1 de jun de 2007

Cap 19: Regresso

Trilha sonora da cena

Após o almoço e uma maçante rotina de aulas do colégio, me pus diante do meu blog¹ para ler os comentários. Talvez, alguém tivesse passado por ali para deixar um sinal de vida. E não é que havia alguns bem interessantes? Estranha e ao mesmo tempo divertida essa possibilidade de interagir com desconhecidos.

A primeira pessoa me chamou muito atenção por seu carinho em detalhar como já passara certa vez por uma situação difícil, mas que aprendera com as lições que a vida lhe oportunizara. Podiam ser palavras de uma irmã, tinha um tom que em algo não sei bem o quê me lembrava a Sara:

_ “As memórias são uma das melhores partes da nossa vida. Dizer às gerações futuras o q aconteceu, o q fizemos, como foi a sensação... fazê-los se sentir na cena e emocioná-los é mto gratificante. Mesmo que não haja uma coontinuação mto feliz... o momento mágico faz valer a pena. Sabe, eu acredito q o q vale é o melhor q se consegue guardar de alguma situação...” _ acho que ela se referia a descrição que eu havia feito no respectivo texto sobre um flashback de um momento muito bonito que tive com Caio. Depois, a Ariel Angel, como se chamava, tocou na questão de eu dever ou não aceitar o convite de pousar para propaganda da loja dos pais de Gustavo._ “bem, eu não faria se fosse você pq, ainda que seja pela arte, expor o corpo não me parece bom. Seu corpo foi feito por Deus para ser respeitado, sabe? Se ficar num outdoor enorme em roupas menores, mtas pessoas vão olhar com luxúria e tal... sei lá... você que sabe, mas eu acredito q toda escolha envolve uma perda, então... não quero dizer "faça" ou "não faça", prefiro dizer "pesquise, conheça e decida". Entende? Não tome decisões precipitadas... nada feito às pressas é bem feito porque não houve reflexão, e a reflexão é algo importante para se tomar sólidas bases a fim de se subir os degraus. Se vc sai correndo pelas escadas, pode tropeçar e cair e se machucar gravemente...”

Arqueei as sobrancelhas e suspirei, depois franzi a testa. Pensei sobre aquilo um pouco. Estar exposta certamente despertaria uma enorme gama de sentimentos em cada um que olhasse para minha imagem. Mas até que ponto eu estaria desrespeitando alguma regra? Como ela bem terminara, não estava querendo dizer que aquela era uma opinião certa, ou errada, apenas seu modo de ver e que eu sim deveria descobrir o que seria melhor para mim.

O próximo comentário me arrancou um riso:

_ “Sobre vc sair em um poster... se vc responder q naum vai, eu t mato!” _ aquela frase bem poderia ter sido dita por Débi, com seu tom intempestuoso e impulsivo, mas fora escrita por “Raissa”.

Os outros também falavam do mesmo assunto:

-“quem sabe um outdoor tb não reflita a bela Isabela que um dia existiu? (vc deveria pensar em aceitá-lo!)” _ questionou Violet.

_ “Faça a propaganda... mostre ao Caio que vc pode sim viver sem ele!!!!!! se vc naum fizer vou ficar de cara com vc!!!!”_ disse a Bruxinha Nany, me arrancando outro riso.

Tentei lembrar o caminho que Caio faria da rodoviária até sua casa e senti um frio na barriga, quando me dei conta de que o ônibus passaria pela esquina da rua da loja. Gustavo havia me dado o endereço e eu conhecia aquele lugar muito bem, pois uma amiga morava por ali perto.

O que ele acharia daquilo? Seria uma insondável e cruel dúvida, mas a cara de desprezo que sua mãe provavelmente esboçaria eu já podia visualizar sem dificuldade. Ela provavelmente enfiaria na cabeça dele que eu “me venderia”, “que seria passada por todos”, “que era uma imoral” e por aí vai. Conhecia muito bem os argumentos destrutivos daquela mulher, quando seu objetivo era mostrar ao filho que eu não era sua melhor opção. Acho que minha beleza sempre a atingiu em cheio. De certa forma, nunca acreditara que eu pudesse manter minha fidelidade, sendo bonita.

Mas não era mais tempo de eu ficar me focando nesses dois, porque Gustavo não poderia duvidar da minha seriedade por causa de qualquer atraso. Encontrei Débi em sua casa e de lá fomos até um estúdio, onde ele nos esperava.

Era no segundo andar de um velho edifício. Débi e eu ficamos até apreensivas e ela brincou que aquele bem poderia ser o cenário de um filme de terror. Só havia escadas e por elas fomos levadas até o segundo andar. Um longo corredor somente iluminado pela luz do dia que entrava por uma janela de vidro fosco entreaberta. A única segurança que nos mantinha era de que Débi conhecia pessoalmente Gustavo e que por isso não precisávamos ficar tão receosas.

Apertamos a campainha e Gustavo atendeu a porta. Usava uma camisa apertada preta, um jeans azul e uma câmera no pescoço:

_Oi! _ disse e ele sorriu, se aproximando para um beijo. _ Você quem vai fotografar? _ franzi a testa.

_É. Algum problema? _ perguntou e fechou a porta.

“Exceto por eu ficar de calcinha na sua frente, nenhum.” _ pensei e depois me ocorreu algo macro: “Toda a cidade me veria assim”.

_Meu amigo é fotógrafo também e me emprestou o estúdio dele para a gente fazer as fotos. Ele está em uma “externa” hoje e não vai precisar daqui. _ explicou tirando fotos de um pequeno quadrado cinza.

_Que está fazendo? _ Débi perguntou.

_Fotometrando, estou verificando a quantidade de luz. _ respondeu maquinalmente.

_Hum, sim. _ Débi sentou-se em um pequeno sofá, mas eu ainda fiquei de pé, olhando o lugar. Era uma espécie de enorme sala, com janelas grandes e paredes feitas de tijolinhos. Um painel branco ocupava boa parte do espaço e muitos refletores iluminavam o lugar, onde supostamente daqui alguns minutos eu estaria de roupa íntima.

_Linda... _ ele veio até a minha direção e a partir de, então, eu era a única para ele, Débi pareceu inexistir. _ Você quer beber alguma coisa, comer alguma coisa...?

_Não, obrigada. _ respondi.

_Então, eu vou colocar uma música para você relaxar, se soltar e eu quero que você leve isso para o lado mais profissional possível. Todas as suas amigas, a sua mãe, a sua avó, as freiras, todas usam lingerie, certo?

_... _ continuei olhando e me perguntei se era realmente necessário ele me tratar como a amadora- caipira- e- burra que já viu em toda sua vida.

_Na loja, você será uma forma de “modelo” para as mulheres olharem nos painéis e verem como ficariam nas calcinhas. Claro, que eu vou escolher uma mulher linda como você para elas se imaginarem também lindas! _ riu e caminhou até uma espécie de guarda-chuva e o ajeitou. _ Eu pensei em a gente começar com as cores pastéis... _ falou, de costas para mim, explicando seu processo de trabalho. _Ali em cima daquela mesa estão todas as peças separadas...

_E o meu contrato? _ perguntei.

Gustavo parou o que estava fazendo e me olhou. Débi também ficou surpresa.

_Bom... _ ele riu, como se tivesse esquecido ou desconsiderado algo que não parecia tão importante._ Podemos fazer isso depois, se preferir...

_Gus-ta-vo... _ joguei minha bolsa em cima do sofá, onde estava Débi e caminhei em sua direção com paços firmes. _... Você acha que esse é algum trabalhinho, ou deverzinho de casa que está fazendo para uma aula de fotografia da faculdade?

Ele simplesmente não esboçou qualquer expressão, parecia chocado e surpreso:

_Hei, não duvide de meu profissionalismo... _ defendeu-se.

_Não estou duvidando... _ balancei a cabeça para os lados. _ Nem acho que você duvidou do meu em nenhum momento. _ falei ironicamente.

_Bela, eu tenho uma certa pressa e..._ ele estava querendo desvirtuar o problema para o sinuoso caminho da desculpa.

_Então, Gustavo, eu lamento, mas não vou poder ajudá-lo._ encolhi os ombros e virei as costas para pegar a minha bolsa.

_Ai, essas modelos que se acham cansam a minha paciência... _ desabafou baixinho e suspirou.

_O que você disse? _ virei-me e meu cabelo dançou no ar. Pus a mão na cintura. _Acho que a partir do primeiro trabalho, já é um trabalho, certo? Ou pensa que eu sou só um corpinho bonito e sexy? O meu cabelo loiro te passa alguma desconfiança da minha inteligência?

Ele não fez força para devolver nenhuma resposta, me deixou falar:

_Gustavo, eu quero saber quantos serão os pôsteres, qual o tamanho da propaganda da frente da loja, o que eu vou vestir, quanto tempo as peças ficarão expostas, tudo mesmo. Eu não sei se isso é comum, se é a própria modelo que faz as transações contratuais... _ mostrei a minha ignorância. _ Mas eu sei o poder de multiplicação que uma imagem tem. Ela pode parar na Internet, ela pode parar nas mãos erradas... _ fui mostrando a ele as possibilidades ruins daquele jogo. _... Eu quero um papel que me dê garantias. Afinal, se alguma coisa ruim me acontecer, toda a loja da sua mãe e seus direitos civis poderão ressarcir meus danos morais, não?

Ele estava boquiaberto e eu segurei com força a minha cintura para não mostrar que minhas mãos estavam trêmulas, afinal, para mim era novo ainda eu tomar direção de minhas escolhas e deixar de ser bobinha. Precisei falar difícil, com força, mas ao mesmo tempo sem violência, firme e calma.

Ele respirou fundo.

_Então, não poderemos fazer isso hoje. _ ele simplesmente resumiu.

_Tudo bem, então. Vamos, Débi. _ peguei minha bolsa. _ Desculpe, mas essas são as minhas condições.

Minha amiga me seguiu e na escadaria falou pela primeira vez:

_Você aí dentro é a Bela que eu conheço? _ ela me pareceu a mais assustada.
_Deixa de bobeira. _ ri, agora mais relaxada.

_Bela? _ ouviu uma voz vinda do alto, quando atravessei a portaria do prédio. _ Posso te esperar aqui, amanhã, com o contrato? _ Gustavo perguntou.

_Amanhã, então. _ segurei o sorriso e ele não, sorriu um sorriso aberto e vencido.

***

_Satisfeita? _ Gustavo me perguntou, olhando a folha que eu acabara de assinar, depois de todas as revisões que eu fizera minuciosamente.

_Só depois que eu ver se vo-cê sabe fazer isso direito. _ pisquei o olho e ele sorriu.

_Ah! Isso é um desafio? _ ele disse amistoso, abrindo um elo entre nós, adiado pelas questões burocráticas das quais eu jamais abriria mão.

Ele ligou o som e eu fui para o meio da luz. O ventilador fazia meu cabelo levemente esvoaçar. Gustavo mexia no meu rosto, me ensinava para onde deveria olhar, como me posicionar e eu o imitava.

_Agora, se solta, isso... _ clicou várias vezes na máquina. _ Ri, ri aquele riso gostoso, Bela... _ pediu.

O resto do ensaio que durou até a noite fora muito cansativo, mas uma das experiências mais diferentes que já tive. Senti-me depois de muito tempo a Bela das fotos que Sara me mostrara. Eu finalmente tinha regressado.

Gustavo nos deu uma carona até em casa, passando primeiramente na de Débora para deixá-la e por último na minha.

_Eu gostei... _ ele falou, ao parar o carro na portaria do meu prédio.
_Das fotos? Eu também, devem ter ficado bonitas.
_Não... _ ele abaixou a cabeça e apoiou os antebraços no volante. Olhou de lado para mim. _ Gostei da sua atitude. Uma boa foto se faz de luz e de uma atitude.
_... Eu pensei que queria me matar.
_Também. _ ele se recostou no banco. _ Quando você virou com raiva e veio na minha direção, não importava mais nada que dissesse, tinha que ser você. Nem que eu tivesse que hipotecar meu apartamento.
_Por que eu não pensei em pedir isso? _ fiz um ar pensativo fingido que provocou seu riso.
_Eu já tirei bastante fotos de amadoras, de algumas profissionais... _ pareceu voltar no tempo. _ E posso dizer que a verdadeira beleza é a confiança. O resto a gente fabrica.
_Hum...
_Amanhã eu posso te pegar para a gente escolher as fotos juntos?
_Juntos? _ perguntei, será que esse era um procedimento normal?
_Bom, depois eu vou levar para os meus pais e aí enviar para a gráfica...
_Depois da aula, afinal, eu ainda sou uma menina. _ fiz um ar infantil.
_..._ ele deu uma risada. _Nada. _ desculpou-se. _Me lembrei de uma música.
_Qual? _ franzi a testa.
_Não... Não... Você me interpretaria mal. _ ficou sem graça e eu sai do carro.
No elevador fiquei imaginando que música seria essa.

Nota1:Blog da Bela

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7 comentários:

Lucy disse...

hmmmmmmmmmm... já fisgou o rapaz e nem sabe!!! (rsss) Muito boa a atitude dela, está começando a amadurecer! Gosto disso! =)

Vamos ver aonde isso vai dar... *suspiro* mal posso esperar! *ansiosa*

Algo me diz que muitas águas turbulentas vão rolar! Tomara que ninguém se afogue! =)

Li, tá demais! \o/

Nathy disse...

Hmmm...
q musica eihn?! to curiosa!!

Nossa, ateh eu me interessaria por um bom partido desses, hahaha, claro se eu tivesse levado um pé na bunda!! haha

;)

Bjos, Liii!

mell disse...

uhulzzzz \o/ \o/ dei uns conselhos no blog da bela e ela me ouviu!
estou louca q o caio veja a bela, linda, loira e 'quase nua' no poster!
uashsuauushu

se bem q agora ela naum quer mais saber desse bobalhao, pq ela tem o gustavinho lindo!
haushaushususauhs


tah tudo lindoooooooo =)~

Luma disse...

Humm que bom que elas fez as fotos, adorei....

tah lindooo Liiii

beijocasssss

Ana Paula disse...

huunmmm!!! a garota é tinhosa!! gostei de ver! e o Gustavo ta babando por ela... o Caio se ferrou...rsrss!!!!

Nathy disse...

Ahhhhhhhhhhhh um dia sem postar!!!

Quer matar a gente aki, fala logo!!

^^

hahauauahaha!

Bjoos!

Li disse...

:p dicupa, tava ocupadinha rsrs. mas agora volto! pera só!