5 de jul de 2007

Cap 44: Cada um sabe do valor do que é seu

Eu estava a procurar por Caio, quando cheguei na sala da fazenda e vi mais uma vez Felícia e Ribeiro, ela com sua mão apoiada na dele. Pareciam em prece baixa murmurarem em uma língua própria. Meus ouvidos mais que de pressa captaram passos vindo pelo corredor a minha direita e o que temi era real: Débi vinha da cozinha e por alguns segundos presenciaria aquela cena. Era hora de eu ser mais que rápida para livrar minha amiga daquilo. Não tinha tempo de pensar em que maldade Felícia estava tramando, nem porque Ribeiro estava sendo tão fraco em cair em seus encantos. Minha única preocupação era Débi.

_Miga, você... _ caminhei até ela e a segurei delicadamente pelos ante-braços. _Você viu a... avó de Caio? _ perguntei, dizendo a primeira coisa que me veio a cabeça.

_Não... Era justamente isso que eu queria saber. Ela me deixou olhando a panela de pirão e saiu. Será que não está na sala?

_Não! Eu estou vindo de lá... _dissuadi-la da idéia de ir até a sala conferir.

_Então, deve estar lá fora, quem sabe foi catar a roupa do varal ou...

_Vamos pelos fundos da casa?_ pedi e Débi captou pelo meu olhar que eu não estava em meu estado natural.

_Bela, o que deu em você? Parece que não quer que eu passe.

_Eu?_ franzi a testa e não pude contê-la. Débi seguiu a passos firmes até o fim do corredor.

Virei-me para ver sua reação. Ela estancou e ficou imóvel. Eu já podia imaginar sua visão.

_Mas o que significa isso? _Ouvi a voz de Débi estrondar.

Corri para segurá-la. Ela iria sair de si, como eu bem a conhecia.

_Sua barata de igreja de última categoria! _ Débi voou em cima de Felícia e só com a minha ajuda e de Ribeiro conseguimos separar as duas engalfinhadas em cima do sofá.

_Que isso, garota? Ficou maluca? Quer rasgar o meu vestido? _ a prima de Caio ajeitou-se e dispensou a imobilização de Ribeiro.

_O seu vestido não. Eu quero cravar as minhas unhas no seu pescoço e ver verter sangue! _ Débi estava transformada em raiva, nunca vira seu rosto tão vermelho.

_Eu só estava rezando! _ ela explicou-se._ São seis horas, um momento sagrado...

_O único momento sagrado, o único ritual sagrado... _Débi apontou com suas unhas vermelhas na direção do rosto de Felícia. _ Vai ser eu te encher de porrada, garota. _ e agarrou os cabelos de Felícia.

_Parem vocês duas!_ a voz da avó de Caio soou por um dos cantos da sala.

Débi respeitou a ordem e Felícia fez o mesmo.

_Posso saber o que está acontecendo aqui?

_Desculpe, senhora, pela confusão em sua casa... Mas é que essa garota aí estava de mãos dadas com o meu namorado fazendo oraçõezinhas. E sabe o que eu vejo? Que ela quer roubar qualquer pessoa que esteja feliz. Ela desde que chegou não se enxerga e se oferece como uma uma mulherzinha vulgar e sem escrúpulos. Se ela não ficou com o Caio o problema é dela, agora não venha achar que pode atrapalhar o meu relacionamento.

_Se acalme, querida! _ a avó de Caio respirou fundo. _ Felícia, venha comigo. Nós temos que conversar...

As duas se retiraram e Caio apareceu pela porta da sala, vindo da varanda, com um ar de desentendido, pegando a confusão pelo fim.

_Caio, você pode me levar até a rodoviária? _ Débi olhou para ele convicta.
_Por quê?_ ele franziu a testa e olhou para mim em busca de uma explicação.
_Eu vou embora, me desculpe, mas essa viagem acabou para mim por aqui. _Débi pisou forte em direção ao quarto, provavelmente iria fazer suas coisas.
_Débi! _ Ribeiro a seguiu.
Tentei fazer o mesmo, mas foi a vez de Caio me segurar.
_Deixa que eles se resolvem. _pediu.
_Preciso dizer o que houve? Preciso dizer que nome estava metido nisso? _ coloquei as mãos na cintura.
_Que droga, hen? _ Caio também estava inconformado. _Não me olhe assim também. Não tenho culpa!
_Seu amigo tem merda na cabeça? _ perguntei. _ Eu peguei os dois rezando aqui na sala!
_Ele gosta muito disso, Bela. É a crença dele. A Débi não é assim...
_Não vem defender ele não! _ levantei as mãos no ar para que parasse.

No jantar, os pais de Caio sentiram falta dos nossos amigos. Felícia trocou um olhar com a avó de Caio.

_Eles foram dar uma volta na cidade. _ respondi.
_Hum... _ minha sogra continuou cortando seu peixe grelhado.

Fiquei apreensiva com o paradeiro de Débi, até que ouvi o barulho da porta do quarto se abrindo e um raio de luz entrando e iluminando meus olhos.

_Desculpe, te acordei? _ era ela.

_Como está? Fiquei preocupada, vocês saíram assim sem mais nem menos... _ sentei na cama e acendi a luz do abajur. Reparei que ela trouxera de volta sua mala e a deixara junto à cômoda.

_Nos resolvemos.

_Puxa, que bom!_ sorri e segurei a sua mão. _Não podemos deixar que nada, nem ninguém atrapalhe a nossa felicidade. Te admiro pela maneira com que luta pelo que é seu... _ elogiei-a.

_Nós demos uma volta na cidade e... _ ela deitou-se na cama e apoiou a cabeça com a mão.

_E? _ levantei as sobrancelhas.

_E ele pediu desculpas, falou que fez de bom coração, sem maldade...

_Débi, não é bem isso que você parece querer me contar... _ cortei-a.

_Nós decidimos ficar mais sozinhos. Afinal, não dá para ficar se agarrando nessa cidadezinha conservadora.

_E vocês foram para onde? _ perguntei, já supondo a resposta.

_Sabe aquela pequeno hotel, que fica ao lado da antiga locadora? Perto da cafeteria...

_Sei!

_Ele pagou uma diária para a gente poder entrar e ficarmos sozinhos.

_Ãnh? O Ribeiro fez isso? E não teve nenhuma crise existencial por isso?

_Ãnh-ãnh... Não nani não-não... _balançou a cabeça para os lados.

_Nossa, isso que eu chamo de surpresa. _arregalei os olhos.

_E aí, ele me beijou, me abraçou e não resistiu...

_Vocês?... Ahhhh! _contive o gritinho para não acordar a casa inteira.

Débi começou a rir baixinho.

_Foi meio desajeitado, mas divertido... _ ela rolou na cama e se abraçou ao travesseiro.

_Que amor louco o nosso. _ deitei minha cabeça no meu travesseiro também. _ Tenho medo de tudo acabar assim do nada... _ confessei. _ Nós teremos que enfrentar tantas coisas ainda.

_Eu também sinto isso. Mas quero viver cada dia. Senão vou me golpear com o machado do futuro sem necessidade...

_Tem razão..._ concordei.

Autora: Li



*Blog da Bela e da Débi

* Comunidade do livro no orkut!

O livro ganhou o troféu "The Best!" do mês, no site A Gazeta dos Blogueiros!

6 comentários:

Jéssi disse...

Aiiiiiiiiii que fofo... esse ribeiro é bobao mas ele sabe concertar as coisas.... huahauhauhaua
parabens Li... ta um maximo...
beijos

fernanda disse...

que lindo...sabia q isso ia acontecer..era soh ela esperar o tempo dele...mais tb ning merece essa guria e esse guri boca aberta q n c toca...eu n ia fazer um barracão desse mais que ia acabar com a palhaçada eu ia..rs...
bjs meninas..entrem lah no meu blog...
afinal o conselho de vcs eh importante

Nathy disse...

A-D-O-R-E-I...

q liiindo!

mell disse...

aaii q amorrrrrrr \o/ \o/
finalmente neh!
uhsauhuusa

aninha disse...

adorei a cena de histeria da Débi!!!!!!! amei demais!!!! quantas vezes eu nao tive vontade de voar no pescoço de uma...rsrs!!!!!

meninas, capitulo novo no romance militar tão iguais e taõ diferentes

www.taoiguaisetaodiferentes.blogspot.com

Quel disse...

To adorando como sempre!!!
Bjuss Li