3 de jun de 2007

Capítulo 20: Em busca de um cais

Trilha sonora da cena


_Meu Deus! _ Débi parecia estar vendo um letreiro com meu nome em algum teatro da Broadway. _ Caramba! _ ela deu uns pulinhos e agarrou o meu braço. Eu continuei olhando para o alto também, vendo os funcionários da loja terminarem de pendurar o enorme painel com minha foto e o logo da empresa.

_Ficou legal, né? _ eu ri.
_Já estou até vendo os seus fãs por aí... _ Débi adorava viajar na maionese, tinha que pegá-la pela mão, porque se deixar sai voando.
_Débi, eu não sou nenhuma top model, foi só um bico... _ encolhi os ombros.
_Por falar nisso, lá vem um dos seus fãs... _ ela olhou em direção a Gustavo, que saia da loja para falar conosco. _Acho que tem alguém que não está conseguindo ser tão profissional assim..._ ela disse baixinho, vendo que ele já estava quase na nossa frente.
_E aí? _ ele olhou também para o grande painel, como se já não tivesse visto muitas vezes a foto que escolhemos juntos em sua casa.
_Bom, então, agora eu vou lá... _ Débi se despediu, precisava fazer algumas coisas e também me deixar ali sozinha totalmente sem graça, estava escrito na sua testa que queria armar uma situação para eu me aproximar de Gustavo. Ela não tomava jeito.
_Obrigada por me apresentar o achado. _Gustavo brincou, se referindo ao dia em que nos conhecemos no shopping._ deu dois beijinhos em Débi.
Ele e eu nos olhamos por um tempo, sem ter muito o que dizer. Eu ri, porque eu não consigo segurar, quando estou constrangida, começo a rir, ou falar sem parar um monte de abobrinhas.
_Minha mãe gostou muito de você. _ ele quebrou o silencio. Sua mãe era uma pessoa muito inteligente, bonita e de forte personalidade. Conversamos um pouco nestes últimos dias, em busca de ajustar todos os detalhes das propagandas.
_Ela é uma grande mulher. _ elogiei._Então, eu vou pegar meu ônibus... _ suspirei.
_Posso te deixar em casa...
_Não precisa...
_Não foi uma oferta, foi um pedido. _ ele sorriu e eu mais uma vez fiquei sem saber onde enfiar minha cara, será que eu estava muito vermelha?
_Você tem um monte de coisas para fazer e...
_Tenho? _ ele franziu a testa e tirou do bolso a chave, que direcionou para o carro atrás de mim, destravando a porta que fez um pequeno barulhinho mecânico. _ É, eu tenho que te levar em casa exatamente agora... _ olhou o relógio, fingindo seriedade.
_Obrigada. _ aceitei e entrei no carro.
Gustavo ligou o som e perguntou que música eu gostava. Eu disse que todas, não tinha nenhuma preferência.
_Eclética, essa garota. _ ele zoou e deixou tocar o CD que estava no próprio aparelho. Era uma música animada.
_O que você vai fazer essa noite?

_Fazer o dever de física. Mecânica. _ falei fazendo uma careta e ele adorou e devolveu com uma
risada.

_Eu sinceramente ia ficar fa-ci-na-do em te acompanhar... _ ironizou teatralizando. _... Mas e se você fizesse um pouquinho antes seu deverzinho de casa e me acompanhasse em um coquetel?

_Eu? _ franzi a testa fazendo na velocidade da luz praticamente a combinação na minha cabeça da seguinte matemática: mãe + vestido + tempo + Gustavo + cabelo. _ Assim, em cima da hora?

_É. Eu tenho que ir a um coquetel de uma empresa que vende calcinhas e que está abrindo a coleção... _ falou enfadonhamente. _ ... Tenho dois convites e minha mãe quer porque quer que eu vá...

_Hum, programa de índio e você quer me levar...?
_Bom, mas você estaria comigo. _ ele piscou o olho.
Será que ele achava que eu estava sendo fácil, ou dando mole, ou coisa assim, ou, meu Deus, ou...
_Bela? _ ele chamou, me tirando do meu momento neurose.
_Oi...
_Tudo bem? Você ficou calada de repente.
_Como seria o coquetel? Como eu teria que ir?
_De calcinha, claro. _ falou.
_Tô falando sério, Gustavo! _ bati no seu braço com a mão, estávamos em um sinal.
_Já que é à noite, poderia ir de longo. Vai ser uma coisa bem bacana.
_Sabe que eu preciso pedir a minha mãe, né? _ lembrei-o que eu ainda tinha regras a seguir.
_Tudo bem, quer que eu ajude?
_Não! _ pedi.
_Calma, ela não ia gostar da minha cara?
_Não, não é isso... Só deixa que EU falo. _ preferi.
_Certo. _ ele parou na frente da minha casa. _ Me liga até às sete, pode ser? Ai, às sete e meia eu passo aqui.
_Mas assim, tudo tão rápido? _ aquilo me deixava assustada, eu gostava das coisas com calma, seguindo o fôlego da minha agenda de capa rosa.
_É. _ ele sorriu.
_Tá. _ eu não tinha escolha.
Minha mãe, pasmem outra vez, deixou. Ela permitiu eu ser garota propaganda e agora deixava eu sair com o fotógrafo? Acho que ela estava gostando do fato de não me ver anêmica, em cima da cama, me debulhando em lágrimas.
Abri o guarda-roupa e olhei o vestido amarelo que havia comprado para ir ao baile de formatura de Caio. Antes mesmo de chegar perto da data da festa, eu o arrematara em uma liquidação. A sandália dourada eu já tinha do casamento de uma colega de minha mãe.
Peguei-o e coloquei com cabide e tudo na frente do meu corpo. Admirei-me no espelho.
Só tinha essa opção. Ele era liso, com um corte nas costas. Algumas fitas amarelas o amarravam no dorso e duas faixas douradas envolviam ao redor dos braços e se cruzavam atrás do pescoço.
Quando desci do prédio e cheguei na rua, não vi o carro de Gustavo. Ele havia me dito que já estava chegando. Liguei para seu celular de volta.
_Alô? Cadê você?
_Calma, mocinha, que eu já estou chegando. _ ele riu e vi seu carro parando na frente do portão.
Guardei o telefone e desci os três degraus que nos separavam. Ele saiu do carro, deu a volta e me olhou como se me visse no mais lindo retrato que tivesse tirado:
_Era você a menina que tinha que fazer o dever de física? _ ele perguntou, pegando na minha mão para beijá-la, em um cortejo de praxe.
_Ih! Esqueci o dever... _ fiz uma cara de preocupação. _ Brincadeira, deu tempo... _ sorri.
Ele olhou-me ainda por mais um momento. Estava vestindo um terno sem gravata e com a blusa branca aberta um botão.
O evento realmente não seria divertido, se não fosse a presença dele me apresentando conhecidos, falando bobeiras no meu ouvido. Em um dado momento, nos afastamos um pouco das pessoas e procuramos um local mais quieto para conversar.
_Que bom que você está aqui... _ ele falou, sem preocupação em ser discreto.
_Eu também estou gostando de tudo isso... _ devolvi a mesma sinceridade. _Tudo tão rápido.
_Tudo?
_É, “ontem” eu te conheci no shopping, hoje, eu estou “aqui”. _ me referi ao evento e nós dois “pagando de casalzinho”.
_E seria muito rápido se... _ ele chegou mais próximo e afastou meu cabelo do ombro. _... Eu te beijasse?
_..._ não respondi nada. Não sei o que deu em mim, mas eu não queria beijá-lo. Ainda não.
_...Vamos dançar? _ ele perguntou, percebendo que no meu silêncio morava a resposta da sua pergunta.
_Claro. _ sorri.
Quando Gustavo me deixou em casa eu tive um relâmpago de pensamentos. Sei lá, talvez eu devesse racionalizar menos, viver mais. Dei-lhe, então, de bom agrado o que havia negado no salão, antes de sair do carro. Um beijo quente, longo e gostoso.
Entrei em casa e depois de um bom banho, ainda sobrou energia para ligar o computador e entrar no meu blog. Aquilo estava virando vício!
Eu havia perguntado o que as pessoas achavam de eu ligar para Caio e o voto da maioria era para que o fizesse. Mas depois de tudo que tinha acontecido com Gustavo, hoje, eu ainda assim deveria remexer no passado com Caio?
_”Vc não deve deixar q um problema tire a oportunidade de celebrar. Vocês teêm um passado em comum, um passado mto lindo pelo visto... acho q vocês dois merecem a felicidade (vc, de ouvir a voz dele e ele, de receber os seus sinceros parabéns). Não sei pq acabou mas acredito que deixar o tempo passar é o melhor para acalmar os ânimos, colocar as idéias no lugar (refletir) e então fazer as escolhas...”_ aconselhou-me Ariel.
De fato, houve um passado entre nós e eu não poderia apagar. Não sabem, nem calculam, a dor que é não estar com ele na festa. Tudo fora programado dentro da minha cabeça e simplesmente não vai acontecer. A gente fica ali, suportando a distância e mentalizando o mantra “um dia eu vou estar naquela festa, comemorando o fim da batalha”. Mas nosso fim chegara antes disso.
Não posso ficar triste, pois muitas coisas podem ainda acontecer com o Gustavo, depois de nosso beijo. Eu vou deixar o mar da vida me levar para algum cais seguro, não sei bem onde.


Nota1:Blog da Bela



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12 comentários:

Li disse...

Meninas, eu demorei um pouquinho para escrever essa página do livro, porque um certo alguém precisou de um carinho exclusivo e eu esqueci do mundo....

Alguém aí sabe como é né? :P rs

Um beijo no coração de todas, lindas!

Obrigada a todas que estão mandando sugestão de trilha sonora!

Nathy disse...

Ahhhh sua cachorra, nem falo nada pra vc!! Me deixa na inveja...
Só pq eu sei como estavamos no sentindo, eu te perdoo! hauaiahaha!

Li, adorei o cap. de hj, tem umas coisinhas ai q me lembram uns fatos, haha... vc sabe!

Bjos...
te adoro!!

Nathy disse...

Ahhh Li, eu queria saber q musica é essa q o Gustavo falou no cap. passado...

fiquei na curiosidade ainda!

Bjoos!

ana paula disse...

oi amiga!!!! adorei o capítulo!!! ah, sei lá... to torcendo pelo Gustavo... ele ta todo todo pro lado da Bela!!!! bjus

mell disse...

nossa... ela usou o vestido q comprou pensando em caio, na formatura do caio.
admiro ela, naum sei se teria essa coragem tda!
hehehhe
tipow.. hj to meio melancolica, chorei mto lendo o blog da belinha!
naum quero q ela fique mais com gustavo :/
quero q ela volte com o caio!
dah jeito nisso li. rÃ...
ele deve vir de ferias agora, antes de ir pra aman!
ia ser taum lindo, pensa com carinho nisso!
suhauhhuashuashusa

(L)

Li disse...

mell isso que eu chamo de colocar a carroça na frente dos dois cavalinhos, ou seria dos bois?! sei lá do ditado hahahah

Então, fica tranquila porque muitas águas vão rolar e vocês se surpreenderão com as coisas mirabolantes que vão ocorrer. aguardem!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

e ah, a música que o gustavo pensou era a própria trilha sonora do capítulo, nath só é vc escutar e clicar em cima... rsrsr

"Te levo para escola e encho a tua bola com todo meu amor..." rs

Beijuuuuuuuuuus lindonas!!!

Li disse...

ah, nathy, brigada pelo "cachorra" hahahaha adoreiiiii hahah sabe que qnd eu tb fico p eu chamo certo alguém de "cachorro vc..." e nós morremos de rir juntos. hahahah

agora meu novo apelido é biscoito mais mais ( do trakinas ) hahah. ah não to tão bolinha assim! são os casacos de lã!

Luma disse...

Hummmmm será gente?
Por que qdo a gente resolve esquecer uma pessoa com outra ihhh dá mtu certoo isso não rs***

Nathy disse...

É Luma, realmente não dá certo não, experiencia propria nossa, neh, ahahaha!

E sobre ela usar o vestido eu até hj não tive coragem de usar o meu!!

E trakininhas, olha, eu tbm quero o Caio com a Belinha, POR FAVOR eihn, hahaha!

Amo vcs!

Bjos!

Li disse...

ah! tá, to anotando os pedidos, alguém quer mais uma coisa, coca com gelo, bolinhos? rsrsrsrsrrs beijussssssssssssssss lindonas da Li

Suzy disse...

Eu também quero que eles voltem!
To com ciume da Bela...
Mas também sei lá o que o Caio deve estar aprontando.
Ainda não deve ser a hora deles voltarem,né?!hahahaha
agora é a vez do Caio aprender a dar valor para ela.

;***

Anônimo disse...

como eu falei pra Li no e-mail... é interessante praticamente conseguir ver tudo o q vai acontecer... tipo, as dores q ela vai sentir, as idéias q vão passar pela cabeça... e saber q mtas coisas vão causar sofrimento (quase) inútil ("quase" pq vai ser bom pra ela aprender as lições da vida e entender os próprios sentimentos).

Eu não tenho pena de nenhum dos dois porque cada um tem o que merece e as suas experiências é que vão ajudá-los no futuro. Não leiam com um tom de ruindade, eu tenho solidariedade pela dor q ela sente e vai sentir, mas eu sei q isso vai torná-la mais forte e madura pra entender a si mesma e ao Caio. Eles não estão prontos para ficarem juntos ainda... não do jeito que eles estão. Paritcularmente, eu acho q ninguém "aprende" a conviver se afastando, nem "aprende" a viver em determinadas circunstâncias se abstendo de vivê-las. Pra mim, tem que estar ali, vivendo, aprendendo, caindo, perdoando, relevando, pedindo perdão, enfim, vivendo pra saber como é. Como lições de casa que se faz várias para se fixar a matéria. Foi assim que eu aprendi.

No mais... eu quero que ela fique com aquele que valer a pena ficar. Não se conhece o coração de ninguém (tlz nem a Li conheça, já que o spersonagens acabam criando vida própria e conduzindo a estória), então, sabe lá o que será desses corações no futuro. Bem, vamos sperar pra ver.