11 de jun de 2007

Capítulo 28: De volta

Trilha sonora da cena (clique aqui)

_A gente ainda não pode acreditar nesse grande milagre! _minha mãe juntava aos mãos em sinal de oração e sorria em estado de graça. _ Você está bem mesmo, minha filha? _ ela era só cuidados.

_Estou sim. _ sorri e sentei no sofá de casa.

Era bom estar de volta. Eu ainda tinha muito o que fazer e realizar. O caminho precisava continuar.

_Vocês ligaram para o Caio para avisar? _ perguntei.

_É... Nós estávamos tão eufóricos que nem... _ minha mãe tentou disfarçar que não gostara nada que eu estivesse ainda pensando no Caio. Eu não tinha raiva dela, até a entendia. Ver sua filha naquele estado de loucura em que fiquei certa vez fora suficiente para deixá-la traumatizada.

_Betinho, meu querido, busca meu celular no quarto? _ pedi.

_Você vai ligar para ele? _ minha mãe se sobressaltou. _ Descansa mais, quer comer alguma coisa primeiro?

_Mãe, eu preciso ligar, tudo bem? _ beijei sua cabeça e fui para o meu quarto andando bem de vagar. Minha perna estava enfaixada por causa dos cortes.

_Não faça esforço, Belinha! _ ainda ouvi sua voz abafada vinda da sala.

Liguei para a casa da avó de Caio na fazenda e quem me atendeu fora um empregado. Pedi que ele levasse o telefone até sua patroa, pois era urgente.

_Ainda reconhece a minha voz? _ falei docemente, quando ela atendeu com um “alô”.

_Quem é?

_Eu vim dizer que ainda não cumpri minha missão.

_Bela?! _ senti sua voz se abafar, como se tivesse colocado a mão na boca de surpresa.

_Psiuu! Não deixe Caio ouvir. Quero fazer uma surpresa para ele.

_Você se recuperou tão rápido? Ninguém mandou notícias para a gente e...

_Tem muitas coisas que eu preciso conversar com a senhora...

_Eu imagino... _ ela parecia me entender. _... E vou ter todo o prazer de ouvir.

_Eu estou pensando em pegar um ônibus, descer na rodoviária ai da cidade. Tem como pedir para algum empregado me buscar de carro?

_Claro! Quando pretende vir?

_Amanhã de manhã. Umas nove horas estarei aí. Mas não conte para o Caio.

_Tudo bem, vou tentar, estou muito feliz de poder falar com você.

_Como ele está?

_Bem. Ficou meio chateado com uma briga que teve com a mãe por causa do fim do namoro, mas foi o melhor para ele. Acho que te ver será muito bom.

_Terá algum problema para a mãe dele eu ir até aí?

_Não, afinal, a fazenda ainda é minha!

_É verdade. Obrigada por acreditar sempre em mim...

_Bela, eu sabia que você tinha feito apenas um desvio no percurso, pois algum dia voltaria para aquela estrada.

_Sim, eu estou de volta.

Desliguei e senti uma grande alegria no meu coração. Procurei minha mochila e pedi ajuda ao meu irmão para que ele me auxiliasse e eu não ficasse me abaixando tanto.

_Você vai para onde?_ minha mãe assustou-se, quando apareceu no quarto.

Eu lhe informei sobre meus planos e ela não ficou nada contente:

_Para que se precipitar, você ainda está muito fraca!

_Eu estou ótima! _ fiz um carinho no seu rosto. _ Só preciso levar os curativos para fazer lá. É apenas duas horinhas de viagem, rapidinho.

_Minha filha! Não faça isso!

_Mãe, eu vou. _ falei com firmeza. _ Eu preciso.

Mesmo contra a vontade dos meus pais, peguei o ônibus de manhã e parti para a fazenda com a missão de encontrar meu grande amor. Mal conseguia relaxar ou dormir, elevado o grau de ansiedade!

Enrolei um fino lenço florido amarelo claro ao redor do pescoço para disfarçar o meu curativo. Estava de vestido branco comprido para cobrir os curativos da perna e o cabelo solto ligeiramente ondulado nas pontas, pois não me preocupei em escová-lo após lavar.

Tirei o tíquete da bolsa para entregar ao motorista e pegar minha bagagem, assim que cheguei na rodoviária. Ali em pé, sozinha, esperei que aparecesse o empregado da avó de Caio. Já era a hora que eu marcara, mas nada do homem.

Olhei para minha frente e vi um jipe se aproximando. E quem dirigia era Caio. Meu coração disparou. A notícia deve ter vazado. Ele desligou o carro, bateu a porta e sorriu para mim.

Sorri também e mordi meu lábio inferior. Ele estava lindo de botas bege, calça jeans azul claro e uma camisa cinza. Seus passos firmes em minha direção aumentavam o compasso do meu coração.

_Eu te amo muito. _ Caio segurou meu rosto com suas duas mãos.

_Eu também te amo. _ ri. _ Cuidado... _ fiz sinal para ele não me abraçar, pois eu estava muito machucada.

_Não vou ganhar nem um beijo de boas vindas?

_Um só? _ ele se aproximou e eu fechei os olhos, sentindo seus lábios quentes deslizarem entre os meus. Dedilhei sua nuca com carinho e puxei-o pela camisa para que se abaixasse mais um pouco para eu não fazer esforço com meu pescoço.

O seu cheiro, o toque da sua barba rala em meu queixo, o gosto, era uma sinergia explosiva que eu tinha que convergir em movimentos muito delicados.

_Não vamos nos deixar nunca mais? _ pedi assim que abri os olhos.

_Nunca mais, meu amor. _ ele roçou o seu nariz no meu._ Agora vamos para a fazenda que você precisa se cuidar...

_Carrega para mim? _ pedi e ele pegou a mala.

Andamos de mãos dadas até o carro. O sol daquela manhã era amarelo claro, muito quente, no alto do céu.

_Você agora dirige? _ perguntei me sentando ao seu lado.

_É... Muitas coisas aconteceram para mim..._ ele falou, ligando o carro.

_É uma pena que eu tenha perdido todo esse tempo.

_Mas temos o resto da vida para recuperar. _ ele sorriu e me beijou rapidamente. _ Como estou feliz. Não posso acreditar que você está aqui ao meu lado, tão linda como sempre! Eu ainda tenho sonhos eróticos com aquela maldita foto da loja lá do teu “ex”.

Eu dei uma gargalhada deliciosa. Que saudade das palhaçadas, de sua sinceridade e espontaneidade!

_Mentira! _ bati em seu braço levemente.

_Garota, você nunca me saiu da cabeça! Ou eu fico com você de vez, ou nada vai dar certo para mim!

_Então, a gente combina assim. _ pisquei o olho.

_Eu liguei para o hospital de manhã e me disseram que você tinha saído. Ai liguei para sua casa e sua mãe me contou que vinha. Minha avó não conseguiu mentir por muito tempo.

_Tudo bem. Eu pensei que iria te fazer uma surpresa e você me surpreendeu.

_Ficou feliz?

_Claro! Eu adorei você ter ficado comigo todos aqueles dias... Eu ouvi tudo...

_Ouviu?_ franzi a testa.

_Hum-hum...

_Isso não é incrível?_ perguntou-me.

_O quê?

_O mistério da vida?!

_É... _ e ele mal sabia o que era também o mistério da morte, tão bonito como a graça da vida. Apenas dois estados diferentes de existência, tão sublimes quanto.

Os pais de Caio me receberam com saudações de melhoras, mas senti que da parte de sua mãe era uma mera formalidade.

À tarde, subi para o sóton com Caio e sua avó. Precisava falar com eles sobre tudo que havia me acontecido desde o acidente. Eles não chamariam tudo aquilo de alucinação.

_Você o viu? _ a avó de Caio ficou emocionada, quando lhe falei da imagem do homem no quarto próximo a Caio.

_Vi e ele estava preocupado com o neto. _ apertei a mão de Caio.

_Quer dizer que você se via fora do seu corpo? _ Caio estava bastante surpreso. _ Como pode isso, vó?

_Eu também vim aqui em busca dessa resposta._ confessei.

_Por incrível que pareça, Bela, muitos médicos e cientistas já pararam para estudar algumas estranhos comportamentos de seus pacientes. Um grande médico que pesquisou isso foi o DR. Melvin Morse. Eu tenho aqui o livro dele, se quiser ler depois. Se chama “Closer to the Light”, que quer dizer mais próximo da luz. Enquanto Dr. Morse trabalhava em um hospital da cidadezinha de Pocatelo, no estado de Idaho, EUA, ele viu vários casos de pacientes que tiveram seus órgãos vitais parados e depois voltaram a funcionar. Essas pessoas relatam como foi estar do outro lado. Muitas narram a mesma experiência que você teve, Bela. No livro, por exemplo, ele conta o caso da menina Catarina de 9 anos, que se afogou numa piscina pública. A menininha disse que durante o tempo em que esteve morta, encontrou-se com uma adorável "senhora" chamada Elizabeth, que devia ser seu Anjo da Guarda. Elizabeth sabia que Catarina ainda não estava pronta para passar para a vida espiritual e permitiu que ela retornasse ao seu corpo. Só que as pessoas que passam por essa experiência acabam não contando para os outros, com medo de serem tidas como loucas.

_A ciência não gosta de se aproximar a nada que mexa com o que não se pode provar... _ Caio comentou.

_As revistas científicas e os livros evitavam de tratar do tema. Mas uma grande revolução no sentido de se esclarecer o que acontece depois de morrer foi feita por um outro médico. O livro é traduzido em português e é famoso mundialmente. _ A avó de Caio caminhou até a estante e puxou um livro de capa azul clara e me entregou._ O Dr. Raymond Moody publicou esse livro "Vida após vida" em 1975. Ele coletou entrevistas de pessoas de várias cidades diferentes. É belíssimo e emocionante ver como as sensações e emoções são muito semelhantes entre os pacientes. A luz, os túneis, a visão de parentes, a grande paz que se sente. É algo totalmente diferente da visão de morte que algumas religiões passam de que a morte é um lugar cheio de grama onde criancinhas ficam correndo ou uma fogueira cheia de demônios. Algumas pessoas conseguem passar por vários estágios e outras voltam a vida sem nem ao menos lembrar de nada que viram por “lá”. Os médicos alegavam que era pura alucinação. Mas como explicar, então, o fato das pessoas lembrarem da conversa dos médicos, quando o coração delas pararam?

_É incrível mesmo... _ eu estava feliz de saber que aquela experiência não havia sido só comigo. _ Eu gostaria de contar para meus pais, mas eles vão ficar muito neuróticos com isso...

_Minha mãe, então, teria um troço só em ouvir esses assuntos. _ Caio comentou.

_Para algumas pessoas, meus amores, é difícil ver outras possibilidades. Elas se agarram as suas crenças e fecham suas mentes como se colocassem aquelas vendas de cavalo. O conhecimento é uma dádiva divina. Mas aqueles que estão muito centrados só no que certos líderes religiosos pregam esquecem a própria liberdade de pensar e de crer. É muito triste. Tem gente que deixa de namorar, porque o namorado não pensa igual... _ a avó de Caio devia estar se referindo a ex-namorada de Caio, que não gostava de suas manias de ler sobre tudo e ser muito curioso. _ Tem gente que deixa de ler um livro, por exemplo, se este fala de qualquer tema que sua religião não permite falar. Há pessoas que param de conviver com amigos que pensam diferente. São pessoas muito limitadas e que infelizmente sofrerão muitíssimo em suas passagens, pois elas não estão preparadas para isso.

_Eu tenho pena do como essas pessoas deixam de viver a vida com mais naturalidade. _ Caio comentou e seu olhar e voz estavam tristes. _ Elas enxergam o sexo como algo das trevas, tudo é maligno, tudo leva para o mal. Assistir novela é ruim, ouvir música que não seja religiosa é ruim, vestir uma roupa tal é ruim. Elas entram dentro de uma lata e ficam à mercê dessas leis morais... Eu não consigo ser assim!
_Meu querido, os dedos das nossas mãos não são iguais... Você precisa ser paciente e tolerar as diferenças. Mas olhe pelo lado bom, você tem uma namorada que pensa como você... _ ela sorriu.

“Namorada?”, de repente me dei conta de que não tínhamos voltado oficialmente.
_Somos namorados? _ sorri.
_Shiiii... Acho que interrompi um momento simbólico sagrado! _ a avó de Caio fez uma voz dramática. _ Eu vou preparar um lanche lá embaixo e vocês fiquem aí resolvendo essa cerimônia.
_Tá. _ ri. _Posso ficar com o livro para ler?_pedi.
_Claro, minha querida._ela falou, já descendo as escadas.
_É bom do outro lado mesmo? _Caio me perguntou.
_Sim, é maravilhoso. Só é difícil quando a gente vê as pessoas que a gente gosta sofrendo. Não sei como explicar, nada que eu diga com palavras humanas poderão me fazer compreender.
_Eu já tive muito medo de morrer. Sabe aquelas coisas “se você fizer mal-criação não vai pro céu?”
_Sei._ ri.
_A gente ainda está muito ligado aos bens materiais, a matéria física, ao corpo. E agora tudo perde um pouco esse valor. Por que as pessoas fazem mil cirurgias, dietas de campo de concentração, se sacrificam tanto? Se esse o corpo é temporário?
_Mas o seu é bem delicioso, sabia? _ ele falou no meu ouvido, chupando o lóbulo da minha orelha e me arrepiando os braços.
_Ah! É?_ ri. _Você está taradinho como sempre foi, hen? _ beijei seus lábios e dei-lhe uma leve mordidinha. _E o pedido oficial?
_O pedido oficial. _ ele deu uma tossidinha. _Bela, quer me namorar de novo?


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Quer saber mais sobre a experiência de Bela? Leia aqui

9 comentários:

Nathy disse...

A palavra exata pra esse capitulo:

PERFEITO.

apenas isso!

Bjoos!

feriele disse...

Que bom q eles voltaram...nossa ainda tem muito oq acontecer...afinal ele está indo p o primeiro ano neh..ainda tem muita coisa p acontecer neh..rs...
bjs li..muito legal msm...

Quel disse...

LINDO!!!
CHorei chorei e chorei!!!
Tava na torcida aki...

mell disse...

assim como a kell..
choei, chorei, choreii e chorei²
tudo taum maravilhoso!
to mtoooo feliz por eles terem voltado \o/ \o/
acho q fui a q mais torci para q isso acontecesse!
hsuasuhsuhsuh

lindoooooooo li, perfeito, maravilhoso (L)

Lucy disse...

*suspiro* finalmente, graças a Deus... daqui pra frente é lucro! (rsss) [tb chorei...] =)

li disse...

hahahaha daqui p frente é lucro é ótimo hahahah
que lindo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
beijão!!!!

Ana Paula disse...

nossa... sensacional Li!!! eu sou espiritualista e ver tudo que relatou aqui foi demais!!! adorei!!

Meninas, visitem o romance tão iguais e tão diferentes! um amor militar na maturidade!

www.taoiguaisetaodiferentes.blogspot.com

titta_* disse...

aaahhhhhhhhhh..só pra variar..chorei! =P
..tão lindo esses dois!!!


concordo com a nathy...PERFEITO!!! e tem como discordar?!

bjo,Li!
=*************

Jana disse...

oi Eliane,

O livro está excelente. Muito bom mesmo. Tenho que trabalhar, mas não to conseguindo deixar o livro :-p
bj