10 de ago de 2007

Cap 68: Vida pessoal e vida a dois

Assim que saímos do elevador, no estacionamento do prédio de Caio, encontramos com um casal de amigos dele. Eu fui cumprimentá-los com dois beijos. No segundo, eu beijei o ar e quase esbarrei no rosto da namorada do garoto. Uma cena patética, tudo porque aqui no RJ o protocolo são dois beijos, enquanto que em SP, um só.

Caio entrou no carro rindo da minha trapalhada. Eu fiquei calada.

_Você sabe porque já morou em vários lugares. _ eu disse, aborrecida.

_Quem manda você não ser viajada? _ riu mais e continuou dirigindo.

Emudeci completamente, eu tenho um gênio difícil de conviver. Uma hora estou falando feito uma papagaio, em outras, eu me fecho e parece que desaprendo a falar.

_Que foi? Está tudo bem? Eu estava brincando... _ falou, enquanto estávamos parados em um sinal.

_Os meus pais não têm condições de me fazer viajada como você! _ eu disse. _ Você veio de uma família diferente da minha.

_Desculpe, falei brincando, amor, você sabe que eu não queria te magoar... _ disse antes que eu continuasse com aquele assunto e o levasse mais a fundo.

Continuei muda, fiquei olhando pela janela as ruas, à noite: agências de automóvel com seus conversíveis iluminados atrás dos vidros, os prédios arranhando o céu, as avenidas cheias, os mega shoppings reluzindo.

Agora, Caio e eu tínhamos nossa própria vida. Nossos amigos de escola se dissiparam por faculdades diferentes, tomaram outros rumos. Eu tinha meus amigos da faculdade e ele seus amigos da Aman.

Ele nem sempre se sentia à vontade com meu grupo. Lembro de uma vez que fomos até um bar com meus colegas de turma e ele ficou todo o período da noite mudo. Não tinha assunto com eles. Simplesmente, bebeu e ficou segurando minha mão. Eu queria fugir dali porque o silêncio dele me incomodava, eu sabia que estava deslocado. Não conhecia nada sobre aquelas piadas a respeito dos nossos professores, nem as fofocas das chopadas, ou coisas do gênero civil.

Ele resumiu para mim sua agonia quando fomos embora horas depois: seus amigos são fúteis. Eu disse que era o jeito deles e que gostava mesmo assim... Porque eu, no fundo, entendi o lado dos meus companheiros e também do Caio. Ele vivia uma vida dura, de provações. Sabia o que era comer ração, dormir enrolado na lona, espremer beribéris e carrapato do corpo, escalar montanha sobre um frio e chuva intensos... Diante desse quadro, qualquer coisa que minhas amigas, “patricinhas” ao seu ver, discutiam era futilidade. Seja a promoção “off shore” da queima de estoque de uma grife, ou a bolsa linda que ganhou de aniversário...

Minha vontade era sair com meus amigos e com Caio. Separadamente. E foi isso que comecei a fazer. Quando ele estava aqui, nós ficávamos juntos. E nos outros fins de semana sem ele, eu me encontrava com minha turma. Eu não podia me limitar por ele, mas também, por amor a Caio, era preciso abdicar daquilo que não gostava.

Para a maioria das pessoas é loucura, julgam ele sem saber, dizem que ele está me controlando, me privando, mas eu prefiro não dar ouvidos. É minha estratégia. Tenho tão pouco tempo para ficarmos juntos que minha solução é ficar 100% com ele e depois sair com meus amigos. Pelo menos, evitar que ele ficasse no meio de vários amigos que não iriam ter vontade de ouvi-lo.

Comecei a procurar perfis de amigos que se parecessem com ele, e com alguns desses era possível sair e fazê-lo participar das situações.

A melhor solução mesmo era quando ele chamava um casal de amigos seus porque, assim, eu tentava ao máximo me socializar e como sou tão expansiva e facilmente “integrável”, como fala uma amiga minha, rapidamente o clima fica propício à diversão.

Amar é saber que sempre haverá perdas e ganhos. O difícil é administrar essa conta, que nem sempre tem os mesmo fatores e resultados para todos. Cada um tem seu peso e medida.

Caio estacionou o carro, desligou o rádio e retirou-o para guardar. Depois, respirou fundo para me chamar a atenção. Acordei dos meus pensamentos.

_É aqui a pizzaria._ falou._ Agora se for para a gente ficar assim brigados eu vou perder até a fome.

_Está tudo bem, amor. _ dei-lhe um beijo no rosto.

_Como você muda de humor tão rápido?

_É que no coração eu só coloco as coisas boas. _ sorri e abri a porta do carro.


Autora: Li



*Blog da Bela e da Débi

* Comunidade do livro no orkut!

O livro ganhou o troféu "The Best!" do mês, no site A Gazeta dos Blogueiros!

3 comentários:

Li disse...

Oi, meninas!
Antes que perguntem, retirei as imagens das fotos, porque tive uns probleminas no lay e precisei refazer.

Aliás... O novo livro que vai vindo, já está no forno. Nãooo vou contar, se abrir sola! hahahah

Mas seguirá o mesmo tema!

Mas não se preocupem, ainda faltam 20 capítulos para vocês ficarem com a Bela, não perca, a reta final tá quentíssima!!!!!!!!!

Beijoos da Li que AMAAAAA cada uma de vocês e guarda no coração com muito conforto!!! rsrs.

ana disse...

oi Li querida!!!!!!! como vai ???? ta muito legal seu livro... eu ando sem tempo de escrever... to tentando andar com a monografia, mas parece que quanto mais escrevo mais coisas estao faltando... fala sério!!! bjus guria!!!

Lucy disse...

Liiiiii!!! Eu to de volta das minhas pequenas férias românticas!!! (risos) Mais uma semana pra gente e sustentar!

E esse capítulo foi interessante... a reflexão dela é muito importante. É difícil ter amigos em comum quando temos vidas paralelas. Melhor seria poder conviver a todo momento para poder conhecer as mesmas pessoas. Fácil só é quando o perfil de amigo dos dois é o mesmo, assim fica fácil tanto de namorado se socializar, quanto para a namorada não ter q se esforçar para conviver com pessoas mto diferentes dela.

De qq forma, tudo se resolve sempre que há boa vontade de ambas as partes! Bjo grande!!! \o/