27 de mai de 2007

Capítulo 13: Revelando segredos

Trilha sonora da cena

Eu não sabia como iria introduzir aquela pergunta, mas era essencial para eu ter a segurança de que rumo tomaria dessa loucura toda que estávamos vivendo em curto prazo. Aproveitei o momento em que estávamos abraçadinhos na beira do rio para perguntar-lhe isso:

_Caio, quais são os seus planos comigo?
_Como assim?
Aquela não era uma pergunta matemática, era simples:
_Ora, estamos aqui, vivendo todas as loucuras de amor, mas e depois?
_Depois? _ ele pareceu realmente confuso.
Estranhei, porque para mim tudo já estava encaixado na cabeça dele, ou será que só estava na minha?
_É, depois. Você vai querer namorar, ficar, enrolar...? _ tentei ser bem objetiva, mais didática que isso só desenhando com a ponta do dedo na areia.
_Eu pensei que você só quisesse ficar... _ ele comentou.
Quê? Eu fiquei desapontada.
_Então, você acha que eu só estou aqui para curtir e depois você nem vai levar nada a sério, vai...
_Bela, não, não é nada disso Belinha... _ ele tentou me interromper.
_Eu devia imaginar! E pensei que você era diferente! _ sentei e procurei meu biquíni, vesti-o outra vez. _ Como eu sou patética e idiota! _ fiquei de pé para amarrar melhor a parte de baixo da tanga do biquíni.
Caio começou a rir. Olhei-o agora sentado, com os braços apoiados nos joelhos.
_Do que está rindo? Ainda por cima está me ridicularizando?
Eu me senti tão ofendida, que vieram lágrimas nos olhos.
_Isabela?! _ ele levantou-se e me falou com um risinho no canto da boca. _ Você fica linda aborrecida...
_Não me vem com esse papinho, quero ir embora... _ olhei para o lado e vi que não seria tão fácil esticar o braço e chamar um táxi, ou fazer sinal para um ônibus. Só havia o Faísca regurgitando relva.
_Você não me deixa nem responder direito! Fica aí tirando suas conclusões, sem nem me dar uma chance!_ reclamou.
_Então, fala, estou ouvindo! _ cruzei os braços e meu pé direito ficou batendo levemente no chão.
_Eu só não perguntei logo se queria namorar comigo, porque pensei que V-O-C-Ê não iria querer. _ disse o “você” com ênfase e apontando o dedo em minha direção. _ Imagina! A garota mais gata do colégio, se não do bairro inteiro, aceita viajar comigo, me leva nas nuvens e... Sei lá... Achei que era sonhar demais te pedir em namoro. De repente, eu poderia tomar um nãozão na cara e quebrar todo o clima. Só poder te beijar, nossa, caramba, eu esperei tanto por isso, entende?
_Quem não sabe querer, fica sem! _ passei por ele emburrada, pronta para descobrir sozinha como se guiava o Faísca. Eu tinha feito toda aquele chilique a toa, mas não daria o braço a torcer.
_Vem aqui, que estou falando com você, mocinha. _ me puxou pelo braço e me fez dar dois passos para trás, como ele estava forte! _Ok, você quer assim. Então, tá?! _ olhou bem nos meus olhos. _Eu quero ser seu namorado e quero que seja minha namorada.
_Mas isso não é uma pergunta, é uma imposição!
_Aaaah! Perdi minha paciência com você... _ foi sua vez de caminhar até o Faísca.
_Vai para casa pelado é? _ peguei seu short em cima da manta e agüentei para não rir.
Ele se tocou e virou para trás, também não resistiu e riu.
_Eu vou dizer que fui atacado por uma ninfeta no meio do caminho. _ zombou.
_Ninfeta! Aaaahhhh! Seu... Seu...
Caio veio correndo e me abraçou:
_Brincadeirinha... _ riu._ Eu só te odeio por quase um segundo.
_Depois me ama mais? _ Olhei seus olhos de jaboticaba, de compridos cílios e sobrancelhas grossas.
_Você sabe que sim, mas gosta de me maltratar, né?
_Que injustiça! _cerrei os olhos e envolvi seu pescoço com meus braços. _ E respondendo a sua “imposição”, sim, eu quero ser sua namorada.
Ele sorriu e me beijou com muita vontade, pendendo meu corpo para trás, me abraçou forte.
_Ai! _ caímos sobre a manta outra vez. _ De novo?
_Ninguém mandou você me provocar...
_Eu?_ ri alto e o deixei me beijar todinha.
O céu estava alaranjado e a tarde nos envolvia quente e acolhedora.
_Meu Deus! Você sempre teve toda essa energia? _ perguntei beijando sua nuca, enquanto ele estava de bruços e olhos fechados, se recuperando, cansado de tanto me amar.
_E você, hen, mocinha... Acaba comigo!_ culpou-me.
_Que isso... _ ri e me levantei para mergulhar no rio. Nunca tinha tomado banho nua assim, como as índias.
_Já pensou se aparece uma sucuri aí?_ ele apoiou os cotovelos no chão e ficou me admirando.
_Tem cobras por aqui? _ me assustei.
_Tem uma aqui...
_Ridículo! _ joguei um pouco de água nele. _Estou falando sério. _fiquei com medo e voltei para a manta.
_Tem lá na Amazônia e quando a gente morar lá?
_A gente morar lá? _ repeti.
_É, ora... Na minha profissão eu vou ter que me transferir para muitos lugares do Brasil.
_Como é que é?
_Eu vou ter missões em vários lugares... E a mulher que estiver comigo vai ter que me acompanhar.
_Mas isso sempre?
_De dois em dois anos...
Eu fiquei muda, sabia que os pais deles moraram em vários lugares, mas não tinha conectado esse fato a minha pessoa!
_Se quiser voltar atrás no que acabou de me dizer...
_Eu quero namorar você... _ garanti, vendo que o tinha feito triste, por causa do meu desapontamento. _ Só é tudo muito novo para mim.
_Para mim também... _ ele abaixou a cabeça e eu o abracei por trás.
_Eu vou tentar fazer de tudo... Ouviu? _ beijei seus cabelos.
_Nós vamos... _ corrigiu. _ Agora acho que está na hora de voltarmos para casa. Acabaram as camisinhas mesmo...
_Seu tarado! _ dei uns tapinhas nele e caímos na gargalhada juntos.
Pegamos nossas coisas e fomos até o Faísca.
Enquanto o cavalo trotava pela trilha e nossos corpos sacolejavam no ritmo das ancas do animal, eu fiquei lembrando da minha conversa com Caio sobre as transferências. Ao mesmo tempo me veio a cabeça as palavras da avó dele sobre missão. Seria essa a tal missão?

***

Encontrei os pais de Caio sentados na sala assistindo televisão, depois de eu ter tomado banho. Perguntei por Caio e a mãe dele não me respondeu. Seu padrasto me disse que estava com a avó no sóton.

_Você vai até lá? _a mãe dele rompeu o silêncio, quando me viu caminhar até a porta.
_Vou, será que irei incomodar...?
_Não, que nada, vai lá, minha filha. _ o padrasto me deu apoio e indicou com a mão para que eu continuasse meu caminho.

A porta estava destrancada. Assim que apareci na soleira da outra porta entreaberta, vi Sara e seu neto sentados no sofá.

_Olha quem chegou! A sua namorada. _ a mulher disse, muito animada, provavelmente deve ter ficado feliz com a notícia que Caio lhe dera recentemente.

_Atrapalho? _ perguntei timidamente.

_Eu que digo isso! _ ela levantou-se.

_Não, fique a vontade. Não queria interromper. _ falei.

_Eu vou olhar o jantar, se está tudo pronto e depois chamo vocês. _ disse, colocando a mão docemente no meu ombro e nos deixou a sós.

_Você está tão cheirosa. _ Caio me puxou pela mão e sentei ao seu lado no sofá. Ele também tinha tomado banho e estava com a pele gelada, cheirando a sabonete e ao desodorante .

_Esse lugar é tão acolhedor. _ confessei. _ Seu avô devia ser um homem muito culto...

_Posso te contar um segredo?_ perguntou.

_Claro! _ respondi louca de curiosidade. Nada mais seria surpreendente, naquela casa cheia de mística. Nem me assustaria em encontrar o Papai Noel e o coelhinho da Páscoa na mesa de jantar, quando descêssemos.

_Meu avô era maçom. _ revelou, esperando minha reação.

_Já li um pouco sobre isso, lembra que me emprestou o livro Código Da Vinci?

_Lembro. Ele se reunia sempre com outros maçons e estudava tudo que pode imaginar sobre filosofia, culturas, religiões...

_Hum... Isso explica tudo isso...

_A maçonaria não é religião, nós não matamos cabritinhos e chupamos o sangue deles. O povo criou vários mitos e diabolizou demais...

_Você disse... “nós”?

Caio ficou mudo, parece que essa parte não estava nos planos dele revelar.

_Eu não participo ainda das reuniões... _ ele abaixou a cabeça. _ minha mãe me proíbe. Ela não consegue nem ouvir falar nessa palavra... Finge que meu padrasto sai com os amigos todas as sextas para beber. Não é muito fácil para a sua cabeça de carola conceber que ele acredite em outras coisas...

Agora todas as peças se encaixavam. Por isso ela não gostara que eu me dera bem com a avó de Caio. Estava explicado porque me ignorara e não me informara que seu filho estava aqui no sóton.

_Eu fui aprendendo muita coisa com meu avô. Ele me ensinava muito. E passava muita coisa para minha avó também. Mas temos uma regra de não contarmos isso as pessoas.

_Por que esse segredo?

_Porque as pessoas vão zombar de você, quando começar a mostrar tudo que sabe. É melhor a discrição. Não usamos o que aprendemos para ser superior, pisar nas pessoas, não! Aprendemos para o nosso crescimento pessoal!

_Puxa, bonito isso! _ disse. _ Por mim, não há problema nenhum...

_Que bom... _ ele pegou na minha mão e sorriu. _ Você é perfeita. _ me deu um beijo._ Os gregos tinha uma explicação bem legal sobre o universo. Imagine um pequeno círculo. _ desenhou com o dedo no ar. _ Quando nascemos nosso círculo é minúsculo. Vamos supor: do tamanho de uma laranja, tá? Tudo que está dentro é o que você sabe e tudo que está fora, o que você desconhece. Cada vez que você aprende uma coisa, ela passa para dentro do círculo e aumenta ele. Vamos dizer que agora ele é do tamanho de uma melancia. Toda vez que as coisas entram, o perímetro do círculo aumenta, certo?

_Certo. _ acompanhei seu raciocínio.

_Por isso, quanto mais você aprende, mais a sua superfície de contato com o que você não sabe aumenta. Mais partes da melancia toca a parte de fora incompreensível.

_Lógico. _ entendi.

_Daí a máxima grega: “tudo que sei é que nada sei”.

_Ah! Eu já ouvi falar disso! _ minha boca se entreabriu como se tivesse descoberto um truque de mágica. _ Que legal!

Abracei Caio e ficamos ali namorando, no silêncio do acolhedor sóton, que diga-se de passagem é mais bonito à noite, com seus candelabros acesos, e os cristais pendurados no teto brilhando. As janelas abertas nos permitiam ver as estrelas. Apesar da luz elétrica, as velas e o fogo davam uma energia no ambiente que eu não sei explicar com palavras.

Aquele final de semana prolongado por causa do feriado fora perfeito. Mas a realidade estava por vir e agora a nossa estória começa de verdade.

Autora: Li

9 comentários:

Li disse...

Lucy, senti falta de vc no cap anterior hen!

Me explica melhor aquilo de feed?

Beijinhos da Li a todas!

Nathy disse...

Aewwwwwwwwww, POSTOU!!!

Huaiahahaa, hj foi engraçado o inicio eihn! Morri de rir com a parte das cobras... ahahah, soh vc msmo, Li!!

Agorah q vai começar, eh?! Ain to com medo... ele jah vai pra Espcex?! Ahhhh q agunia, snif...

Jah vi q terei q separar os lenços aki... alias, vou pegar logo um lençol... ahauiahahaa!

Bjoos!

Li disse...

Eu também fico rindo depois! Não sei da onde me sai essas coisas da cabeça!
Se eu fosse espírita diria que tava psicografando... rs
É no botão automático rs.
Só posso dizer que escrevi o roteiro da estória.
O que eu posso revelar é que vai ser cheia de emoções e altos e baixos... Nada-nada previsível!
Um abraço e um xero no coração de vcs minhas lindassssssssss!
Não deixem de comentar, é meu maior incentivo saber o que acharam de cada trecho dos capítulos.

mell disse...

aaii.. q coisa linda! (L)
fiquei taum feliz quando vim aki e vi q tinha mais um capitulo!
hsausuasuuhush

eu ri mtooo li... soh vc mesmo!
usuhuhuhuhs

to com medo da ida dele pra espcex =/
tah tudo taum lindo, quem sabe vc naum muda a estoria e ele fica ai com ela?
shuahshauhsuh

feriele disse...

to nervosa..pe lo resumo..ele ainda vão ter q terminar..e n quero q isso aconteca...gosto deles juntos..apezar dela gostar dele percebe-se q eh mais imatura do q ele..e acho q isso vai ser a fraqueza qnd vier a distância e eu vou ficar muito triste qnd isso acontecer..pq acho os dois lindos juntos...

feriele disse...

to nervosa..pe lo resumo..ele ainda vão ter q terminar..e n quero q isso aconteca...gosto deles juntos..apezar dela gostar dele percebe-se q eh mais imatura do q ele..e acho q isso vai ser a fraqueza qnd vier a distância e eu vou ficar muito triste qnd isso acontecer..pq acho os dois lindos juntos...

Luma disse...

Leio um Capítulo e fico sempre anciosa pelo próximo incrivelmente!!!
Ai daqui a pouco tá chegando a hora dele ir :(

Anônimo disse...

A-há! e aqui está mais uma surpresa!

Uau, vc está escrevendo bastante! isso vai ser bom, é como ter dois capítulos em um! \o/

Gosto da forma como descreve as cenas, faz parecer bem nítida, fácil de imaginar. E alguns mistérios vão sendo revelados, agora... sabemos pq a mãe do Caio se comporta daquela maneira. Qual a religião dela?

Não estou mto feliz com os fatos revelados, além disso ainda tem mto sofrimento pela frente... fico me perguntando aonde tudo isso vai dar. Espero que... bem, melhor ver o q acontece.

Abraços e bjs, meninas!

Tita disse...

Eu achei mto engraçada a parte que ela vira e vê o Faísca "regurgitando relva" uahauha... Que cena...
Essa história fica cada vez melhor, Li!
E eu vejo várias semelhanças daí já dá uma saudaaade! É mto bom ficar lendo o livro!
Beijos!