Caio entrou no carro rindo da minha trapalhada. Eu fiquei calada.
_Você sabe porque já morou em vários lugares. _ eu disse, aborrecida.
_Quem manda você não ser viajada? _ riu mais e continuou dirigindo.
Emudeci completamente, eu tenho um gênio difícil de conviver. Uma hora estou falando feito uma papagaio, em outras, eu me fecho e parece que desaprendo a falar.
_Que foi? Está tudo bem? Eu estava brincando... _ falou, enquanto estávamos parados em um sinal.
_Os meus pais não têm condições de me fazer viajada como você! _ eu disse. _ Você veio de uma família diferente da minha.
_Desculpe, falei brincando, amor, você sabe que eu não queria te magoar... _ disse antes que eu continuasse com aquele assunto e o levasse mais a fundo.
Continuei muda, fiquei olhando pela janela as ruas, à noite: agências de automóvel com seus conversíveis iluminados atrás dos vidros, os prédios arranhando o céu, as avenidas cheias, os mega shoppings reluzindo.
Agora, Caio e eu tínhamos nossa própria vida. Nossos amigos de escola se dissiparam por faculdades diferentes, tomaram outros rumos. Eu tinha meus amigos da faculdade e ele seus amigos da Aman.
Ele nem sempre se sentia à vontade com meu grupo. Lembro de uma vez que fomos até um bar com meus colegas de turma e ele ficou todo o período da noite mudo. Não tinha assunto com eles. Simplesmente, bebeu e ficou segurando minha mão. Eu queria fugir dali porque o silêncio dele me incomodava, eu sabia que estava deslocado. Não conhecia nada sobre aquelas piadas a respeito dos nossos professores, nem as fofocas das chopadas, ou coisas do gênero civil.
Ele resumiu para mim sua agonia quando fomos embora horas depois: seus amigos são fúteis. Eu disse que era o jeito deles e que gostava mesmo assim... Porque eu, no fundo, entendi o lado dos meus companheiros e também do Caio. Ele vivia uma vida dura, de provações. Sabia o que era comer ração, dormir enrolado na lona, espremer beribéris e carrapato do corpo, escalar montanha sobre um frio e chuva intensos... Diante desse quadro, qualquer coisa que minhas amigas, “patricinhas” ao seu ver, discutiam era futilidade. Seja a promoção “off shore” da queima de estoque de uma grife, ou a bolsa linda que ganhou de aniversário...
Minha vontade era sair com meus amigos e com Caio. Separadamente. E foi isso que comecei a fazer. Quando ele estava aqui, nós ficávamos juntos. E nos outros fins de semana sem ele, eu me encontrava com minha turma. Eu não podia me limitar por ele, mas também, por amor a Caio, era preciso abdicar daquilo que não gostava.
Para a maioria das pessoas é loucura, julgam ele sem saber, dizem que ele está me controlando, me privando, mas eu prefiro não dar ouvidos. É minha estratégia. Tenho tão pouco tempo para ficarmos juntos que minha solução é ficar 100% com ele e depois sair com meus amigos. Pelo menos, evitar que ele ficasse no meio de vários amigos que não iriam ter vontade de ouvi-lo.
Comecei a procurar perfis de amigos que se parecessem com ele, e com alguns desses era possível sair e fazê-lo participar das situações.
A melhor solução mesmo era quando ele chamava um casal de amigos seus porque, assim, eu tentava ao máximo me socializar e como sou tão expansiva e facilmente “integrável”, como fala uma amiga minha, rapidamente o clima fica propício à diversão.
Amar é saber que sempre haverá perdas e ganhos. O difícil é administrar essa conta, que nem sempre tem os mesmo fatores e resultados para todos. Cada um tem seu peso e medida.
Caio estacionou o carro, desligou o rádio e retirou-o para guardar. Depois, respirou fundo para me chamar a atenção. Acordei dos meus pensamentos.
_É aqui a pizzaria._ falou._ Agora se for para a gente ficar assim brigados eu vou perder até a fome.
_Está tudo bem, amor. _ dei-lhe um beijo no rosto.
_Como você muda de humor tão rápido?
_É que no coração eu só coloco as coisas boas. _ sorri e abri a porta do carro.
Autora: Li
*Blog da Bela e da Débi
* Comunidade do livro no orkut!
O livro ganhou o troféu "The Best!" do mês, no site A Gazeta dos Blogueiros!
3 comentários:
Oi, meninas!
Antes que perguntem, retirei as imagens das fotos, porque tive uns probleminas no lay e precisei refazer.
Aliás... O novo livro que vai vindo, já está no forno. Nãooo vou contar, se abrir sola! hahahah
Mas seguirá o mesmo tema!
Mas não se preocupem, ainda faltam 20 capítulos para vocês ficarem com a Bela, não perca, a reta final tá quentíssima!!!!!!!!!
Beijoos da Li que AMAAAAA cada uma de vocês e guarda no coração com muito conforto!!! rsrs.
oi Li querida!!!!!!! como vai ???? ta muito legal seu livro... eu ando sem tempo de escrever... to tentando andar com a monografia, mas parece que quanto mais escrevo mais coisas estao faltando... fala sério!!! bjus guria!!!
Liiiiii!!! Eu to de volta das minhas pequenas férias românticas!!! (risos) Mais uma semana pra gente e sustentar!
E esse capítulo foi interessante... a reflexão dela é muito importante. É difícil ter amigos em comum quando temos vidas paralelas. Melhor seria poder conviver a todo momento para poder conhecer as mesmas pessoas. Fácil só é quando o perfil de amigo dos dois é o mesmo, assim fica fácil tanto de namorado se socializar, quanto para a namorada não ter q se esforçar para conviver com pessoas mto diferentes dela.
De qq forma, tudo se resolve sempre que há boa vontade de ambas as partes! Bjo grande!!! \o/
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