4 de ago de 2007

Cap 62: Determinando limites

Caio veio me abraçar e eu dei um passo atrás. Ele franziu a testa, fazendo-se de desentendido.

_Que foi?_ riu.

_Eu estou chateada com você. Eu estava ali falando dos meus problemas e você saiu me deixando sozinha.

_Ah! Bela, é que eu fico com tanta raiva desse cara que dá vontade de ir lá e arrebentar ele na porrada.

_Eu gostaria que você me desse um pouco mais de atenção e escutasse o meu lado. Porque eu canso de ouvir tudo que é relativo a AMAN. Eu também não entendo o seu mundo, mas ao menos tento ficar por dentro...

_Tá, Bela. Entendi. _ cruzou os braços e se encostou na pia, ficou olhando para o próprio pé.

_..._ calei-me, não queria discutir mais.

_Foi mal.

_... Licença. _ pedi e ele se afastou para o lado. Coloquei o detergente na esponja e lavei o prato.

Caio respirou fundo, pensou um pouco e depois veio por trás de mim e me abraçou.

Ele sabia exatamente o modo de me fazer esquecer nossas brigas. Não cedi, continuei enxaguando o prato, mas perdendo a concentração.

_Eu passei a semana pensando em você e agora a gente vai ficar assim? Eu venho para cá para isso?

Eu coloquei o prato no escorredor e passei o dedo no ralo da pia, para permitir que a água descesse. Tirei os restos de cebola e atirei no cesto de lixo ao lado.

Caio afastou meu cabelo e passou a boca no meu pescoço. Fiquei parada. Ele me beijou várias vezes na bochecha, me envolvendo por trás com seu corpo, sem camisa.

_Seus pais saíram e seu irmão está no quarto jogando video-game...

Virei-me e olhei-o nos olhos, séria.

_Se você continuar me olhando com esses olhos azuis de raiva eu não vou resistir, sabia? _ disse, chegando mais perto.

O microondas apitou e eu me desviei dele e tirei o prato do forno com a ajuda de um pano de prato. Peguei um copo de água e estabanadamente enchi-o, deixando derramar na mesa da cozinha. Eu estava balançada com os carinhos dele.

_Isso tudo sou eu? _ riu, convencido.

_Não! Sou eu mesma. _ respondi ríspida, sequei com o pano de prato a mesa e o atirei em cima das panelas do fogão.

Levei o prato até o quarto do meu irmão e de lá trouxe mais dois copos de suco que estavam esquecidos no armário dele.

Caio me pegou pelo braço na cozinha.

_Você vai continuar me ignorando? É isso mesmo?

_Ah! Você sentiu o gostinho de como é? _ perguntei seca.

_Bom, vamos ver se você gosta deste gostinho aqui. _ ele me puxou pela mão tão rapidamente que eu não tive como me conter.

Caio, em uma habilidade surpreendente, abriu a porta do quarto de empregadas, acendeu a luz e me puxou para dentro. Pareceu já ter feito aquela manobra outras vezes, como se conhecesse a casa como ninguém. Quando vi, estávamos lá, entre a tábua de passar roupa e um cesto de palha. Ele trancou a porta e apagou a luz. Ficamos só com a iluminação da luz de fora do prédio que atravessava o vidro da janela fechado.

_Caio...

Ele afastou meu cabelo com as duas mãos e me beijou. Eu tentei falar, mas ele colocou a língua na minha boca e me beijou mais intensamente, com força, vontade, convicção. Eu estava tão cansada que não tinha como resistir. Deixei minhas mãos em sua cintura e senti os ossos de sua bacia, sua entrada, seu abdômen definido.

_Diz para mim que não quer... _ ele falou ofegante, suspendendo a minha blusa.

_Você é maluco... _ sorri, deixando-o abaixar as alças do meu sutiã e sugar os meus seios. Acariciei seu cabelo.

_Eu sou maluco por você. _ jogou minha blusa no chão e nunca pensei que suas mãos fossem tão rápidas para se livrar de nossas roupas. _ Bela, você é maravilhosa... _trouxe-me para si e eu me esqueci por aqueles instantes dos problemas no trabalho, da doença da minha sogra, da possibilidade de alguém chegar.

_Você também... _ procurei fôlego, sentindo-o me abraçar por trás e me acariciar com suas mãos hábeis e grandes.

É incrível como o ato do amor é capaz de, em alguns segundos, nos trazer aquela sensação de morte, de inconsciência total, um prazer quase uterino do renascimento para a vida. Um poder renovador de união.

Apoiei as duas mãos na parede e fechei os olhos, senti a magia daquele balé do amor pelos músculos, pêlos, nervos, líquidos, com toda a intensidade que poderia aquele ato proporcionar.

Os movimentos sinuosos de nossos corpos já unidos eram conduzidos pelo ritmo e som das respirações ao fundo.

A geometria do nosso amor se completava com a lógica da criação. Ainda nos corpos de nossos pais, o círculo do óvulo se encontrou com a reta do espermatozóide. Depois o círculo da bolsa uterina se liga com a reta do canal da vagina e, também por um círculo, surge a vida. E quando nos unimos, ele, a reta, e eu, o círculo, nos penetramos e formamos o todo, completos.

É uma agonia de querer acabar logo, de chegar ao ápice, e ao mesmo tempo uma vontade perversa e sádica de esperar, de atrapalhar para durar mais.

Virei-me de frente, surpreendendo-o e o abracei, senti o suor descendo pelo seu peito e o beijei na boca, acariciei seu cabelo e suas costas largas.

Enfim, a explosão se tornou uma calmaria e relaxamento. Ficamos parados ainda por alguns segundos, sentindo os últimos músculos pulsarem. Quando tudo parou, ele levantou meu rosto e nos olhamos longamente.

_Não me odeie nunca porque eu vivo do seu amor._ disse aquilo com um tom poético que me abriu um largo sorriso.

_Foi maravilhoso. _ respirei profundamente, soltando o ar. _ Eu te amo... _ abracei-o.

_É melhor a gente se vestir, senão, alguém pode chegar. _ ele voltou a racionalidade.

_Tem razão. _ procurei minha roupa no chão.

Quando saímos do quarto, encontramos meu irmão colocando o prato na pia. Ele nos olhou por alguns segundos, mas não disse nada, voltou para seu video-game.

Caio e eu nos entreolhamos e rimos.

Autora: Li



*Blog da Bela e da Débi

* Comunidade do livro no orkut!

O livro ganhou o troféu "The Best!" do mês, no site A Gazeta dos Blogueiros!

3 comentários:

aninha disse...

nooooooooooooooossssssssaaaaaa!!!!!!!!! casal de doidos!!!!!!!!rsrsrs!!!!!!! mas uma cena dessas deixa qualquer um morrendo de inveja!!!!!!!

meninas capitulo novo no tão iguais e tão diferentes - um amor militar na maturidade

www.taoiguaisetaodiferentes.blogspot.com

Anônimo disse...

(risos) é bom aproveitar os momentos juntos... mas a voncersa precisa acontecer. É mto bom que seja olho no olho, mas eu costumava conversar td antes de ele vir ou eu ir visitá-lo, assim, quando nos encontrássemos, estaria td conversado e resolvido. Assim, aproveitaríamos todo o tempo possível, sem assuntos pendentes. ;)

Ai, Li... justo hoje vc publica um capítulo desses? Caramba... =/
Abraço carinhoso, amiga...

Aninha Barreto disse...

oi li!!! passei pra avisar que atualizei meu blog biografia!!!! bjusss