26 de mai de 2007

Capítulo 12: Missões e premunições

Trilha sonora da cena


Acordei com uma deliciosa sensação de ter dormido um sono profundo e tranqüilo. Sorri e me encolhi de baixo do lençol. Eu ainda estava nua, Caio provavelmente saíra apenas quando eu dormira. Fechei os olhos novamente e me senti feliz e completa. Fora delicioso tê-lo completamente unido a mim, em alma e corpo.

A primeira coisa que fiz ao levantar foi procurá-lo pela casa. Sua avó me informou que tinha ido com o padrasto até a cidade buscar algumas compras para ela, juntamente com sua mãe. Eu sentei-me à mesa e pus para mim uma xícara de café, que estava mais forte do que eu estava acostumada a beber. Destampei o pano de prato que protegia o bolo e tirei um pedaço para mim.
_ Gostaria de conversar com você, querida. _ ela falou, após tirar a panela de cima de um fogão à lenha. Achei esquisito, se havia um fogão elétrico, porque ela cozinhava no movido à lenha?

_Claro, pode falar. Não tivemos tempo para conversarmos ainda... Eu cheguei de visita na sua casa...

_Pode terminar seu café, vamos para um lugar mais tranqüilo. _ ela anunciou.

Eu a segui pelo corredor e em um dos cantos da sala, ao lado de uma cristaleira, havia uma porta. Eu não tinha me dado conta daquela porta, nem para onde ela dava. Era o que descobriria naquele momento. Sara, como se chamava a avó de Caio, abriu a fechadura com uma grande chave preta, presa por uma corda da mesma cor. Havia apenas uma parede, ao entrar e olhar para a esquerda, me deparei com uma escada de madeira com degraus baixos e curtos. Era preciso subir de vagar para não tropeçar. Ela tomou o devido cuidado de fechar a porta. Só dava para uma de nós subir por vez e ela passou na minha frente, pois bem acima havia outra porta, que ela iria abrir com a mesma chave. Senti-me em uma cena de filme de magia, e isso porque eu mal imaginava o que iria contemplar dentro de instantes.

Em nenhum momento ela me falava, nem instruía com palavras, apenas indicava com gestos como eu deveria proceder. Sara, então, esticou o braço para que eu pudesse entrar. Eu estanquei e meus pés estavam cravados no chão, mas meus olhos ágeis percorreram cada detalhe do amplo sóton. Era uma espécie de quarto sob o telhado, podia-se ver as telhas e os fachos de luz do sol entrando pelo lugar e iluminando o assoalho de tábua corrida.

Um sofá de três lugares branco estava coberto por uma manta vermelha e no braço direito havia outra manta amarelo estendida elegantemente. Em uma das paredes, um grande mapa astral com minúsculos números, signos, retas que se interligavam e no centro um olho azul. Uma mesa ampla, de aproximadamente quatro jardas minhas estava repleta de livros, folhas, pequenos cristais e um candelabro de nove hastes permanecia apagado, mas com velas gastas pela metade. Imaginei como seria aquele lugar à noite.

Nas minúsculas janelas quadradas, que ficavam na altura do meu busto, cortinas brancas de renda balançavam delicadamente ao sabor do vento. Supus que ela já teria vindo ali de manhã para abrir as janelas. O mais impressionante era a enorme quantidade de livros que se apertavam pelas prateleiras. Eles cobriam as paredes, dando um colorido heterogêneo. Quem teria lido tudo aquilo e por que tantos livros ficavam escondidos ali, longe das pessoas que chegassem na casa? O que falavam aqueles livros que nem todo mundo poderia ter fácil acesso? Aquele próprio lugar era uma resposta para isso.

Senti um cheiro de incenso e reparei que Sara acendera um em cima de um suporte cromado em formato de folha.

_Esse cheiro lembra uma tia minha, ela é macumbeira... Eu nunca entendi bem a religião dela... Não entra na minha cabeça para que dar comida para os santos. _ comentei displicentemente me aproximando da estante para ver o título dos livros, mas antes que eu pudesse me ater a alguma obra, ela se pôs ao meu lado e sua figura em si tinha um poder penetrante de concentrar nossa atenção.
_Os “santos” que chama, não comem. _ corrigiu, gentilmente. _ As forças da natureza podem sentir o aroma da vida. A sua tia não dá de comer aos “santos”. Ela oferece o aroma.
_Hum, não sabia. _ balancei a cabeça afirmativamente.
_Podemos sentar? _ ela esticou o braço e indicou o sofá, onde sentamos lado a lado. _ Caiu me falou de você.
_É? _ surpreendi-me. Ele estivera comigo a todo momento, quando tivera tempo de falar com sua avó? Dei-me conta de que seu amor por mim era muito antigo e que talvez ela já sabia de longa data quem eu era.
_Faz tempo que eu espero a sua chegada. _ ela sorriu e pela primeira vez, desde que eu entrara naquela casa, ela me pareceu simpática.
_Como sabia que eu viria?
_Eu sabia... _ ela sorriu e ficou me olhando.
_O que ele falou de mim? _ perguntei curiosa, sem conseguir olhá-la diretamente, meus olhos não paravam de buscar significado para aquela atmosfera mística.
_Que você é especial. _ resumiu. Nisso ela era bem parecida com ele, simplificava as coisas.
_Ele também é um cara muito especial... _ comentei.
_Sim, é... _ ela cruzou os dedos das mãos e com um braço apoiado no encosto pareceu viajar no tempo. _... Ele chegou aqui em casa muito pequeno, com um boneco de super herói nos braços e um bico enorme. _ riu alto. _ Um garotinho muito emburrado e triste... _ ela levantou as sobrancelhas e respirou fundo. _ Mas ele se encontrou.
_Eu conheci o Caio, quando ele entrou na minha escola. Ficamos muito amigos, estudávamos juntos, fazíamos parte da mesma turma, mas nunca tinha o visto com olhos... _ não sabia como explicar.
_Com olhos do coração?
_É. E agora parece que vou conhecendo outra pessoa, que sempre esteve ali dentro dele, mas que eu não via.
_Ou ele não mostrava...
_Isso! _ senti que ela poderia me entender perfeitamente. De repente, estava tendo uma conversa sincera com uma desconhecida. Conversa que sempre desejei ter com a mãe dele, mas que era inviável ante aos pré-conceitos que nutria sobre mim.
_O avô dele também iria adorar te conhecer. Caio falou muito de você para ele, quando te conheceu.
_Jura? _ ri, envergonhada. Aos poucos eu ia dimensionando a importância que tinha na vida de Caio.
_Acho que só quem não gosta muito de mim é a mãe dele... _tomei a liberdade de confessar-lhe.
_Ela tem medo.
_Medo de quê? Qualquer menina no meu lugar poderia ou não dar certo com ele. Por que eu tenho que ser perfeita? Eu estou errada?
_É que ela ainda não tem certeza se você está preparada para sua missão. _ ela segurou na minha mão, da mesma maneira que a mãe de Caio havia feito naquele dia. Parecia que a cena se repetia.
_Que missão? _ assustei-me mais uma vez.
_Isabela... Você sabe que ele escolheu um caminho agora.
_Sei, ele quer ser militar como seu filho foi...
_E você terá uma missão.
_Mas que missão é essa de que tanto fala? Assim fico com medo. _ me senti acuada.
_Você vai descobrir, por ora, não vamos pensar nisso... Viva cada dia e viva o que o tempo lhe reserva. _ aconselhou-me e tirou sua mão de cima da minha, mas não a soltou, apenas revirou a mão para cima e acariciou com o dedão as linhas da minha palma.
_Desculpe perguntar, mas você lê mão? É que esse lugar...
_Não... _ ela soltou minha mão e me pareceu que aquele “não” era mais para um “não posso lê-la”, por algum motivo que acabara de ver e não queria me dizer, que um “não sei ler”.
Levantei-me e a segui até a mesa onde ela sentou. Havia um pano azul de minúsculas estrelas brancas e um baralho de cartas.
_É um baralho cigano? Você é cigana?
_Você faz muitas perguntas. _ ela pareceu-me atordoada e até jurei que por alguns segundos a senti arrependida de ter me trazido até ali.
_Abre as cartas para mim? _pedi para que jogasse tarot¹ e me sentei em sua frente.
Ela embaralhou as cartas, havia um grande anel verde em seu dedo indicador direito.
_O que você quer saber das cartas?
_Eu quero saber sobre meu futuro com Caio. _ falei o que mais me angustiava.
Ela me olhou e abriu o baralho sobre o pano estralado.
_Escolha três cartas. _ pediu.
Escolhi uma mais próxima de mim, uma no canto direito do meio e outra no início, mais próxima a ela.
_Você vai ser impulsionada a jogar todas as peças nesse novo relacionamento. Um impulso tipicamente jovem. Você vai ter muita coragem para lutar. _ ela falou e antes de continuar, se incomodou com alguma coisa que viu e não quis me dizer. _ Você terá um grande rompimento que te tomará muitas energias. _ Ela me pareceu vaga demais. _ E por último você vai voltar ao equilíbrio e ficar bem.
_Sei... _ eu não tinha visto nada de concreto no que ela falava. _ Qual o nome dessa carta? _ apontei para a minha primeira escolhida.
_”O Mago”, ele é a expansão da consciência pela tentativa e erro.
_E essa?
Ela não me respondeu, pulou para a última carta, sabendo que eu acabaria perguntando sobre essa também.
_Essa aqui é a “Temperança”.
_Que significa?_insisti.
_Que você entrará em equilíbrio, é a transmutação do líquido que passa de uma jarra à outra e lembra a transformação da água em vinho.
_Qual o nome dessa carta?
_ “Sem nome”, me respondeu.
_Como assim “sem nome”?
_É que o nome verdadeiro da carta é cercado de muitos tabus e mitos...
_Como ela se chama?
_A Morte.
Senti um calafrio.
_Mas essa morte não quer dizer necessariamente uma morte física. Ela é a premissa do renascimento.
_Hum... _não perguntei mais nada, não queria mais saber do futuro.
_Você terá que abandonar as idéias do passado e renascer, é o que a carta lhe diz.
_Então, vou dar tempo ao tempo... _ eu completei.
Ouvimos barulho de pessoas chegando de carro. Sara fechou o baralho e sorriu:
_Vamos ver o que eles trouxeram de bom? _ propôs e me senti uma criancinha de cinco anos.
Descemos pela escada e ela abriu a porta. A mãe de Caio não gostou do que viu. Seu sorriso fechou, quando percebeu de onde nós duas tínhamos vindo. Sara percebeu isso e a chamou para a cozinha a fim de ajudá-la a arrumar as coisas. Caio veio ao meu encontro e me deu o primeiro beijo do dia.
_Minha avó gostou mesmo de você.
_Acho que sim. Mas por que está dizendo isso?
_Ela te levou até lá?
_É. _ achei que aquilo não tinha nada de tão importante.
_Ela deve ter sentindo alguma coisa boa em você... _comentou.
Instantaneamente me lembrei do aperto de mão forte, quando eu havia chegado. Teria sido naquele momento?
_Sabe o que eu estava pensando em fazer, só nós dois, juntinhos?
_Ãnh? _ sorri, tentando me esquecer os efeitos das revelações das cartas. Não daria bola para nada daquilo, eu era muito descrédula.
_Tomar banho de rio! Trouxe roupa de banho?
_Claro!_ respondi.
_Tem um rio lindo aqui no sítio, que passa dentro da nossa propriedade, é super silencioso e só nosso, ninguém vai nos atrapalhar e podemos ficar juntinhos... _ ele falou no meu ouvido.
_Quando iremos?
_À tarde, já que o almoço está para sair e eu sinto o meu estômago colado nas costas!_ disse.
_Tudo bem. _ encolhi os ombros, adorei a idéia.
Separamos em uma mochila uma manta grande, algumas coisas para comer e uma garrafa com suco para beber. O passeio não poderia ser mais delicioso, pois pela primeira vez eu montei em um cavalo. Caio foi conduzindo lentamente o trote do animal e meia hora depois estávamos no meio do nada, sozinhos, curtindo o sol e a água morna do rio.
_Eu nunca vou me esquecer desses dias... _ ele comentou, nadando perto de mim.
_Nem eu..._ sorri e o abracei. Nos beijamos e as mãos de Caio por de baixo da água fizeram carinho nas minhas costas...
_Você por acaso trouxe... _ perguntei.
_Hãnhãn... _ ele balançou a cabeça em sinal de sim.
_Ah! Eu imaginava! _ ri alto e o afundei na água.
_Você vai ver... _ ele correu atrás de mim e caímos sobre a manta que tínhamos estendido.
_Não tem risco de ninguém chegar por aqui? _ perguntei, sempre com medo dos olhos alheios.
_Só o Faísca mesmo. _ apontou para o cavalo amarrado em uma árvore a alguns metros de nós.
Caio ficou me contemplando e sua boca molhada se encontrou com a minha. Ele afastou o meu biquíni de curtininha e beijou meus seios, depois os sugou, o que me fez cócegas e me provocou o riso.
Nos beijamos na boca e eu mesma desenlacei atrás o nó do biquíni e o deixei ao meu lado. As mãos de Caio me percorreram e antes que eu perdesse a lucidez, o lembrei de pegar a camisinha, que estava no bolso da frente de sua mochila. Ele hesitou por uns instantes, como se lembrasse de algo e eu li seus pensamentos e desejos. Desci meus beijos por seu pescoço, seu peito e ele fechou os olhos para não ver o sol e poder sentir todo o prazer que eu podia lhe provocar. Depois disso, ele colocou a camisinha e apoiou os braços no chão para não pesar todo seu corpo sobre o meu.
_Você é incrível... _ eu disse e levantei meu pescoço para encontrar sua boca.
Caio me beijou com vontade e eu estava ainda mais relaxada que ontem. Estar ali no meio da natureza, amando-o deliciosamente, era a imagem mais perfeita da plenitude da vida.
Ficamos abraçados por um tempo ouvindo o barulho dos pássaros. Fiz carinho em seu peito e ele brincou de fazer círculos com a ponta do dedo em meus mamilos. Aquilo me provocou cócegas e eu afastei gentilmente sua mão.
_Sua avó tem tantos livros... _ comentei, aquele encontro de manhã não me saia de jeito nenhum da cabeça.
_A maioria era do meu avô. Ele era um homem muito estudioso. _comentou.
_Hum... _apoiei minha cabeça no braço. _ Caio, queria te fazer uma pergunta muito importante.
_Qual?

__**__

Nota1: Para jogar o Tarot (sem ajuda de uma intérprete), clique aqui (Obs=Não jogue mais de uma vez no dia.)

11 comentários:

Li disse...

Nathy!Obrigada pelas sugestões de música que me enviou!
Elas vão se encaixar muito bem ao longo da estória!
Meninas, se virem uma música bonita, manda para mim!
Beijinhos!!!!!!!!!!!!!!

p.s: Hoje, eu não estava muito bem... É festa da infantaria e estou aqui sozinha em casa, há dias sem falar direito com meu amor. Uma sensação muito ruim...
Nem ia escrever. Mas como disse um grande mestre: "os livros não são catarses, são obras" e são feitos por profissionais... Ai eu pensei que devia me desligar da minha vida pessoal e escrever. Nossa, enquanto estava aqui até esqueci da tristeza... Nem consegui estudar. Tenho prova. Trabalhei o dia todo, vou tentar fazer a dança das folhas na apostila...

Meninas, estou adorando isso aqui!

mell disse...

tah perfeitaaaaaaaaaaaaa a historia!
naum vejo a hora do proximo capitulo \o/
estou curiosa para saber qual serah q pergunta da belinha! hehehehe

Tita disse...

Que capítulo mais lindo!!
Adorei! Do jeito que vc escreve a gente até vive a história, é demais!
Mas agora...
Qual a perguta?!?!!
ahahha curiosidaaaadeee!
Beijo!

Li disse...

Boa pergunta: qual a pergunta? :P hahahahha
:)
Beijocas e bom domingo!
Li

Luma disse...

Oiii Liii
Bom ontem não pude entrar( arrasada de curiosidade que fiquei sobre o livro né)...Mas hoje li os dois capítulos e eu fico viajando, imaginando a cena, a fazenda, os cavalos ... você mexe com nossa imaginação e a nossa emoção mocinha, e isso é demais!!!!
Quanto as cenas de sexo sem problema algum, afinal da forma que você escreve tudo soa tão natural e gostoso...
Ameiii... e quem não faz um mozinhooo não é mesmo!!! Tudo vai com a maneira com se escreve e você escreve sutilemente que não nem como soar abseno(é assim que se escreve???)...
Bom meninas e a pergunta que não quer falar é...

QUAL A PERGUNTA??? Posta logo o outro capitulo Li... curiosidade mata sabia???

Beijos

Luma disse...

Nossa qts erros de português meu deus hehehe e tentei escrever Obceno Ou Obseno? hehe soletra aí gente hehe...

Nathy disse...

Ahhhhh tah taum lindo...
kro mais mais uhuuu!

Ah Li, esse tarot ai eihn, ahuahaha... gostei das cartas q sairam pra mim, soh uma q naum foi legal... mais acho q o resto valeu por elas... ah deixa keto, ahaha!!

E fik bem, tah!! Naum gosto de ver vc assim... dói em mim ateh... vc sempre me ajuda, merece mto mto ser feliz!!

E a pergunta q naum ker calar?!
hauaiahaahaha!

Luma, relaxa mana, ninguem vai reparar nos seus erros comparando o INCRIVEL comentario no texto postado hj no blog... neh?!

Amo vcs meninas!

Bjoos!!

Nathy disse...

Ahh e naum precisa agradecer pelas musicas naum, haha... vc sabe q to aki sempre pro q vc precisar!

Bjos!

;)



ps. e a pergunta?!
hauaiahauahaha!!

Li disse...

Lucy? Cadê vc hj aki? :0

Lucy disse...

um capítulo místico... fico me perguntando qual a próxima surpresa q vc trará, Li. (rs)

Diéssica disse...

O.o
NOSSA, EU NÃO CONSIGO MAIS PARA DE LE.