16 de ago de 2007

Cap 74: Tarefa cumprida

Caio me ligou já, estava próximo da hora combinada para ir a boate com Penélope. Ele havia me dito que iríamos juntos.

_Bela, eu vou para São Paulo. Meus pais vieram me buscar.

_Por quê? O que aconteceu? Eu estava tentando ligar para o seu celular...

_Eu me machuquei no treino.

_Quê? Como você está? _ meu coração disparou.

_Agora eu estou bem. Quebrei o pé e engessei.

_Não diz isso! Você estava treinando tanto para o campeonato...

_Nem me lembre, estou muito mal por isso.

_Calma, amor, vai se recuperar, você vai ver.

_E você? Vai sair mesmo assim?

_Num sei... A Penélope não quer ir sozinha, você se importaria se eu fosse?

_Não... Mas se cuida tá? Vou tentar não pensar que vai ter um monte de “play” em cima de você.

_Amor, você sabe que eu só tenho olhos para você.

_Eu sei, eu te amo. Se cuida.

_Eu que falo: se cuida.

Desligamos. Parece que todo o brilho da noite se apagou. Eu cheguei na boate com cara de enterro. Jonny percebeu isso e não sossegou, enquanto eu não lhe disse que era por causa do meu namorado que havia se machucado.

_Você quer ir embora? _ disse-me.

Penélope estava no banheiro com outra amiga que tinha encontrado.

_Não... Não sei... _ passei as mãos no rosto. Eu estava agoniada.

A música era ótima, a comida, o lugar, tudo perfeito. Mas eu estava sem meu Caio e era como se uma parte de mim estivesse faltando.

_Eu posso te levar em casa.

_Não! Isso não... Jonny, na verdade, eu vim aqui porque quero te dizer uma coisa...

_Fala! _ olhou-me com toda atenção. Estava lindíssimo de blusa preta e cabelo arrepiado. O homem mais lindo do lugar. _ Pode falar...

_A minha amiga está a fim de você e queria saber se tem chance de...

_... _ ele riu, abaixou a cabeça e a balançou para os lados. _ Quer dizer que se eu ficar com ela, você estaria segura para ir embora?

_Não foi isso que quis dizer, nem quero que fique com ela por mim, como você disse, ou que... Só quero saber se tem chance.

_Vou arrumar um carro para você. _ ele pegou o celular, chamou um táxi.

_Olha, eu não tenho dinheiro para pagar um táxi até minha casa, é longe...

_Eu não pedi para pagar. _ ele abriu a carteira e tirou uma nota azul de cem reais e me deu.

E fiquei olhando para aquilo como quem olha para o cordão de brilhantes, ninguém coloca isso na nossa mão assim de bobeira.

_Jonny, não...

_Bela, olha para mim, eu trabalho em um emprego público, ganho muitíssimo bem. Dinheiro para mim não vale droga nenhuma, só quero saber que vai chegar bem em casa, esse barulho e essa fumaça não está te fazendo nada nada nada bem...

_Mas e minha amiga?

_Eu cuido dela. _ suspirou.

_Eu não quero que seja assim...

_Bela, vem... _ ele levantou-se e me fez segui-lo.

Fomos até a portaria pagar minha entrada e ele passou o cartão dele, me impedindo até mesmo de pagar minha consumação.

_Eu deveria ter falado com ela primeiro...

_Eu falo que você não estava bem. Não se preocupe, já disse.

_Jonny, você vai ficar com ela?

_Vou. _ disse.

Droga, eu tinha conseguido aquilo que ela queria, mas não era como eu imaginava. Mas não estava ali para mudar os fatores, só queria realmente ir para casa.

_Bela? _ ele segurou a minha mão e me puxou lentamente para si, ficamos separados por uma corda. O segurança ficou nos olhando.

_O quê? _ofereci o ouvido para ele falar.

_Todas as mulheres aqui ficaram aos seus pés. Você teve todos os olhares. Só as Belas tem esse poder. _ disse ao meu ouvido. _ Durma com os anjos, no templo das deusas gregas.

_... _ levantei o rosto, olhei-o, nada disse, me afastei e sai pela porta.

Seu perfume ficou entranhado na minha roupa, sua voz grossa no meu ouvido. Mas meu coração era só do meu Caio, do meu doce e eterno amigo - irmão – namorado.

Meu celular vibrou. Uma mensagem.

_ Minha irmã vai fazer uma festa do pijama sexta que vem. Apareça. Jonny.

Mas o que ele queria? Ficou com minha amiga por pura praticidade e falava comigo daquele jeito? Talvez eu lhe dera esperanças. Eu tinha que mudar minha maneira de ser. Perder aquela mania de ficar fazendo joguinhos verbais, de brincar com os homens, de acabar com meu jeito nato de seduzir, mesmo que para atiçar. Eu sempre fora assim e agora não podia mais, estava namorando.

Se Caio descobrisse seria o caos, não, isso não iria acontecer! Eu não iria àquela festa! Pronto!

Autora: Li



*Blog da Bela e da Débi

* Comunidade do livro no orkut!

O livro ganhou o troféu "The Best!" do mês, no site A Gazeta dos Blogueiros!

2 comentários:

ana disse...

uhuuuuuu!!!!! a Bela só que arrasa os corações!!!! isso me fez pensar numa coisa... quando estamos sozinhas não aparece uma viva alma para aliviar a solidão e justo no momento que aparece alguém parece que todo mundo resolveu te olhar também...

Anônimo disse...

hahahaha... ana, é assim mesmo! =P

Aiiii, eu sabia que isso ainda ia dar problemas... quero dizer, ainda não deu pq a Bela tá sendo esperta! Agora q ela entendeu a questão, vai se controlar... essa coisa de brincar e seduzir sem querer, como que instintivo, é muito ruim de controlar, mas é como perder um mau hábito, apenas se acostumar (e forçar a si mesma) a fazer diferente. =P

Caramba... quero só ver!!!
Ai, Li, ficou tão emocionante esse capítulo!!! \o/ Ainda bem q eu to lendo hoje, pq já tem mais dois postados! (risos) bjo pra vc... saudades. =P