15 de ago de 2007

Cap 73: Jogo de palavras

Bárbara era uma garota muito bonita, faltava apenas acreditar mais em si mesma. Achei que não seria nada demais lhe dar essa mãozinha, já que pedira a mim essa força.

O churrasco da turma aconteceu em um domingo, dei um jeito de Caio se convencer de que precisava passar mais tempo com a família e lhe expliquei que queria ir ao churrasco fechado da turma.

Fazia um delicioso sol e por baixo da saia e da blusa coloquei um biquíni amarelo. Quando cheguei, a própria Bárbara veio abrir o portão. Abracei-a e lhe paguei o dinheiro da minha cota do churrasco.

Cumprimentei alguns amigos e, ainda em pé, vi quando um homem saiu pela porta da sala e chegou na varanda onde estava a mesa com as comidas. Ele me olhou em cheio e eu senti um frio na barriga.

Era alto, um corpo gigantemente esculturalmente perfeitamente... tudo de "mente" com uma cor bronzeada que eu o escalaria logo de cara para um comercial de cerveja para o público feminino. O cabelo molhado jogado na testa e os olhos indecentemente verdes desconcertavam qualquer um ao olhá-lo. As entradas desciam e se perdiam na bermuda florida azul e branca que contrastavam com sua cor.

_É esse aí com quem você vai ter que fazer um trabalhinho para mim. _ ouvi Penélope do meu lado e eu tomei um susto, como se fosse pega fazendo algo errado. Era como se ela pudesse ter lido meus pensamentos.

_Ele é o irmão da Bárbara? _ perguntei, tentando não parecer em nada afetada.

_Em carne, osso e músculos, muitos músculos.

_Não tinha ninguém mais humano não? _ perguntei. _ Ele saiu de onde? Da forma? Esse aí deve ter ficado muito mais tempo lá em cima na fábrica da beleza.

_Bela! Você tem namorado!

_Eu sei, mas não sou cega! _ ri. _ Ok, você quer que eu diga o quê para ele? _ tentei levar aquela missão para o lado prático.

_Eu não sei, né? Se soubesse ia lá eu mesma. _ riu. _ Quando chego perto dele me sinto uma gaga que só fala imbecilidades.

_Então, vou pedir para ele vir aqui te beijar, assim você nem vai precisar falar. _ brinquei.

_Você acha que eu tenho chances?

_Bom, primeiro eu tenho que sondar. _ dei de ombros e entreguei-lhe minha bolsa para segurar.

Fui até a mesa fazer o meu prato e fiz um comentário qualquer sobre a salada de macarrão colorido para chamar a atenção do irmão de Bárbara.

_É muito boa, minha mãe capricha. _ disse ele, cortando a carne em uma tábua de madeira. _ Eu não lembro de ter te visto no churrasco anterior. _ comentou ele.

_ Ah! Desculpe, nem me apresentei. _ ri e joguei meu cabelo para o lado, para não cair nem um fio no meu prato. _ Sou a Bela.

_Você disse que é Bela? Não duvido. _ ele usou a melhor voz de cantada e não desperdiçou nem a chance de fazer aquela habitual piadinha.

_E você? _ perguntei por seu nome.

_O que acha? _ ele parou de cortar e ficou ereto. _ Belo também?

Eu tentei não olhar para ele para não dar na telha de que tinha ficado vermelha.

_ Não, Belo não, você precisaria pintar o cabelo de loiro. _ brinquei, fazendo menção ao cantor de pagode Belo, que descolorava o cabelo.

“Rápida, você, garota!”, me elogiei, sorrindo.

_ Por que não veio da outra vez? _ perguntou ele, sempre puxando assunto.

_Porque eu saí com meu namorado. _ disse eu.

Pronto! Saquei a frase que é o maior delimitador de território. Se qualquer cara chegar perto de você avançando rápido demais, coloque esta frase para farpar uma grande cerca ao seu redor.

_Que pena. _ lamentou.

_Do quê? Eu ter namorado ou não ter vindo? _ belisquei uma lingüiça que ele havia acabado de cortar.

Droga! Eu não falei isso! Eu não falei isso! Uma faca para eu cortar meus pulsos! Putz...

_De não ter vindo, claro, porque você ter namorado eu não me importo. _ sorriu. _ Quer mais lingüiça? Dessas grandes? _ olhou-me com todo aquele verde dos seus olhos de cílios longos.

Eu fiquei bem mudinha, afinal, naquele joguinho de palavras, do jeito que eu sou atacada, vou acabar fazendo trocadilhos com grossuras de lingüiça que vai descambar em um diálogo terrível...

_Não, obrigada. Não posso abusar. _ agradeci.

_As Belas sempre podem. Só o resto da humanidade precisa se martirizar. _ ofereceu.

E eu peguei mais um pouco. Se para conversar com ele eu precisasse continuar enchendo meu prato, aquilo iria virar uma montanha de carne e farofa.

_Eu disse o meu nome, e o seu? _ perguntei mais uma vez.

_Patrick. _ respondeu.

_Patrick? _ repeti. Não era exatamente um nome adequado para um homem tão bonito e forte, soava quase ridículo, meio afeminado, nome de criança. É diferente de falar “Vem, Roberto”, “Vem meu Jorge, Carlos, Ricardão...” _ E as pessoas te apelidam de Pat? _ ironizei.

_Não, de Jonny mesmo, o do Jonny bravo. Você acha que tem a ver?

_Depende do tamanho do seu cérebro. _ comentei.

_Bom, isso você só vai saber se tentar entrar nele para estudá-lo.

_Acho que agora eu quero mesmo entrar de cabeça no meu prato. _ sorri.

_Não vai beber nada? _ ele abriu o isopor cheio de gelo e tirou para mim a garrafa de Coca-Cola que pedi.

_Obrigada.

Sentei-me em uma mesa vazia e ele sentou-se ao meu lado.

_Parece que eu não dou sorte com as amigas da minha irmã, sempre comprometidas.

_Nem todas, só é você reparar melhor.

Fiz um sinal para Bárbara vir se juntar a gente.

_Conhece? Bárbara, Jonny. _ apresentei-os.

Esquisito, há vinte minutos eu era a estranha ali.

Comi minha carne o mais rápido que pude para correr daquela posição de vela e pular na piscina.

Os dois conversaram, mas senti que não rolou nada. Eu era péssima como cupido e, pelo visto, ainda teria muito trabalho pela frente.

_Ele chamou a gente para uma night, ele tem filipetas para nos dar. Eu não quero ir sozinha, você vai comigo, né?

_Ai, Bárbara. Eu tenho namorado e você sabe que ele pode não vir para o Rio, eu vou ficar de vela...

_Por favorrrrrr.

_Tudo bem, vamos tentar levar mais gente pelo menos. _sugeri.

***

Chegando em casa, entrei na Internet e escrevi no meu blog:

"É complicado ter uma postura de namorada. Quase como ter que se desacostumar a ser como antes. Por exemplo, sempre fui muito grudada nos amigos. Do tipo que beija, abraça, chama de "querido", "querida". O que chamariam de "uma pessoa dada", rs. Brincadeira. Sou muito carinhosa.

Hoje, uma amiga me alfinetou quando tive uma atitude. "Você tem namorado!", ouvi dela.

Eu tenho que me policiar, para no futuro não ter problemas com meu amor por isso."


Será que outras pessoas já passaram por essa sensação que está comigo agora, como se algo que antes era normal me fizesse "ser uma crápula" por estar namorando?

Vou esperar ansiosa os comentários para saber sobre outras experiências das meninas.

Autora: Li



*Blog da Bela e da Débi

* Comunidade do livro no orkut!

O livro ganhou o troféu "The Best!" do mês, no site A Gazeta dos Blogueiros!

4 comentários:

Li disse...

Hummmmm....

Em que que isso vai dar hen?

Palpites? Joguem as cartas, façam suas apostas... rsrs

Beijos, queridas!!!

ana disse...

oi miga!!!!! ta interessante o joguinho heim!!!!!!

mell disse...

aaii.. aaii aaiiii...
prefiro naum me pronunciar!
tah ai mais uma coisa q eu e a bela somos parecidas... 'somos mto dadas'
ehhehehe

Anônimo disse...

(risos e mais risos)
Ficou muuuuito bom esse capítulo! O joguinho de palavrsa foi bem interessante, até o carinha oferecer as lingüiças maiores para a Bela. (risos)

Eita, que isso ainda vai dar caquinha!!! =PPP Eu to sentindo... aiaiai!!!

E, cara, essa coisa de mudar de comportamento é complicada... vou comentar no livro da Bela sobre isso...

Li, o capítulo tá mto engraçado! Eu amei!!! rsss \o/