1 de jul de 2007

Cap 42: Uma visitinha inesperada

O meu celular tocou e eu senti todo o meu corpo vibrar junto de felicidade. O nome no visor já me dizia quem era, ele, o próprio:
_Já cheguei, amor. _ Caio falou no outro lado da linha.
_Tá, pode subir. _corri pelo corredor, atravessei a sala e abri a porta com meu coração na garganta de tanta felicidade.
Quando o elevador se abriu, eu fiquei por alguns segundos parada, olhando-o sair imponente. A farda bege perfeitamente engomada, seus braços fortes e as mãos firmes segurando a mala.
_Caio... _ o abracei com força.
_Bela, minha vida._ beijou-me a boca.
_Nossa, que saudade tão grande de você!_ olhei seu rosto, segurando-o com minhas duas mãos.
_Eu não estou com bom hálito. _ riu tímido. _ Vim dormindo no ônibus._ comentou cansado e sem vergonha.
_Tudo bem. _sorri e puxei-o para entrar.
Depois de um banho e de uma roupa mais leve, lá estava ele na minha cozinha comendo o pão com ovo que eu preparara.
_Me conta tudo!Como foi sua semana? _ sentei ao seu lado e coloquei minha mão sobre sua perna.
_Foi boa, cansativa..._ comentou. _Onde estão seus pais?
_Foram fazer compras de mês. _respondi e me levantei para fazer uma massagem em seus ombros, beijei seu pescoço.
_A gente podia ver um filme, que acha?_ sugeriu.
_Vamos ver quantos você quiser... _ fiz carinho em seu cabelo espetado.
O interfone tocou.
_Ué, quem será? Meus pais não levaram a chave? _ me perguntei em voz alta.
O porteiro avisou-me que eu tinha visita.
_Quem? Minha tia Vanda? _ repeti para ver se acreditar.
_Isso mesmo, pode deixar subir?
_Claro..._ permiti com uma voz de desconsolação.
_Quem é, Bela? _Caio percebeu pela minha cara que eu não havia ficado feliz.
_Uma tia... Ela não avisou que vinha...
_Que que tem?
Caio não estava entendendo a dimensão da questão! Justo no dia em que ele chega para eu poder curtir cada minutinho sagrado, me aparece tia Vanda!Não! Isso é um presente de grego.
_Pensei que fosse me deixar aqui fora! _ ela resmungou levantando sua bengala, assim que eu abri a porta. _Está bem gordinha, hen, minha filha! Sua mãe está te alimentando muito bem!_ deu uma batidinha em minhas mãos e se arrastou até o sofá._ E você quem é?_ olhou Caio por cima dos seus minúsculos óculos de aro prateado.
_Eu? Sou o namorado da Bela. _ Caio se apresentou.
_Ela não me disse. _ olhou-o de cima a baixo por um bom tempo. Ele ficou tão sem graça que tirou uma das mãos do bolso, passou na nuca, me olhou em desespero.
_Ah! É que faz tempo que a senhora não vem aqui, não tive a chance de contar. _ sentei-me e Caio fez o mesmo.
_Seus pais, cadê? _ perguntou.
_Foram no mercado, mas já estão chegando por aí. A senhora quer uma água, um café?
De repente, me toquei que podia não ter café na garrafa. Seria um desastre se ela respondesse que queria, pois eu não sabia fazer um bom café. Isso renderia um assunto para palestra!
_Não, estou bem. E a faculdade, está gostando?
_Ah, sim, muito. Valeu a pena tanto esforço de ter estudado.
_Sua mãe me contou... _comentou vagamente. _E você, faz o quê?_ virou-se para Caio e pedi a Deus que fizesse minha mãe chegar o mais rápido possível, antes que meu namorado caísse nas garras da titia. Eu já me dera conta de que ele tinha atraído a atenção dela.
_Eu sou militar.
_Ah! Você é militar?... _ suspendeu as sobrancelhas e depois cerrou os olhos. _ Viu a matéria que saiu hoje no jornal?
_Ãnh? Eu... Eu não... _ Caio estava acurralado. Claro que não lera! Ele não tinha tempo para ler jornais, quem dirá o de hoje.
_Era um assunto polêmico, que bem te interessa, Bela.
_É?
Por que eu ainda perguntei?...
_Cadê o jornal? Eu sei que seu pai compra todo dia para ler o caderno de esportes.
_Ah! O jornal...? _ tentei disfarçar que não sabia, mas os olhos de águia da tia encontraram o jornal em cima da poltrona do meu pai.
_Pegue ali para mim, meu filho.
Eu não sabia se tinha mais curiosidade ou medo do que ela queria me mostrar. Folheou-o agilmente as páginas com suas mãos de dedos ossudos e longos, cobertos apenas por uma fina camada de pele pintada de pontinhos pretos.
_Olha que pouca vergonha... _passou-me a folha com a página 22 do caderno “Geral”, do jornal Extra.
O título já me revirou o estômago “Luana passa tropa em revista” e o subtítulo arranhou meu ego “Pára-quedistas são acusados de fazer orgia com uma mulher dentro de unidade de elite do Exército”.
Caio ainda me olhava esperando que eu lhe dissesse o que era. Mas eu me calei, procurando fazer uma leitura dinâmica. A matéria contava que no dia 25 de setembro de 2006 uma mulher entrou no quartel e fez uma orgia com quatro militares até a madrugada do dia 26. A reportagem contando os detalhes do caso era ilustrada por gravuras dignas de revista pornô antiga. No primeiro quadro um homem vestido de farda falava ao telefone com uma mulher vestida de camisola vermelha transparente com uma calcinha enfiada no útero e no segundo quadro um homem trazia a mulher no banco de trás da sua viatura trajando um micro short jeans. Para fechar a história, o último quadro com a mulher de braços abertos, sem blusa, só com uma micro calcinha e uma bunda enorme. Um homem de sunga correndo para agarrá-la e outros dois mais atrás tirando fotos.
_Deixa eu ver? _ Caio pediu.
Passei-lhe o jornal e tentei não parecer que tinha sido atingida.
_Desde que mundo é mundo a gente sabe que isso existe. Lá com Maria Madalena na época de Jesus já tinham as quarteleiras... _ minha tia juntou todos os militares e as prostitutas no mesmo balaio de gato.
_Bom, como também existe com os médicos, os engenheiros, os dentistas, os advogados ou quaisquer outros profissionais. Cabe cada um saber que tem que honrar seu nome. Eu confio no meu namorado e sei que ele é um homem digno. Não me importo com esse sensacionalismo de jornal popular. Quem me garante que tudo foi desse jeito?
_Ela briga por você com unhas e dentes, hen? _ tia Vanda falou para Caio.
_Ãnh?_ ele parou de ler a matéria e conteve o risinho no canto da boca, aposto que tinha gostado das gravuras da tal Luana PQD. Aiiiiiii, eu quis pular em seu pescoço. Mas não daria esse gostinho a ela.
_Você é o quê?
_Cadete ainda..._Caio não parava de olhar o jornal!
Eu ia tacar a almofada de onde eu estava e acertar na cabeça dele, se não parasse de ficar fantasiando aquelas cenas.
_Na minha época todas as mulheres queriam casar com um militar. Porque eles tinham um emprego garantido. Havia aquele status, de “mulher de militar”. Hoje, o mundo mudou muito... O dinheiro já não é mais o mesmo, as mulheres começaram a trabalhar...
Onde é que ela queria chegar?
_Você quer seguir que arma?_ minha tia entendia de todos os assuntos. Sobre o que ela não sabia falar? Leitora voraz, não duvido que na falta de bula de remédio ela apelaria para ler o “frio e quente” do chuveiro só para não ficar em abstinência de letras.
_Não sei ainda... _ Caio largou o jornal, quando viu minha cara mortal e uma tromba enorme de bico.
_E para onde quer ir, quando terminar?
_Não sei ainda...
_Não sabe de nada ainda. É melhor pensar, hen, para poder tirar ela da casa dos pais e colocar nas costas. _ minha tia tinha a capacidade de dar um golpe certeiro, sem precisar deixar a vítima nem agonizar.
_Ainda temos tempo para amadurecer isso._ tomei a palavra. _Betinhoooo._ gritei meu irmão.
Ele apareceu na porta do seu quarto e quando viu a tia deixou a boca ligeiramente se abrir.
_Vem cá para a titia te ver, vem?_ pedi, tentando salvar meu namorado.
Beto caminhou com passos pesados, parecendo ir para o abatedouro.
_Menino, como cresceu?! Ainda sem gostar de vestir cuecas?_ a tia deu uma bengalada na bunda do meu irmão.
Salvos pelo gongo. Meus pais chegaram cheios de sacolas e nós três corremos para ajudá-los e largamos a tia no sofá, fugindo de sua mira.
Falei para minha mãe que sairia e naquele dia vi dois filmes com Caio. Só chegamos bem tarde da noite prontos para dormir. Caio precisou voltar mais cedo no domingo e às 3 horas fui levá-lo ao ponto onde pegaria o ônibus para a rodoviária.
_Ontem você estava chegando e agora já tem que ir embora. _comentei, com minha cabeça em seu peito.
_Não gosto que fique triste, isso me faz mal. _ ele comentou.
_Não posso controlar._ sorri.
Um casal de mãos dadas passou por nós rindo. Desejei ser como eles, livre para ver meu Caio, quando quisesse, sem hora pré-determinada para acabar.
Eu pensei que daqui a alguns segundos aquele corpo quente que abraçava sumiria:
_O que eu menos gosto é fazer o caminho de volta sozinha. _ ao confessar isso minha voz embargou e meus olhos se encheram de lágrimas.
_Bela, não chora! _ me pediu com firmeza.
_Não vou... _ respirei profundamente e busquei o equilíbrio.
O ônibus apareceu na esquina e eu dei-lhe o último beijo. Pronto, lá estava eu sozinha, em pé, na rua vazia de domingo. Em casa, ainda me restaria o humor de tia Vanda, que esticara sua visita por mais um dia.
Caminhei de braços cruzados, sem pressa.
Fui para o meu quarto e me abracei ao meu travesseiro. Eu não estava só triste porque ele partira, havia também a felicidade de saber que estávamos juntos e bem. Confusa essa mistura. Pedi a Deus força para me manter firme, sem demonstrar que aquilo me abalava.

Autora: Li



*Blog da Bela e da Débi

* Comunidade do livro no orkut!

O livro ganhou o troféu "The Best!" do mês, no site A Gazeta dos Blogueiros!

7 comentários:

Nathy disse...

é... não é facil isso!!

Bjos!

feriele disse...

nossa ning merece essa tia ehm!!! kkkkkkkkkkkkk
po ning merece as despedidas... a geito eh lembrar dos reencontros..rs...
bjs meninas

Li disse...

verdade, fe, ninguém merece as despedidas. mas se pensarmos que depois os veremos de novo, melhora um pouquinho, né? rs. beijinhos, meninas.

Jéssi disse...

jhauhauhaa... essa tia é pra acaba.... mas ela gostou do cadete.... hauhauhuhuhaa....
despedida ... nem precisa falar nada.... mas eles sabem q levam nossos coraçoes com eles.....
parabens Li... ta lindo....
beijos

Quel disse...

Nossa, achei que so eu tinah uma tia assim!!!hehehe...IGUALZINHA a minah tia que me coloca nas situações mais inusitadas!!! hauahuaha
Putz, despedidas são pessimas mesmo!
Parabéns Li...cada vez eu gosto mais de entrar aqui para ler!!!
Beijoss

fernanda disse...

oi gente soh passei p dizer q agora tb tenho um blog..passe lah p me darem conselhos tb.;.rs.. bjs meninas...

ass: feriele

aninha disse...

hauauhauhauhauha!!!!!!!!! me acabei de rir imaginando essas cenas!!! hilárias de imaginar e desesperadoras de viver!!!!

meninas, amanhã eu atualizo o romance militar tão iguais e tão diferentes... to de férias em Glória de Dourados, interior de Mato Grosso do Sul, e na casa dos meus tios não tem internet... ai fica dificil de ficar indo na lan! bjks a todas!!!! amanhã to voltando para casa!!!!