14 de mai de 2007

Cap 3: Cabeça de batata-frita

A festa do Paulinho era em comemoração ao aniversário de sua irmã Luiza, que estudou comigo na oitava e no primeiro ano. Depois que os pais deles se separaram, cada um ficou em uma casa, mas os dias de festa eram sempre com a reunião de toda a família.
As celebrações na casa dos Oliveiras são inesquecíveis. Com dinheiro disponível para esbanjar, eles não esqueciam nenhum detalhe de comida, decoração, música.

Entre os VIPs estava eu. Não pense você que qualquer um é escolhido para partilhar do banquete sagrado. A sociedade do Colégio Progressão era dividida em 3 castas. Primeiros os ricos e de pais influentes, a segunda era composta pelos bonitos e famosos e a terceira dos amigos dos ricos e dos famosos que em pequeno número deveriam estar presentes para admirar os outros. So cruel! Eu sei, mas é a dura vida. Hunff..., suspirei olhando minhas unhas dos pés e mãos molhadas de esmalte vermelho.

_Cheguei!_ meu irmão abriu a porta do apartamento e veio correndo em minha direção.
_Ah!_ Gritei._ Minha unha!_ Fiz um ar de desespero e ele sorriu maquiavélico._ Eu vou borrar._ ameaçou.
_Não ouse fazer isso. Eu mato você!_ falei entre os dentes.
_Então, diz que eu sou o garoto mais esperto do mundo e que você é uma boboca cabeça de batata-frita._ caçoou do meu cabelo fedendo a formol e gordura por causa da escova progressiva que eu fizera há dois dias.
_Você é o garoto mais esperto do mundo e eu sou uma boboca cabeça de batata-frita._ falei monotonamente, caindo nas garras daquele peste.
_Muito bem, cabeça de batata-frita._ ele deu um tapa na minha nuca, quando passou por mim.
_Filha da p...
_Isabela!_ Minha mãe, que acabava de chegar com as sacolas de supermercado me impediu de atirar uns bons palavrões naquele pentelho.
_Mãe, desculpe eu não poder ajudar, mas olha como estou..._ levantei as mãos. Meu rosto também estava com uma máscara azul.
O interfone tocou e minha mãe gritou para que Roberto viesse atender.
_Eu não estou! Nem pensar, para ninguém._ falei baixinho.
_Quem é?_ Ele segurou o fone e fez um ar de superioridade, adorava ter o poder em suas mãos. _ Ah, tá. A Isabela? Ela tá sim. Você quer subir?
Eu calculei que minha unha não estava seca o suficiente para eu jogar a almofada na cabeça daquele garoto.
_Eu não disse que não quero que ninguém me veja assim?!_ briguei com ele, assim que apertou o botão, autorizando a entrada. _Quem era?
_Calma! É só o Caio, ele veio me trazer alguns CDs de jogos.
_Ah! Tá. _ baixei a guarda, mas ainda sentia minhas bochechas queimando sob o creme. _ Eu vou para o quarto me arrumar. _ Levantei-me do sofá, antes que Caio chegasse. Não que ele não pudesse me ver daquele jeito, não fazia diferença, apenas eu já estava atrasada.
Uma hora depois que atravessei o corredor de volta para a sala, vi que Caio não fora embora:
_Oi._ Sorri. Ele não ouvira minha voz, abafada pelo barulho eletrônico do Playstation, mas meu perfume adocicado o fez virar o rosto para o lado.
_Ah! Toma!!!_ meu irmão matou o bonequinho de Caio e começou a pular de vibração.
_Você queria falar comigo aquele dia. _ ele levantou-se e entregou o controle remoto para o meu irmão.
_Ah! Não vai jogar mais? _ meu irmão fez uma carinha de desconsolado e eu pelas costas de Caio falei baixinho “Bem feito”. Meu irmão me deu a língua.
_Eu não tinha prometido que vinha trazer os jogos novos? Então, cara, volto outro dia para a gente jogar, valeu? Toca aqui._ bateu na mão do meu irmão e ficaram trocando soquinhos. Essa linguagem primitiva dos homens me assusta.
_Você também vai para a festa do Paulinho?_ ele me perguntou e só aí percebi que ele havia trocado o “all star milênio” dele, velhérrimo, pelo sapato de couro.
_ “Também”?_ repeti.
_Bom, meu padrasto foi chamado pelos pais do Paulinho, aí de quebra eu fui também.
Abre parênteses. Eu disse que a primeira casta era a dos ricos e de pais influentes. Apesar de levar uma vida mediana financeiramente, o alto cargo do padrasto de Caio conferia o status necessário para que sua família estivesse em todas as festas, afinal, as coroas adoravam ver o quarentão de cabelos grisalhos esbanjando charme pelo salão.
_Eu imagino que você não esteja indo assim para padaria... _ ele zombou olhando em cheio para mim. Eu estava vestindo uma calça comprida muito justa, que tive que colocar aos pulos para ver se entrava, e uma blusa de gola alta e frente única rosa, com um detalhe de strass. Bolsa, brinco, pulseira, sapato todos combinantes, claro. Ah, cabelo devidamente escovado e de um liso nipônico.
_Eu vou passar em casa para pegar meus pais, quer ir de carona comigo?
_Ah! Quero sim, eu na verdade estava pensando em ir à pé mesmo, já que é aqui tão perto...
_Então, bora._ ele caminhou em direção a porta e eu me virei para pegar a chave, meu cabelo esvoaçou e bateu em seu braço.
Entrei no carro de Caio estacionado na frente do meu apartamento e entre o trajeto das quatro quadras até sua casa, lhe perguntei como andavam seus estudos no cursinho.
_Bem._ resumiu em uma palavra.
_Por que isso? Por que você quer ir embora? Eu sinto que você está querendo fugir de alguma coisa... Não fique chateado por eu estar dizendo isso.
_Fugindo?_ ele olhou para mim e sorriu. _ Pode ser... _ deu de ombros, sempre vago.
_Não é possível que você queira ir, isso não se encaixa na minha cabeça.
_Ou é você que não quer que eu vá? _ ele me cortou as palavras com as suas.
_Bom... Eu como sua amiga tenho que te apoiar no que você escolher...
_Tá ok, chegamos._ Caio fez um corte seco e saiu do carro bruscamente. Eu franzi a testa e preferi encarar aquilo como um “não vamos mais tocar nesse assunto”.
A família dele já estava à nossa espera.
_Nossa, como você está bonita! Vejo que Caio foi buscar a melhor companhia, hen?!_ a mãe de Caio me deu dos beijinhos e parecia muito feliz e orgulhosa do filho.

Deixei que ela alimentasse a ilusão de que ele fora me buscar e não que eu aceitara sua carona, afinal, essas eram coisas bem diferentes. O sonho dela era que nós formássemos um casal, coisa totalmente impossível. Mas eu tinha meu lado bom em deixá-la sonhar.

Na festa, logo nos separamos e eu fui me juntar às minhas amigas para dançar. Assim ficamos durante boa parte da noite. No meio de uma música de hip hop, porém, algo inusitado ocorreu. Caio começou a dançar e fazer passinhos ao lado de Carolina. Ele era um roqueiro, o que estava fazendo ali?

Eu achava estranho e todos, ao contrário, começaram a gostar. Todos não, quase todos, porque o namorado de Carolina, o Paulinho, chegou com um safanão bem no peito de Caio:

_Cai fora!_ foi bem claro, curto e grosso.
Puxei Caio pelo braço e tentei impedir que as pessoas que estavam no churrasco perto da piscina dessem conta do zum-zum.
_Seus pais estão aqui, manera, cara. _ pedi, puxando Caio para fora da sala, em direção a varanda._ Não liga, ele é um bobão.
_Não parece, não era você que deu um sorriso para ele?
_Quê? Está maluco? _ franzi a testa e torci para não ficar vermelha.
_É por isso que vou dar o fora. _ ele caminhou até os pais e me deixou sozinha.

Após falar alguma coisa no ouvido da mãe, partiu, à pé mesmo. Os pais dele olharam para mim e entendi que Caio pedira para eles não esquecerem de me deixar em casa.

Será que ele estava querendo ir embora para ficar mais forte, ganhar status, sei lá... Qualquer coisa assim? Para ser respeitado? Eu ia descobrir.
Os pais de Caio saíram cedo e me perguntaram se eu me importava de ir junto. Eu disse que não, desde que o filho deles tinha ido embora eu só pensava em uma coisa: chegar em casa e sentar diante do GOOGLE.

Autora: Li

6 comentários:

Jana disse...

Oi Eliane,

gostei muito dos 3 capítulos.. serei leitora assídua...
bjs

Joy disse...

amando mt tudo isso...

Li dá uma corrigida pq tá escrito capitulo 4, e é na verdade 3!!!

Bjaum

ana disse...

aiii!!! LI, curiosidade mata sabia ????rsrsrs!!! ta lindo amiga!!!!!! e faço minhas as palavras da joy, corrige esse 4 ai...bju!!

Anônimo disse...

uhhhh... e o será q ela quer fazer no google? aff, será q ela não percebeu o q ele disse???

"é por isso q vou embora..." se eu bem entendi, o "vou embora" nao era simplesmente da festa, era da viagem mesmo pq ele jah gosta dela, mas ela não se toca disso, aiaiai!!! =PPP

Ei, Li, posso ser sua revisora??? (ai q vergonha!) xD

bjão!!!

Li disse...

Claro! rs

Eliane disse...

Só uma obs: foi exatamente isso que ele queria ter dito Lucy, vc é boa em ler nas entrelinhas hen! rs