16 de jun de 2007

Cap 32: Amor de mãe

Trilha sonora da cena (clique aqui)


_Senhora Solange?_ eu ainda estava surpresa com a visita, desde que o porteiro avisara quem estaria subindo. Não entendia o que a mãe de Débi estaria querendo comigo naquele horário, que deveria estar trabalhando. _Pode entrar, por favor... _ fiz sinal para que se sentisse à vontade e sentasse.
_Você está sozinha? Estou te incomodando?
_Não! Que isso... Estava na Internet mesmo e meus pais sairam.
_Ah! Sim..._ ela ficou apertando sua bolsa entre os dedos e me olhando, receosa de falar.
_Aconteceu alguma coisa com a Débi?_ franzi a testa, aquilo estava me assustando.
_É sobre ela que vim falar... Mais precisamente sobre ela e esse novo namorado dela.
“Esse novo namorado dela”, essa não (!), será que ela não gostara do rapaz?
_Por quê? Em que posso ajudar?
_Sabe, querida, meu marido e eu estamos muito preocupados! A Débi está muito diferente..._ Solange ajeitou uns cachos de cabelo que lhe caia nos olhos e suas pulseiras titilaram._ Você conhece bem a minha filha, ela adora sair, ir para festas, boates. Mas agora ela deu para ficar em casa! Eu não quero vê-la perder sua juventude enfurnada no quarto no orkut o dia todo e se entupindo de biscoito.
_Sei como é... _ sorri, mas procurei não interromper, senti que ela precisava desabafar.
_Nós até conhecemos o rapaz, ela é muito bonito, educado, mas ela podia ter escolhido alguém a altura dela. Um homem de verdade, não um... Moleque!
_Quando a senhora conheceu o seu marido, a senhor o escolheu? Olhou para ele e pensou: quero esse porque é funcional, rico, limpo e moral?
_Não...
_Não, né? Porque não foi você que o escolheu, mas o seu coração e o coração tem razões que a própria razão desconhece._ falei-lhe.
_Ah! Minha filha, vocês duas são tão jovens, ingênuas, têm tanto o que aprender com a vida e não queria que minha menina sofresse com cabeçadas que eu dei.
_Tenho certeza que sua mãe também não queria, na sua época. Mas ela precisou permitir que você sofresse por sim mesma para aprender a criar sozinha as suas defesas e assim se tornasse a mulher que é hoje, pronta para suportar os problemas da vida, uma vez que já teve a sua época de “criar os anti-corpos”.
_Eu estou vindo aqui, Bela, porque eu queria pelo menos que conversasse com a minha filha, saísse mais com ela, já que eu não tenho como impedir esse namoro, ao menos eu quero que ela suporte tudo isso com o apoio de alguém... Porque eu não quero que ela termine como...
_Como eu?_ conclui a frase para ela.
_... Não se magoe com isso. Mas vi toda a dificuldade que sua mãe passou.
_Dona Solange..._ falei com voz paciente e com piedade daquela mulher perdida em tantas dúvidas._ ... Os dedos das nossas mãos não são iguais. _ lembrei da frase da avó de Caio._ A sua filha tem com ela os próprios limites de resistência e a relação dela com o Ribeiro serão muito típica deles, cada casal tem os seus problemas. Nem todo mundo sofre assim como a senhora está pensando por namorar um militar.
_Mas você não acha sofrer ver minha filha ir três, quatro vezes no orelhão para ela poder ligar para ele e voltar frustrada? Lá em casa a gente não deixa ela fazer interurbano exatamente para tentar controlar isso. Mas vou ter que ceder, porque assim ta pior...
_Dona Solange, Dona Solange... _ interrompi-a._ Me ouça... _pedi._ Não será sempre assim, te prometo isso. É que ... Deixa eu explicar. _ tomei fôlego e procurei uma melhor posição. _ Vou te contar um pouquinho a lógica da coisa, para a senhora entrar mais a fundo na questão. No primeiro ano eles começam com uma semana de adaptação, como estão superocupados e cansados, não dá para falar com a gente. É um pouco estressante, mas vai passar, vai ver. E nós namoradas ficamos muito ansiosas, preocupadas, é impossível relaxar por completo.
_Para que isso tudo?
_Dona Solange... _ procurei as palavras. _ Lá é uma escola de líderes e nem todas as pessoas estão preparadas para liderar pelo simples fato de quererem liderar. Algumas privações são importantes para descobrir que é mesmo capaz de superar os próprios limites. Assim, com o tempo, vão se formar os guerreiros. Eu não disse vão se fazer os guerreiros, porque não se faz ninguém, ela nasce. Mas precisa lapidar, instruir. Sua filha não está com um drogado... _ comecei a enumerar. _ ... não está com um vagabundo, não está com um cara sem perspectivas. Ele agora nesse minuto esta lutando pela carreira, por um objetivo, não é isso que a senhora queria para um namorado de sua filha?
_É..._ concordou. _ Mas não queria que por outro lado fosse tão difícil.
_Sempre tem um outro lado. Se a senhora olhar bem vai ver que no namoro da filha de todas as suas amigas também tem um outro lado que talvez as mães escondam para parecer que as suas “filhinhas” fizeram a melhor escolha.
_Nossa... _ ela arregalou os olhos. _Nunca vi esse seu lado tão madura. Uau!_ tomou fôlego.
_Pois é, eu aprendi muito... _ sorri timidamente._ E tenho muiiiito a aprender também e sei que esses quatro anos vão ensinar a mim e a sua filha. Pode deixar, que eu vou falar com ela. Confie em mim.
_Eu irei. Afinal, que escolha eu tenho?_ abri as mãos no ar e encolheu os ombros._ Só queria que não comentasse nada com ela... Você entende que só quero o melhor para a minha, Débi, não é mesmo?
_Sim, claro! Entendo. Minha mãe já fez isso também por mim um dia._ disse-lhe.
Eu tinha agora um compromisso com Dona Solange de não deixar que sua filha trilhasse perdida pelo mesmo caminho que eu de jeito nenhum. Pedi que a minha amiga viesse me visitar e nem precisou muito para ela tocar no assunto do seu namoro. Eu estava sentada no computador e ela no chão do meu quarto escolhendo um Cd de música para ouvir.
_Poxa, eu sou tão tapada. _ comentei. _ Quando fiz meu blog novo, não desabilitei esse recurso aqui que só deixa os usuários cadastrados comentarem. Que burra eu sou. Tadinha das meninas, será que elas tentaram comentar e não conseguiram? Logo vi que tinham poucos comentários... _ fiquei falando com o computador.
_Quem são essas pessoas que você conheceu?_ ela perguntou.
_São namoradas de militares também que moram por todo o Brasil. Elas entram no meu blog e comentam, dividem as experiências delas comigo. Estou até recebendo vários e-mails... Bem legal...
_Hum... Às vezes, dá a sensação de que é só comigo, que só eu estou me sentindo sozinha...
_Não é não, Débi! Já pensou em dividir o blog comigo? A gente podia postar e assim você vai conhecê-las também.
_É? Mas eu não escrevo bem..._ ela comentou.
_Foi o que eu disse antes de criar o meu... Só que não tem essa... Vai ser maneiro.
_Tudo bem, posso tentar... Eu preciso ocupar minha cabeça... _ ela encostou-se na parede. _Não estou me reconhecendo, nunca fiquei assim por nenhum outro cara!
_Ele te fisgou mesmo. _ ri.
_Eu já sou um peixe mais que fisgado, dentro do cesto!_ ela riu também.

Nota1:Blog da Bela

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6 comentários:

Lucy disse...

que lindo *emocionada demais* elas vão se ajudar bastante!!! q bom! q bom! q bom!!! \o/

bjão, Li!!!

P.S.: pra corrigir o negrito... "_Tenho certeza que sua mãe também não queria, na sua época. Mas ela precisou permitir que você sofresse por sim mesma para..."

"_Eu irei. Afinal, que escolha eu tenho?_ abriu as mãos no..."

feriele disse...

minha mãe qnd comecei a namorar tb entrou na meior neuroze...mais ele teve escolha? claro q n neh!!! coração de filho n tem dono..kkkk
bjs meninas

lumaaa disse...

Nossa tb adorei por que assim as duas poderam se ajudar não é mesmo... sempre muito amigas... :)
beijão Li

Aninha Feliz disse...

oi Li!!! essa sua história anda mexendo comigo!!!!! ta muito lindaaaa!!!!! namorar um militar não é fácil... ontem eu estava na festa junina dos militares e a minha amiga é novinha e ta namorando um militar... pensa a gente na barraca do quartel dele a noite toda e sempre que surgia uma folga ele ia ficar com ela e a gente ajudando para ele não ser pego e levar punição!!! tão lindinho!!!! e os amigos do namo da minha amiga são gatinhos... acabei saindo no lucro também!!!hauhauhauha!!!!!

Meninas, visitem o romane militar Tão iguais e tão diferentes - um amor militar na maturidade

www.taoiguaisetaodiferentes.blogspot.com

www

Nathy disse...

Aiii q maximo!
Tá mto legal a historia!!

Coitada da Debi,
entrou no mesmo barco...
hauaiahaihaa!


Bjoos!

ps. já começou a Aman!? Só percebi isso no cap. de hj! hauaiahaha!

Nathy disse...

Aiii q maximo!
Tá mto legal a historia!!

Coitada da Debi,
entrou no mesmo barco...
hauaiahaihaa!


Bjoos!

ps. já começou a Aman!? Só percebi isso no cap. de hj! hauaiahaha!