12 de jul de 2007

Cap 46: Pode confiar em mim

A espera era grande. Às vezes, o tempo parecia girar contra mim. Mas apesar de eu achar que os ponteiros do relógio não eram meus aliados, uma hora sempre chegava em que toda espera era recompensada. E lá estava Caio, saindo do elevador com sua mala.

Abracei-o com força e uma saudade tão grande. Prendi a respiração e fechei os olhos para aproveitar cada segundo daquela maravilhosa sensação de calor. De sentir minha cabeça apoiada em seu peito.

_Eu te amo. Eu te amo._ beijei-o nos lábios e mais uma vez o abracei. _ Vamos entrar? _ ri, se deixasse ficaríamos ali, grudados no corredor. _Está com fome? Vou colocar um prato de comida para você no microondas.

_Estou sim. _ ele disse e sorriu, mas não era um sorriso completo.

_Caio, está tudo bem com você?_ franzi a testa e parei no meio do caminho. Desisti de ir até a cozinha e fui sentar ao seu lado no sofá.

_Nada... _ ele estava fugindo, mas sua mão apoiando a cabeça me assustava cada vez mais.

_Caio, olha para mim! Não adianta esconder, eu sou sua namorada!

_Bela..._ ele levantou o rosto e seus olhos cintilantes pelas lágrimas prestes a rolar me aterrorizaram. Senti um arrepio percorrer a espinha e meus pelos do corpo se eriçarem.

_Fala logo, não me mata do coração! _ pedi, muito nervosa já.

_É a minha mãe. Ela tá muito doente.

_Quê? Sua mãe? Mas... O que ela tem? _ eu ficara completamente desnorteada, mas pelo menos sabia que não era nada com ele.

_Ela está muito mal... E eu não quero que ela morra. _ as lágrimas caíram dos seus olhos em forma de duas gotas grossas. _ Ela está com câncer.

_Ai, meu Deus... _ fechei os olhos e senti junto com ele sua agonia. _ Caio, eu estou aqui com você... _ segurei sua mão. _ Vem aqui, vem... _puxei-o para deitar no meu colo. Ele tirou a boina, os sapatos e deitou a cabeça nas minhas pernas. _ Eu estou arrasado. Fiquei sabendo disso semana passada.

_Por que não me contou, Caio! Você não confia em mim...

_Não briga comigo. _ ele pediu.

_Tudo bem... _ passei a mão nos seus poucos cabelos. _Minha mãe está muito mal, toda a família está chocada com a notícia.

_Câncer onde? É benigno?

_É maligno. No seio direito.

_Nossa. Mas a medicina está muito avançada. A gente vê tantas pessoas se recuperando e dando a volta por cima.

_Eu sei. _ ele se encolheu e ficou ali indefeso, nos meus braços.

_Ela tem que procurar um tratamento rápido.

_Nós já buscamos informações. Aqui no Rio de Janeiro há o Hospital Mario Kröff, especializado nesse tipo de tratamento. Eles fazem tudo de graça. Nós estamos tentando trazê-la para cá...

Minha mãe que vinha do quarto do meu irmão, ouviu parte da conversa.

_Oi, meu filho. _ ela passou a mão na cabeça dele. _Você não está bem?

_Não muito, tia. _ ele falou e se sentou para apertar sua mão.

_Eu ouvi o que disse sobre sua mãe.

_É... Nós estamos sem ajuda das pessoas, meio desamparados.

_Mas você sabe que pode contar conosco! _ minha mãe sentou ao lado dele._ Escuta, eu vou conversar com o meu marido. Sua mãe pode ficar aqui em casa. Nós não temos toda infraestrutura, somos muito simples, mas se ela precisar operar aqui, nós daremos esse apoio que vocês precisam.

Olhei para minha mãe a amei por aquele gesto.

_Claro!_ concordei.

_Obrigada, tia. Mas já estamos dando trabalho demais comigo aqui...

_Caio, não é hora de cerimônias! Eu vou falar com meu marido sim. Agora, tenta descansar. _ ela sorriu. _Tome um banho, tira essa farda e deita um pouquinho lá no quarto da Bela. _aconselhou.

Assim ele fez e já de roupa limpa, ali, deitado no meu travesseiro, eu o abracei e ficamos quietos. Em silêncio.

_Eu estou ao seu lado para tudo, sabia?_ acariciei seu rosto._ Você pode contar comigo. Quero que confie mais em mim para contar suas coisas.

_Eu confio. Bela, você é minha vida... _ ele me beijou os lábios e fechou os olhos.

_Dorme um pouquinho. _ acariciei seu cabelo e fiquei ali vigiando seu sono.

Mal de cadete. Sorri. Sempre dormem. Tão lindo adormecido sobre o meu travesseiro, onde tantas noites sinto sua falta. E agora meu milico estava passando por essa barra.

Como será meu Deus? Ter sua mãe na minha casa?

Autora: Li



*Blog da Bela e da Débi

* Comunidade do livro no orkut!

O livro ganhou o troféu "The Best!" do mês, no site A Gazeta dos Blogueiros!

5 comentários:

aninha disse...

caramba Li!!!!!! bem que vc disse que vinha bomba por ai!!!! e agora... vamos aguardar....

meninas, capitulo novo no romance militar tão iguais e taõ diferentes

www.taoiguaisetaodiferentes.blogspot.com

fernanda disse...

nossa realmente jah estou chorando aki..e olha que n choro fácil.. mais tenho o msm problema q a bela sobre sogra e sogro e eu agiria da msm forma q ela esta agindo..oferencendo td p eles...
eh assim q tem q ser..estar do lado de de quem ama para o que der e vier....

to amando a história..bjs li..t+

Nathy disse...

Poxa, chorei tbm...

;~~~

Eu acho q será bom essa convivencia, pode fazer elas virarem amigas, afinal a mãe dele ta doente, vai q assim ela se torna uma pessoa menos fria, mais amiga e humana, né?!

Quem sabe... só a Li, sabe!
hauahuahaua!

Bjooos...

Anônimo disse...

A-há! Eu já vejo a oportunidade: a mãe dele, que não gosta da Bela, vai quebrar esse orgulho e conhecer a Bela e a fmaília dela. E, talvez, ela abra os olhos e comece a gostar da nora. É assim que Deus age nas nossas vidas. Quebra nosso orgulho e nos mostra a vida como ela é. \o/

Li, tá mto interessante a estória!
Estou ansiosa pelos próximos capítulos!!! rsss...
Bjo, meninas! \o/

Jéssi disse...

as dificuldades engrandecem o amor.... mais uma dificil fase q passaram juntos....
beijos meninas...