25 de mai de 2007

Capítulo 11: Quero ter você bem mais que perto

Trilha sonora da cena


Convencer os pais a deixar que as coisas cogitem ao nosso favor é uma arte.Na hora da janta, após pedir para passar a salada de macarrão com maionese, falei displicentemente sobre a viagem.

(Regra nº 1: Não escolha nenhum momento especial demais, já que quer parecer que não se trata de algo importante).

_Os pais do Caio vão passar o fim de semana no sítio da avó do Caio e me chamaram.

(Regra nº 2: Minta com um certo limite, tudo que eles vão adorar saber é que terão pais por perto.)

_É? Quando?_ meu pai perguntou.

_Esse fim de semana. _ repeti, eles não se cansariam de confirmar os dados, mesmo que eu já estivesse anunciado.

_Hum. _ minha mãe mostrou que não gostara muito.

_Eu disse que sim, não tenho muita coisa para estudar esse fim de semana e nem vamos ter prova, porque a escola será detetizada. _ cortei o bife calmamente, sem mostrar entusiasmo. _ Ele é meu grande amigo, somos quase irmãos, vou ser bem acolhida lá e aproveito para esfriar a cabeça para as provas que virão. Acho que mereço.

(Regra nº3: Se achar que pode arriscar, arrisque.)

_Não temos dinheiro para dar... Espero que entenda, minha filha. Mas temos que pagar a parcela da casa, do carro e seu pai já gastou quase todo o salário do mês.

_Ih, mãe, nem se preocupa, porque eles não vão para hotel, mas para o sítio, lá tem muitos quartos. Não acredito que me cobrem pelo prato de comida. E no mais vou de carona com eles. No máximo, levo a minha mesada, mas acho que nem isso vou precisar... _ comentei arriscando todas as fichas.

_Se é assim... Acha que tem algum problema amor? _ minha mãe perguntou.

Meu pai continuou mastigando sua carne. Me estudava com os olhos.

_Betinho, meu filho, vem! _ minha mãe gritou. _ Sai desse computador, garoto! A comida ta na mesa, vai esfriar. _ avisou. _ Esse menino ta muito viciado, eu tenho que cortar essa internet dele!

Essa não, Roberto estava vindo e isso era um péssimo presságio. O meu irmão enxerido ia querer colocar a mão no mel e eu tomaria as ferroadas das abelhas.

Aqueles segundos do veredicto final não poderiam parecer mais intermináveis.

_Eu só não queria que ficasse tarde para confirmar com eles, porque fica tão deselegante ligar altas horas... _ comentei tentando dar uma pressãozinha.

_Tudo bem. Já que os pais deles vão. _ meu pai permitiu.

“Yuuuuuhuuuuuuuuuuu Yuuupi! Eeeehhhhhhhhhh Viva!”, comemorei internamente e antes que o assunto continuasse e Robertinho viesse dar o pitaco dele, sai da mesa com a desculpa de que queria ver o meu seriado de tv, quando na verdade eu estava louca para ligar para Caio.

_Alô?_ ele atendeu o celular.
_Oi, sou eu.
_Oi! E aí? Dobrou as feras? _ riu.
_Sim! Eles deixaram! _ minha voz era exultante, mas baixa para que meus pais não ouvissem.
_Ótimo, vou falar com meus pais.
_Como assim falar com seus pais? Você ainda não falou?!
_Calma!
_Caio, eu disse que eles tinham me convidado.
_Tsi Tsi... Que coisa feia, hen? Pregando mentirinhas! Meninas assim vão para o inferno.
_Caio, não é hora para brincadeira!
_Bela, já te disse que sempre admirei sua cara de irritada?
_Caio... _ tentei ser doce._ É que não sabe o quanto demandou uma operação de inteligência para convencer meus pais de que não tinha nada demais de viajar com vocês.
_Você não confia em mim?
_Confio, o que eu não confio é no destino, que quando quer só cogita contra mim.
_Eu não acredito em destino, acredito no que podemos mudar com nossas mãos.
_Me liga para dizer que está tudo ok? Não vou conseguir dormir.
_Tá. Daqui uns vinte minutos te ligo. Eles estão na sala conversando...
_Certo, vou esperar. Mas liga mesmo ta? Beijos.
Desliguei o celular. Eu tinha que me manter ocupada para não ter uma crise de ansiedade. Não sou um tipo de pessoa capaz de esperar. Procurei minha mala, já empoeirada de baixo da cama. Busquei uma meia velha do meu irmão no quarto dele, molhei na pia da cozinha e tentei melhorar o aspecto do preto todo cinza de poeira.
Pronto, agora eu precisava lembrar de tudo que eu usaria. Abri uma folha da agenda e escrevi uma lista extensa. Aos poucos fui enchendo a mala e me dei conta de que havia colocado coisas demais.

E biquíni? Será que lá tinha piscina ou rio? E se tivesse? Droga! Eu nem estava depilada. Olhei minhas pernas com uns pelinhos apontando. Droga! Essa não! Respirei fundo e fui até o banheiro. Coloquei o chuveiro no quente. Peguei um creme de cabelo e passei nas pernas. Aquela operação emergência não é recomendada, mas naquelas alturas, só isso seria a solução. Desencapei um aparelho de barbear descartável e não demorou muito tempo para eu estar lisinha.

Menos um problema!, pensei. Voltei para o meu quarto e procurei um hidratante para passar na pele. Enfiei a lâmina dentro da mala, para alguma outra situação que eu precisasse.

Nessas alturas o meu celular tocou.
_E aí?
_E ai que...
_E ai que o quê? Caio não faz suspense...
_Você quer mesmo ir?
_Ai, Caio, eu vou matar você! Odeio me sentir em programa de auditório competindo por audiência.
_Eles deixaram. Minha mãe fez um baita interrogatório, mas deixou.
_Será que ela vai gostar? Você disse o que sobre a gente?
_Que estamos ficando.
_Ela entendeu o que é “estamos ficando”?_ perguntei.
_Entendeu, depois de umas explicações que eu dei... mas o que contou mesmo foi o aval do meu padrasto que está louco para me ver tomar atitudes de homem “É isso aí, ele tá certo!” _ imitou a voz dele.
_Ai, eu vou dar um beijo no seu padrasto!
_Não vai nada que eu vou ficar com ciúme.
_Hum... Bobinho, eu vou dar em você também.
_Acho bom! _ ficou emburrado. _Então, Belinha, amanhã passamos aí para te pegar às 7 horas, assim a gente chega na hora do almoço no sítio. Ta bom o horário para você?
_Tá ótimo, claro! Vou tentar dormir, então. Nossa que bom que conseguimos!
_Eu disse que podia confiar em mim... _ lembrou.

***
Às onze e meia chegamos no sítio. Era uma casa grande feita de madeira pintada de branca, com as molduras das portas e janelas de azul marinho, bem no estilo colonial. Uma fumaça cinza saia pela chaminé e o primeiro a perceber a chegada do carro foi um cachorro grande e preto.

_Barão!_ Caio fez um carinho na cabeça do animal e eu me mantive longe, receosa, não era muito boa com os bichos.

A avó de Caio não era exatamente o que eu tinha imaginado. Não era uma velhinha gorda, de óculos e cabelos presos com grampo fazendo compotas de doces. A mulher era magra, alta e tinha o cabelo grisalho liso e solto. Vestia uma calça jeans azul marinho e calçava umas botas de couro marrom escuro. A blusa branca por dentro da calça ficava contrastante com seu largo cinto de couro marrom claro.

_Vó, essa é a Isabela. _ Caio me apresentou.
_Olá! _ ela me sorriu e se limitou a estender a mão e inclinar a cabeça com muita elegância. Sua mão segurou a minha por alguns segundos a mais do que o normal e nesse período seus olhos ficaram muito fixos dentro dos meus, como se me lesse. Depois eu iria entender o porquê disso.
Um empregado da casa vestindo macacão e botas levou minhas malas até o único quarto que ficava no andar de baixo. Suas botas batiam no assoalho fazendo um barulho que trazia vida aquele ambiente. Tudo produzia som, tinha um cheiro agradável.
O quarto era simples. Com uma cama de casal forrada por um lençol branco de minúsculas flores vermelhas cheirando a alfazema. Da janela podia se ver árvores carregadas de laranja e o cachorro entre as galinhas que ciscavam pelo terreiro de barro.
Senti-me tão feliz de estar naquele lugar. Era mergulhar em um livro de época de Machado de Assis ou José de Alencar.
Em cima da penteadeira de madeira escura duas toalhas brancas dobradas, com uma caixa de sabonete Lux branco em cima me diziam que aquilo tudo havia sido preparado para mim especialmente antes da minha chegada.
_Alguém perdida aqui? _ Caio apareceu na porta.
_Oi... _ sorri e ele veio me abraçar gostoso. _ É lindo esse lugar! É tão aconchegante.
_É. Você ia adorar conhecer meu avô... _ ele fez uma pausa.
_Ele morreu?
_É, faz dois anos. _ respondeu e percebi que o assunto o fazia ficar muito triste. _ Vou te mostrar... _ Caio me pegou pela mão e me levou até uma pequena saleta onde havia dois sofás de couro apenas um de frente para o outro. Era uma ante-sala entre o quarto onde eu estava e uma varanda que dava para a entrada da casa. Na parede, havia muitos retratos do avô de Caio vestido de farda. Uma bandeira do Brasil e muitos quadros de condecorações.
_Essa é a bandeira da cavalaria... _ Caio apontou.
_Você quer ser cavaleiro?
_Ainda não sei... _ me respondeu._ Ainda é cedo para escolher, só poderei escolher daqui a três anos.
_Você quer ser como ele?
_Se fosse pelo menos metade... _ disse com humildade.
O almoço foi servido na mesa da sala. Enquanto os pratos estavam sendo colocados pela avó de Caio e sua mãe, que dispensaram minha ajuda, fiquei fotografando mentalmente o lugar. Era tudo muito bem decorado.
Flores naturais por toda parte coloriam o ambiente. As paredes por dentro eram de pequenos tijolos que davam um tom de avermelhado. Meu apartamento praticamente caberia dentro daquela sala. Aquela sala deveria ser muito antiga mesmo, pois era de costume das famílias nobres terem casas grandes com salas enormes para poder receber a sociedade.
Após almoçarmos a deliciosa carne assada com farofa e arroz quebradinho, todos foram tirar a cesta, menos Caio e eu, que nos deixamos ficar no sofá.
Deitei em seu colo e peguei uma almofada para apoiar na barriga.
_É estranho...
_O quê? _ ele perguntou mexendo no meu cabelo, como adorava fazer, puxando com os dedos os fios até soltar eles no ar.
_Estamos a tão pouco tempo desse jeito... e parece que é assim desde sempre.
_Mas nós estamos a muito tempo juntos. _ ele corrigiu. _ Não é preciso apenas beijar na boca para ser íntimo de alguém. Nós sempre fomos grandes amigos.
_É... Pode ser... _ fiquei mexendo na franja da borda da almofada. _ Desde quando você sentiu atração por mim. Digo atração mesmo?
_Desde a primeira vez que te vi, mas se você só podia me dar a amizade, então, eu teria que me contentar com isso...
_E você? Nunca teve vontade alguma de sei lá... Experimentar me beijar?
Eu sentei no sofá e olhei para ele. Confessaria ou não?
_Já! Mas eu tinha medo de chegar a uma conclusão negativa e aí perderia sua amizade, porque as coisas não seriam iguais outra vez.
_Ufa, que bom que passamos desse estágio! _ brincou juntando as mãos em sinal de oração que me fez rir.
_Eu estou adorando passar esses últimos dias com você.
A palavra “últimos” saiu sem querer e pelo meu rosto pensativo, Caio percebeu logo que eu mais uma vez pensava na futura despedida.
_Tudo tem um preço... _ comentou.
_Eu não queria que fosse alto demais.
_Assim o retorno seria na mesma proporção... _ lembrou-me.
_Não vamos falar disso? _ foi minha vez de pedir.
_Claro, ainda estamos aqui..._ abriu os braços para eu voltar para seu colo.
_Acho que eu vou dormir aqui... _ comentei.
_Então, deixa eu deitar no outro sofá para você ficar mais acomodada. _ ele ligou a televisão baixinho e deitou no outro sofá.
Eu fiquei por um tempo observando-o, mas meus olhos não demoraram muito para se fecharem e eu adormecer. Tinha acordado muito cedo e dormido mal de ansiedade.
Só fui despertar horas depois, com o cheiro forte de café e os risos das pessoas que se reuniam na mesa.
Caio não estava no sofá, mas não demorou muito para ele vir para perto, quando eu sentei e cocei os olhos para procurá-lo.
_Quer bolo de fubá? _ ele ofereceu e eu sorri.
_Quero, mas vou antes vou lavar meu rosto. _ calcei meu chinelo e fui até o banheiro.
Assim era aquele lugar, tranqüilo e pacífico. Todos dormiram cedo e mais uma vez só restou Caio e eu. Ele trouxe da sua bolsa seu mp3 e voltou para sala.
_Vamos ver as estrelas lá fora?
_Ver estrelas? _ franzi a testa.
_É, meu amor! _ ele disse puxando-me delicadamente pela mão.
“Meu amor”... eu nunca havia sido chamada assim por ninguém.
_Nossa, são lindas mesmo, lá na cidade não conseguimos ver tantas como aqui. _ comentei sem conseguir parar de olhar o céu.
_Eu ouvi essa música aqui e achei tão legal. Baixei para te mostrar. Sei que é boiola... _ridicularizou-se.
_Pára com isso! _briguei pegando um dos fone de ouvido. Coloquei na minha orelha direita.
Sentei encima de uma mureta de cimento da varanda e Caio se aproximou, ficando entre as minhas pernas.
_Estou mais alta que você...
_Alguns centímetros e já se acha poderosa né? _ riu. _ Escuta só a Música._ pediu.
Quando começou a tocar eu reconheci:
_Eu conheço... _ falei baixinho:_
Nas ruas de outono
Os meus passos vão ficar
E todo abandono que eu sentia vai passar
As folhas pelo chão
Que um dia o vento vai levar
Meus olhos só verão que tudo poderá mudar

Eu voltei por entre as flores da estrada
Pra dizer que sem você não há mais nada
Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto

Daria pra escrever um livro
Se eu fosse contar
Tudo que passei antes de te encontrar
Pego sua mão e peço pra me escutar
Seu olhar me diz que você quer me acompanhar

Eu voltei por entre as flores da estrada
Pra dizer que sem você não há mais nada
Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto

Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto...

Caio ficou me ouvindo cantar e por fim lhe perguntei por que havia escolhido essa música para me mostrar:

_Porque eu vou voltar... _ ele resumiu com seu grande poder de sintetizar tudo.
_Eu queria ter você sempre perto. _ abracei-o.
_Vou buscar uma coisa para a gente. _ ele entrou e me deixou com os fones no ouvido. Escutei mais uma vez a música da Ana Carolina.
Ele apareceu com dois cálices e uma garrafa de vinho.
_Era do meu avô, muito antiga. Estava no armário.
_E você vai abrir?! Sua avó pode não gostar...
_Ele me deu.
_Ele te deu uma garrafa? _ franzi a testa.
_Você vai rir, mas ele me disse... Meu filho, as mulheres são como os vinhos... Deixa o tempo para elas ficarem melhores...
_Hummm...
_E ele me disse que essa garrafa era para eu tomar em um momento especial.
_E esse momento é especial? _ perguntei, me vendo de jeans, sentada em uma mureta de cimento sem comemorar data nenhuma.
_É. _ ele abriu a garrafa e bebeu um pouco.
_Eu não sabia que você bebia, sempre me pareceu tão certinho.
_Você não sabe muitas coisas sobre mim.
_Não é? _ bebi o vinho da minha taça que ele havia enchido.
_Vamos aproveitar que estamos sozinhos para curtir a noite... _ me beijou.
A garrafa cálice a cálice chegou até a metade.
Meu corpo com o álcool ficou mais quente, ou seria o calor produzido por nossos corpos? Os beijos se tornaram mais intensos e as mãos mais ligeiras. Até o ar começou a faltar. Caio beijou meu pescoço todo e eu senti que já não era mais tão fácil resistir.
_Vamos ficar um pouquinho no seu quarto. _ ele pediu.
_E sua avó? Seus pais podem acordar... _ lembrei.
_Eles estão dormindo, relaxa. Minha avó toma remédio e dorme feito pedra, meus pais estão cansados. Não se preocupe. Para você não ficar com medo, vou trancar a porta do meu quarto de chave e a do seu também. E aí, ninguém vai poder entrar, mesmo que queira bisbilhotar.
_Você planejou isso antes?
_Eu penso rápido, gata. _ piscou o olho e me ajudou a descer. _ Aqui está muito desconfortável...
Fechamos a porta da sala e fomos para o quarto. Aquilo não era o moralmente certo, mas entre nós não parecia nada demais. Tirei a sandália e me estiquei na cama. Caio deitou ao meu lado, depois de deixar o vinho na penteadeira.
_Onde eu parei... _ ele me beijou a boca e com os braços me trouxe mais para perto.
Minhas pernas ficaram entre as dele e minhas mãos fizeram carinho em seu cabelo.
O que aconteceu depois de mais vinho eu não sabia, só acordei com uma leve dor de cabeça e muita vontade de fazer xixi.
O primeiro impulso foi olhar se eu estava vestida. Estava. Onde eu estava com a cabeça? Levantei da cama e fui até o banheiro no corredor. O meu relógio no pulso marcava sete da manhã e eles já estavam reunidos na mesa do café da manhã? Eu poderia perfeitamente dormir até meio dia!
E o que alegaria para pedir um remédio para dor de cabeça? Dizer que o suco de laranja do jantar não tinha me caído bem?
Perguntei a avó de Caio, onde seu neto estava e ela me indicou o estábulo.
_Lá? _ calculei, olhando da janela da sala, que de sandália meu pé atolaria na lama.
_Vou te dar uma coisa para calçar. _ ela pegou em um quartinho da dispensa um par de botas de plástico, semelhante as que usam os açougueiros.
Caio estava montando em um cavalo. Pulou alguns obstáculos feitos com troncos e parou quando percebeu que eu me aproximara da cerca.
_Bom dia. _ sorri.
Ele desceu do animal e o amarrou. Deu a volta e me encontrou do outro lado da cerca.
_Nunca pensei que gostasse tanto de vinho, hen? Quase me bateu pelo último gole. _ zombou.
_Mentira!_ fiquei com as bochechas vermelhas.
_Mas não se preocupe, minha avó não contou para os meus pais o que ela viu.
_O que ela viu? E o que que ela viu? _ repeti aquilo sentindo um frio percorrer minha espinha!
_ Ah, a gente estava lá fazendo carinho... _ ele coçou a cabeça._ Só que você se descontrolo eu começou a fazer strip tease.
_Eu? Impossível...
_Eu disse que você bebeu demais!
_Ai você quis correr até a cozinha nua para pegar mais vinho. Eu insisti que não tinha nada na geladeira, só suco. Mas você não queria acreditar.
_Você está me zoando!
_Sério! Ai, você foi até a cozinha, eu tentei te levar de volta para o quarto, mas você começou a me abraçar e ai a gente foi para mesa e pronto, já era...
_Você ta tirando sarro da minha cara!
_Você não reparou que minha avó estava séria com você?
Eu parei um segundo para pensar...
_Ai meu deus! Meu deus, não!!!!! _ bati com a mão na testa e senti falta de ar. _ Nós dois? Na mesa da cozinha?
_Mas o pior de tudo é que... Eu nem lembrei da camisinha... O vinho sabe como é.
_Quê? Você não lembrou? Ai meu Deus! _ eu definitivamente ia ter um ataque do coração.
Caio não se agüentou e começou a rir.
_Ah! Seu cachorro! _ enchi ele de tapinhas, mas segurou as minhas mãos e colocou meus pulsos para trás.
_Isso é coisa com que se brinque? _ falei com muita raiva.
_Eu não costumo fazer amor com mulheres inconscientes.
_Eu não estava inconsciente!
_Ah! Não?_ riu.
_Eu também não vou fazer mais nada! _ fiz jogo duro.
_Deixa de bobeira. Era só para ver sua carinha de ódio de mim.
_Vou tomar café, estou com dor de cabeça. _ sai pisando fundo na lama. _ E eu não estava inconsciente!_ falei e voltei a andar.
Ele riu e não deu bola.
Passamos o dia assim, eu emburrada e ele sem me dar bola, nem correr atrás. Viu televisão, conversou com o pai, montou a cavalo. Só mesmo à noite que eu pensei em deixar de charme.
Tive a idéia de ir até seu quarto. Mas se eu entrasse no quarto errado? Já pensou? O que eu iria alegar? Desculpe, estava querendo um edredom nesse calor?
Torci para que a pessoa que estivesse passando no corredor fosse Caio. Abri a porta e o vi na cozinha.
_ Bebendo seu leitinho?_ falei carinhosamente.
_É. Eu bebi muita Coca Cola com limão. Não me caiu bem.
_Hum...
Fui até ele e o abracei por trás.
_Cansou?
_De?
_Ficar de pirraça. _ deixou a caneca de alumínio na pia.
_Ah! É que eu fiquei me sentindo uma idiota... Não devia nem ter ido lá para o quarto com você...
_Por que não? Bela, seja livre, você é muito presa a regras, a o que os outros escrevem como certo naqueles livrinhos patéticos para mulheres.
_Pode ser... Mas é que eu me senti fazendo algo errado.
_Ah! Isso é normal. As pessoas sempre diabolizaram o contato físico.
_... _ fiquei encostada na mesa, ao lado dele sem nada dizer.
Caio me beijou pela primeira vez, desde de manhã. Ficamos ali por uns quinze minutos.
_Vamos sair daqui, gosto de privacidade. _ ele me puxou até o quarto.
Fechamos a porta atrás de nós e eu deitei na cama. Mas dessa vez Caio não queria ficar longe, manter distância. Ele sabia o que tinha vindo buscar. Nunca imaginei que esse Caio existisse.
_Você pode me mandar embora agora... _ ele falou em meu ouvido.
_Eu devo?
_Você não quer?
_Não sei se devo...
_Perguntei se quer. _ repetiu.
_Quero..._ respondi sinceramente.
Ele ficou de joelhos e tirou a camisa, deixando-a cair no chão, ao lado da cama. Minhas mãos percorreram suas costas largas quando veio sobre mim beijar meu pescoço.
_Você é maravilhosa... _ falou ofegante e eu estava na linha limite de perder a consciência e agora não mais pela bebida, mas pelo extinto animal.
_Você também... _ disse, sentindo-o abaixar as alças do meu sutiã. _ Ai...
Caio caiu de boca nos meus seios e seus lábios quentes me sorveram.
_Eu tenho medo de alguém chegar... _ falei baixinho quando ele se livrou do meu sutiã, jogando-o para o lado.
_Confia em mim. _ pediu e abriu a calça.
Meu coração disparou de uma forma que eu podia senti-lo como um sapo entalado na minha boca coachando.
_Nossa, como isso está apertado! _ riu e o achei tão doce, que de repente aquilo me pareceu normal, como se fossemos irmãos, a vergonha foi passando.
_Droga! _ lembrou-se de algo. _ A camisinha está na minha carteira... Vou lá buscar, vestiu a calça de novo e abriu a porta.
Pronto! Eu tinha o tempo que fosse para pensar. Podia até ouvir o grito de Débi, quando eu lhe contasse “Você transou com o Caio!?”
Mas eu estava segura de mim, eu já o conhecia há anos, tudo bem, beijar não fora a tanto tempo assim, mas eu necessitava daquilo. Não me importava o quanto aos olhos da religião que minha mãe tanto tentava enfiar na minha cabeça eu estava condenada a fogueira do inferno.
_Desculpe..._ ele voltou. _ Eu tinha esquecido... _ fechou a porta.
_Tudo bem... _ disse fria.
Ele percebeu que o clima tinha sido cortado e largou o pacote azul. Veio me beijar outra vez. Meu corpo não demorou muito para querê-lo de novo.
Caio, então, abriu o pacote e era minha vez de me livrar do meu short. Ai a minha calcinha! Tentei lembrar a que eu estava usando. Mas não precisei ficar com mais de alguns segundos com ela. Foi indiferente.
_Você me deixa louco. _ ele me beijou com muita vontade e eu perdi o fôlego.
_Então vem... _ disse e Caio gentilmente se uniu a mim e dali em diante já nem me importava mais ninguém fora daquela porta. Só nós dois.
Nos amamos com muita vontade, suor, paixão, volúpia. Segurei com as mãos para trás a cabeceira da cama e ele me olhou com olhos de fervor. Mordi os lábios.
Caímos mortos, cansados, anestesiados. Só sobrou força para nos abraçarmos. Seu corpo estava molhado de suor e eu beijei levemente seus lábios.
_Você vai voltar sempre?... _ perguntei baixinho.
_Vou..._ ele fez carinho no meu cabelo.
Fechei os olhos. Eu não sabia o que o futuro me reservava. Só queria curtir aquela noite perfeita e deliciosa com ele.


Autora:Li

10 comentários:

Nathy disse...

Essa frase aki, nossa, se encaixou em uma das frases q Elcio jah me disse: "...seja livre, você é muito presa a regras, a o que os outros escrevem como certo naqueles livrinhos patéticos para mulheres".


Foi perfeito o capitulo de hj... Ai q lindo... Li!

.deu saudades do meu mor.

=~~~~

Poxa, hj ainda eh de manhã, falta mto pro proximo capitulo, aff...

.agunia.

^^

Bjoos!

Anônimo disse...

ok... estou surpresa, chocada e... uau. sem comentários... sério mesmo... Li, vc devia ver minha expressão enquanto lia o capítulo de hj.

uau... sem palavras!
*encergonhada*

Li disse...

Perguntinha da autora:

-Você tem alguma coisa contra cenas de sexo?

Só queria saber como melhor conduzir a narrativa para vocês...

Eu sou muito livre e sem pudor para escrever, o que não significa pornografia, nem promiscuidade!!!

Mas acho que sexo faz parte.

Só quero saber a opinião de vocês:

_Pode continuar?

Dosei bastante, porque fiquei receosa quanto o gosto de vcs... rs

Li

Tita disse...

Eu já vi isso em algum lugar. hehehe
Li, vai na fé que tá ótimo! Eu aprovo!
Beijos

Paula m. disse...

A Li!
Vc é incrivel! Eu todo dia entro na net pra ler! Parabens!
O melhor foi a noite deles, que me lembrou muito a minha primeira vez...
Pow mim voce pode escrever o que voce quisser.. Confio em vc!
kkkk

Ana Paula disse...

uauauauauuuuuuuuuuu!!!!!! Sensacional!!!!!!!! deu até pra imaginar a delícia dessa cena!!! parabéns!!!!!!

Nathy disse...

Olha Li, comentando de novo...

Por mim naum tem problema algum falar disso...

Li disse...

:) Então tá!
Obrigada!
BEIJUS!!!
Li

kamylla disse...

nussa Li ta lindo demais,fiko ansiosa pra ler... BOM DEMAIS

E por mim tb nao tem problema nenhum em falar nisso,ta indo td mt bem ta lindo continue assim!

mil vezes PARABÉNS!

BEIJOSSSS LI!

jessika_karen disse...

ESse Livro ta de Mais!!!!!!!!!!!!!!!!! nosssa to amando Li vc é 10
só uma coisinha quem é de cavalaria é cavalariano não cavaleiro...
Beijosssssssssssssssssssss