28 de jul de 2007

Cap 56: Uma noite de sonho

Tomei um banho, sequei o cabelo com ajuda de uma escova e do secador. Prendi o cabelo em um rabo de cavalo com um elástico de silicone. Depois peguei uma mecha e enrolei por cima do elástico para escondê-lo. Deixei uns fios do cabelo caindo no rosto. Pus umas borboletas com cristais presas no penteado. Pronto, agora era só vestir o vestido e calçar a sandália alta. Não demorei mais que uma hora para estar pronta.

_Nossa, que linda! _Débi falou, quando eu sai do quarto e todos me elogiaram.

_Obrigada. _ sorri.

_Acho que podemos ir!_ Ribeiro concluiu e nós fomos para o elevador.

O hotel não ficava longe da Aman. Aliás, nada ficava longe da Aman, visto que a cidade era pequena.

Assim que avistamos a Academia Militar pude ver dois grandes refletores iluminando o céu. Senti-me em Hollywood, chegando para a própria entrega do Oscar. Aquilo era só para deixar um gostinho do grande e glorioso baile que me esperava. Uma verdadeira e inesquecível noite de gala, em que eu me sentiria uma princesa dos livros.

Depois de registrarmos nossa entrada em uma pequena cabine de soldados, atravessamos o retão. Retão é como chamam uma enorme reta que vai do portão principal até a entrada.

Antes de chegarmos lá, viramos à direita e fomos procurar estacionamento para o carro.

Estava uma noite para nós cariocas considerada fria. Mas para um gaúcho seria uma noite muito quente. Sensação térmica é uma questão de costume. Bom, o fato é que a cidade a noite esfriava ligeiramente. E o mês de agosto contribuía para isso.

Descemos do carro e caminhamos por uns metros até chegarmos em uma escadaria. Levemente ergui o vestido para não ter o risco de tropeçar e cair. Atravessamos mais um grande salão e vimos uma enorme fila de casais.

Voltei a sentir aquele friozinho na barriga. Não conseguia falar nada, estava absurdamente ansiosa.

As mulheres vestiam roupas de todos os estilos. Algumas mais simples, discretas, outras devem ter confundido aquilo com algum baile de carnaval. Pareciam um shopping center de brilhos e casacos de pele. Meu Deus, casaco de pele, onde ela estava sentindo aquele frio? Eu estava de vestido de alça!

Alguns rapazes vestiam roupas brancas. Perguntei a Ribeiro porque eles não estavam de azul, como eles?

_Eles são cadetes dos outros anos, segundo, terceiro, que compram o convite para poderem vir a festa. Principalmente quem fica aqui sempre nos fins de semana, porque não tem família nos estados próximos e não vão perder essa bocada. _riu. _ É dia de comer e pegar cadetina._ riu mais alto para provocar Débi.

_Ah! É?_ minha amiga cruzou os braços.

_Brincadeira, amor._ disse ele, não se agüentando de rir, abraçou-a. _Não posso te abraçar não, eles não deixam a gente ficar abraçado, nem se beijar não, estamos fardados. _ soltou-a, lembrando-se das regras.

_Mas tem cadetina aqui?_ perguntei.

_Não sei, é mais difícil, porque tem que conseguir os convites, não é uma festa tão aberta ao público como as outras, tipo festa junina, Olimpíadas, em que a entrada é gratuita.

_Hum._ levantei as sobrancelhas.

_Ah! E respondendo a sua pergunta. Eles estão de branco para não serem confundidos com a gente. Mas em geral não vestem mais aquela farda branca, porque eles têm a azul deles. _ Ribeiro explicou.

Aliás, ele estava muito tagarela, acho que pela felicidade de ver sua namorada linda ao seu lado, em um vestido vermelho glamuroso, e poder exibi-la como troféu para seus amigos. Vários rapazes passaram por ali e lhe deram um silencioso tapinha nas costas, que traduzi como “Ai, cara, pegou legal, hen?”.

Uma mulher de terninho preto e com um fone pendurado no rosto, parecendo uma operadora de telemarketing, olhou os nossos convites. Muitos seguranças de terno, eu disse muitos mesmo se espalhavam por todos os lados.

Passamos por um tapete vermelho e depois entramos por um corredor feito com uma tenda de lençóis brancos. Havia muitos arranjos de flores e luzes amarelas iluminando o labirinto que nos levava para a festa. Era como se embarcássemos em um túnel do tempo e voltássemos ao século retrasado no período do império.

Ainda neste labirinto, vimos uma mesa com muitas xícaras de porcelana, parece que para servir alguma espécie de chá, não sei. Mas muito bonita, toda enfeitada.

Pronto, lá estava o baile. Meus olhos tentaram apreender tudo de uma só vez, mas eram muitas coisas a se olhar e eu estava completamente deslumbrada.

Um pátio muito gigantesco separava dois salões. Neste pátio, havia um chafariz muito grande, com luzes iluminando a queda d’água, magnífico. Ali, um Dj tocava Trance e Techno. Luzes na parede faziam a iluminação de umas figuras que mudavam de forma. Parecia uma boate ao ar livre. Algumas pessoas dançavam animadamente.

Em torno deste pátio, havia mesas com flores muito iluminadas e panos brancos dando um ar de decoração grega. Os fotógrafos tiravam fotos dos casais de namorados e dos cadetes com seus familiares.

Alguns homens vestiam uma farda cinza com uma gravata. Eram os oficiais de alta patente e os recém formados na AMAN, que desfilavam com suas belas mulheres luxuosamente vestidas.

_Ribeiro, como vamos achar o Caio? _ perguntei.

_Vou ligar para ele, espero que me escute com o barulho da música que deve estar lá dentro. _ ele pegou o celular do bolso. _ Vamos caminhar para lá? _ sugeriu.

Entramos em um dos salões e ai mesmo que eu fiquei boquiaberta e estática.

Mesas redondas cobertas por toalhas brancas, cadeiras vestidas com uma capa também branca. Taças, pratos, flores, bandejas com gelo. Só vendo com os meus olhos todo aquele luxo para acreditar que aquilo era no nosso século. Me senti em um filme de época.

A luz estava baixa, dando um ar muito romântico. Mais na frente um palco muito grande estava armado e uma banda tocava músicas de todos os estilos. Quatro dançarinas rebolavam e levavam o público a loucura. Luzes estroboscópicas dos globos coloriam os corpos das pessoas.

Nas mesas, as pessoas comiam salgados servidos pelos garçons, havia comida japonesa, aparelho de fondue com comidas para espetar. Uma fartura impressionante. Não sabia para o que olhar primeiro. Era tudo lindo, magnífico, surreal.

Eu não me perdoaria nunca se tivesse perdido aquilo, talvez até lidaria bem com o fato, por justamente não ter visto com meus próprios olhos e por isso não sentiria falta do que não teria presenciado. Mas agora que vira, agradecia a Deus por ter me feito por um milagre eu chegar naquele baile para encontrar o Caio.

Se para mim tudo estava tão fantástico, quem sabe para ele nem tanto, por sentir falta da minha presença. Mas isso eu só saberia, quando o visse. E onde ele estava?

_Caio? _ Ribeiro falou alto, tampando um dos ouvidos. _ Onde você tá?

_Ansiosa? _Débi me perguntou.

_Muito. Olha minha mão._ mostrei o quanto estava fria.

Ela sorriu.

_Tá, entendi. _ Ribeiro olhou para trás, se virando e eu olhei junto, tentando achar Caio com os olhos._ Mesa duzentos e seis? Vou para aí. _ desligou._ Ele está perto do palco. Você vem com a gente, ou quer aumentar a surpresa?

_Hum... Não sei. _ ri nervosa.

_Já sei, a Bela e eu ficaremos aqui fora do salão, que está menos barulho e você vai lá e traz ele aqui. _ Débi deu as coordenadas.

_Eu não vou deixar vocês duas aqui não! _ Ribeiro falou.

_Anda, amor! _ Débi revirou os olhos.

_Eu já volto rápido, então.

_Não conta que a Bela está aqui, hen!

_Pode deixar que eu vou contar! _ ele provocou e sumiu na multidão.

Débi e eu saímos do salão e ficamos do lado de fora.

Autora: Li



*Blog da Bela e da Débi

* Comunidade do livro no orkut!

O livro ganhou o troféu "The Best!" do mês, no site A Gazeta dos Blogueiros!

10 comentários:

ana paula disse...

caramba Li!!! o Caio vai ter uma surpresa!!!!! amiga, to numa falta de inspiração para escrever.... to numa crise de nervos que vc naum tem noção... aconteceu uma coisa que eu naõ tava esperando e me deixou uma pilha!!!!! to super nervosa!!!!!

Aninha Barreto disse...

meninas, vim avisar que postei mais um capitulo do romance militar tão iguais e taõ diferentes

www.taoiguaisetaodiferentes.blogspot.com

perdão pela demora, mas eu to fazendo a monografia e fazendo o estágio de regência... quem faz pedagogia e letras, sabe a correria que a gente vive com esses estágios!!mas consegui um tempo e escrevi... espero que gostem!!! bjus no coração de todas!!!!

Jane disse...

Liiii!!! ahhh que lindo! Eu vou fazer essa surpresa pro meu lindo! Nem que nao me deixem ir, EU VOU! E vou fazer surpresa! Por isso quero ve o que vai acontece agooora!
Beijooo Tá demais!

Li disse...

Oi, Jane! Que legal! rs. tomara que dê certo, mas você terá que voltar aqui para contar como foi hen!

Ana, vou passar lá para ler! bju

Nathy disse...

Caraca. q maximooooo!
Adorando.

^^

Bjos

Jéssi disse...

Aiiiiii Li..... vc me deixa todo dia ansiosa... hauhauhauhuaa
parabens..ta perfeito
beijos

mell disse...

uma semana sem ler o livro...
nossaa! tah demais...
chorei, chorei e chorei!
ehehhehe

nao acaba com o livro, naum li! eh tao bom! heehheeh
beijao linda =***

Jane disse...

Ah pode deixar Li que eu volto com uma história bem legal pra contar!
Up na mell, nao acaba com o livro naao! Eh bom mesmo!
hehe Beijoo

Nath disse...

Aaaaaah...

Não tinha como não comentar nesse capítulo, né, Li?

Tô com lágrimas nos olhos!

Apesar dos pesares... Acho que tenho que agradecer por ter participado da minha maneira desse dia tão especial... Um dia de sonho....

Amo esse livro... Já me vi nele tantas vezes... Vou ficar triste quando acabar... Mas eu sei que daqui a pouco vem outro! Rs

Beijo miga! Te adoro!

Plincesa Lucy disse...

Ahhh!!! Que festa dos sonhos! Pena... muita pena eu não ter ido... mto mesmo... não quero mais nem pensar nisso. Estarei no Aspirantado e ponto final! \o/

Gente, que emoção!!! Vamos, vamos, que venha o próximo capítulo!!!

Grande bjo meninas!!!
Liliiiiiiiiii, vc não tem pena do coração da gente! uahahahaha