_Miga, você... _ caminhei até ela e a segurei delicadamente pelos ante-braços. _Você viu a... avó de Caio? _ perguntei, dizendo a primeira coisa que me veio a cabeça.
_Não... Era justamente isso que eu queria saber. Ela me deixou olhando a panela de pirão e saiu. Será que não está na sala?
_Não! Eu estou vindo de lá... _dissuadi-la da idéia de ir até a sala conferir.
_Então, deve estar lá fora, quem sabe foi catar a roupa do varal ou...
_Vamos pelos fundos da casa?_ pedi e Débi captou pelo meu olhar que eu não estava em meu estado natural.
_Bela, o que deu em você? Parece que não quer que eu passe.
_Eu?_ franzi a testa e não pude contê-la. Débi seguiu a passos firmes até o fim do corredor.
Virei-me para ver sua reação. Ela estancou e ficou imóvel. Eu já podia imaginar sua visão.
_Mas o que significa isso? _Ouvi a voz de Débi estrondar.
Corri para segurá-la. Ela iria sair de si, como eu bem a conhecia.
_Sua barata de igreja de última categoria! _ Débi voou em cima de Felícia e só com a minha ajuda e de Ribeiro conseguimos separar as duas engalfinhadas em cima do sofá.
_Que isso, garota? Ficou maluca? Quer rasgar o meu vestido? _ a prima de Caio ajeitou-se e dispensou a imobilização de Ribeiro.
_O seu vestido não. Eu quero cravar as minhas unhas no seu pescoço e ver verter sangue! _ Débi estava transformada em raiva, nunca vira seu rosto tão vermelho.
_Eu só estava rezando! _ ela explicou-se._ São seis horas, um momento sagrado...
_O único momento sagrado, o único ritual sagrado... _Débi apontou com suas unhas vermelhas na direção do rosto de Felícia. _ Vai ser eu te encher de porrada, garota. _ e agarrou os cabelos de Felícia.
_Parem vocês duas!_ a voz da avó de Caio soou por um dos cantos da sala.
Débi respeitou a ordem e Felícia fez o mesmo.
_Posso saber o que está acontecendo aqui?
_Desculpe, senhora, pela confusão em sua casa... Mas é que essa garota aí estava de mãos dadas com o meu namorado fazendo oraçõezinhas. E sabe o que eu vejo? Que ela quer roubar qualquer pessoa que esteja feliz. Ela desde que chegou não se enxerga e se oferece como uma uma mulherzinha vulgar e sem escrúpulos. Se ela não ficou com o Caio o problema é dela, agora não venha achar que pode atrapalhar o meu relacionamento.
_Se acalme, querida! _ a avó de Caio respirou fundo. _ Felícia, venha comigo. Nós temos que conversar...
As duas se retiraram e Caio apareceu pela porta da sala, vindo da varanda, com um ar de desentendido, pegando a confusão pelo fim.
_Caio, você pode me levar até a rodoviária? _ Débi olhou para ele convicta.
_Por quê?_ ele franziu a testa e olhou para mim em busca de uma explicação.
_Eu vou embora, me desculpe, mas essa viagem acabou para mim por aqui. _Débi pisou forte em direção ao quarto, provavelmente iria fazer suas coisas.
_Débi! _ Ribeiro a seguiu.
Tentei fazer o mesmo, mas foi a vez de Caio me segurar.
_Deixa que eles se resolvem. _pediu.
_Preciso dizer o que houve? Preciso dizer que nome estava metido nisso? _ coloquei as mãos na cintura.
_Que droga, hen? _ Caio também estava inconformado. _Não me olhe assim também. Não tenho culpa!
_Seu amigo tem merda na cabeça? _ perguntei. _ Eu peguei os dois rezando aqui na sala!
_Ele gosta muito disso, Bela. É a crença dele. A Débi não é assim...
_Não vem defender ele não! _ levantei as mãos no ar para que parasse.
No jantar, os pais de Caio sentiram falta dos nossos amigos. Felícia trocou um olhar com a avó de Caio.
_Eles foram dar uma volta na cidade. _ respondi.
_Hum... _ minha sogra continuou cortando seu peixe grelhado.
Fiquei apreensiva com o paradeiro de Débi, até que ouvi o barulho da porta do quarto se abrindo e um raio de luz entrando e iluminando meus olhos.
_Desculpe, te acordei? _ era ela.
_Como está? Fiquei preocupada, vocês saíram assim sem mais nem menos... _ sentei na cama e acendi a luz do abajur. Reparei que ela trouxera de volta sua mala e a deixara junto à cômoda.
_Nos resolvemos.
_Puxa, que bom!_ sorri e segurei a sua mão. _Não podemos deixar que nada, nem ninguém atrapalhe a nossa felicidade. Te admiro pela maneira com que luta pelo que é seu... _ elogiei-a.
_Nós demos uma volta na cidade e... _ ela deitou-se na cama e apoiou a cabeça com a mão.
_E? _ levantei as sobrancelhas.
_E ele pediu desculpas, falou que fez de bom coração, sem maldade...
_Débi, não é bem isso que você parece querer me contar... _ cortei-a.
_Nós decidimos ficar mais sozinhos. Afinal, não dá para ficar se agarrando nessa cidadezinha conservadora.
_E vocês foram para onde? _ perguntei, já supondo a resposta.
_Sabe aquela pequeno hotel, que fica ao lado da antiga locadora? Perto da cafeteria...
_Sei!
_Ele pagou uma diária para a gente poder entrar e ficarmos sozinhos.
_Ãnh? O Ribeiro fez isso? E não teve nenhuma crise existencial por isso?
_Ãnh-ãnh... Não nani não-não... _balançou a cabeça para os lados.
_Nossa, isso que eu chamo de surpresa. _arregalei os olhos.
_E aí, ele me beijou, me abraçou e não resistiu...
_Vocês?... Ahhhh! _contive o gritinho para não acordar a casa inteira.
Débi começou a rir baixinho.
_Foi meio desajeitado, mas divertido... _ ela rolou na cama e se abraçou ao travesseiro.
_Que amor louco o nosso. _ deitei minha cabeça no meu travesseiro também. _ Tenho medo de tudo acabar assim do nada... _ confessei. _ Nós teremos que enfrentar tantas coisas ainda.
_Eu também sinto isso. Mas quero viver cada dia. Senão vou me golpear com o machado do futuro sem necessidade...
_Tem razão..._ concordei.
Autora: Li
*Blog da Bela e da Débi
* Comunidade do livro no orkut!
O livro ganhou o troféu "The Best!" do mês, no site A Gazeta dos Blogueiros!
6 comentários:
Aiiiiiiiiii que fofo... esse ribeiro é bobao mas ele sabe concertar as coisas.... huahauhauhaua
parabens Li... ta um maximo...
beijos
que lindo...sabia q isso ia acontecer..era soh ela esperar o tempo dele...mais tb ning merece essa guria e esse guri boca aberta q n c toca...eu n ia fazer um barracão desse mais que ia acabar com a palhaçada eu ia..rs...
bjs meninas..entrem lah no meu blog...
afinal o conselho de vcs eh importante
A-D-O-R-E-I...
q liiindo!
aaii q amorrrrrrr \o/ \o/
finalmente neh!
uhsauhuusa
adorei a cena de histeria da Débi!!!!!!! amei demais!!!! quantas vezes eu nao tive vontade de voar no pescoço de uma...rsrs!!!!!
meninas, capitulo novo no romance militar tão iguais e taõ diferentes
www.taoiguaisetaodiferentes.blogspot.com
To adorando como sempre!!!
Bjuss Li
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