questão de preparo financeiro, estrutural mesmo. Nós queremos passar o resto de nossas vidas juntos, disso já tenho certeza (e não preciso ouvi-lo dizer que quer casar-se comigo ou fazendo planos para cerimônias de casamento, porque as atitudes dele me dizem muito mais do que as palavras), apenas precisamos de tempo para concretizar a estrutura e realizar a obra firmada em solo seguro.

Enfim... é difícil demais esperar, mas esta é a nossa maior qualidade... eu diria: um dom. Paciência. E tipo, deixar nas mãos de Deus é o melhor, desde que você saiba escolher seu caminho na hora em que Deus te disser "escolhe".

No mais... me perdi no foco do meu ponto de vista (deve ser por causa da hora), então... depois eu venho comentar direito.

Desculpe, Li! Só não vou apagar porque eu escrevi mto! (risos)

Bjão pra todas! \o/

Li disse...

Lucy, querida! Obrigada pelo carinho de sempre e por suas análises, rs, aprendo sempre sempre mesmo com elas!

Jane, flor, é assim mesmo, temos expectativas e devemos esperar para a hora certa de correspondê-las.

Beijos para as duas!

mell disse...

assim como a bela, jah sofri mto por isso! teve uma epoca q eu soh falava e soh pensava em casamento!
meu namorado sempre fez planos pra nos dois, sempre deixou bem claro q eu era a mulher de sua vida... que queria ter filhos e uma casa cmg! mas eu queria data... e sofria por naum ter ela!
hj naum me estresso mais com isso! continuo com meu sonho de casar... com direito a 'teto de aço' e tudo! heheheh
mas deixo para que o tempo mostre a hora certa... tanto para ele, quanto para mim!

li... acho q no capitulo de hj, vc tocou lah no fundo do coraçaozinho de cada uma q le o livro!
heheheh
beijo grande amada =*

Li disse...

Obrigada pelo carinho, amada!
Como pode as experiências quase só mudarem de endereço?
Beijocas!