13 de mai de 2007

Cap 2: Querendo provar o quê para quem?

O celular tocou a mesma musiquinha diária ao lado do meu travesseiro, minha habilidade de desligá-lo sem nem ao menos abrir um olho era perigosa, pois eu geralmente acabava levando os cinco minutinhos à mais muito a sério. De repente, uma centelha de sinapse conectou meu tico no teco e:
_Ai eu tenho prova..._ me enfiei mais para baixo do edredom aproveitando alguns segundos deliciosos de calor e conforto, dentro do útero do meu quarto.
Como ser linda e loura em uma manhã chuvosa? Nada que um pó, um rímel não ajudem! Sábado é dia de provas e dia de provas é de look liberado, nada daquele uniforme que me engorda horrores. Como eu sou extremamente metódica, já estava tudo arrumado: calça jeans, botinha, jaqueta fashion e... uma bolsa combinante... claaaro.
Contra a lei sociológica inventada pelos pedagogos de que estudar antes da prova não adianta, peguei minhas folhinhas coloridas do fichário das meninas superpoderosas e descobri coisas nunca antes vistas na sala de aula entre o trajeto da minha casa até o colégio. Estamos no segundo bimestre e eu sinto que vou de mal a pior. A ajuda de Caio ontem não foi muito útil. Aliás, ele não me saíra da cabeça. Foi exatamente sobre meu amigo o meu primeiro assunto importante daquela manhã a se travar com minha grande amiga Débora:
_Debi, você sabia que o Caio vai prestar concurso para uma tal de Escola Preparatória?
_Humhum._ fez um ar de desdém, enquanto fazia a dança das folhas à procura de estudar as últimas regras gramaticais possíveis._ Ele, o André, o Valtinho... Muita gente faz, mas nem todo mundo passa.
_Ele é inteligente.
_E daí? Por que você está tão preocupada? Olha bem para ele!_ Débi me fez olhar em direção a Caio, largado no banco da frente da van que nos pegava todos os dias para levar para o colégio. Dormia todo o percurso com seus fones de ouvido devidamente entupidos em suas orelhas. Calça jeans, blusa quadriculada, cabelo comprido e corrente no pescoço.
_É... Definitivamente ele não faz o tipo!_ ri e me achei ridícula por não ter me dado conta de que ele não tinha nada a ver com qualquer lugar que lhe exigisse o mínimo de disciplina, como fazer sua própria cama, por exemplo.
Mas apesar de no início ter pensado que tudo não passava de fogo de palha, alguns indícios de que ele estava levando a tarefa a sério me deixou muito curiosa. Certa tarde de sábado liguei para sua casa e soube de sua mãe que estava em um cursinho.
_Cursinho? De quê?_ Não deixei de demonstrar minha estranheza. Dona Laura me conhecia muito bem, já não era incomum eu dormir em sua casa, quando meus pais não podiam me apanhar. Caio sempre fazia festinhas e reuniões com aval de sua mãe.
_Ele não te disse que está se preparando para uma prova da Escola Preparatória?
_Disse, disse... Mas..._ eu ri._... Ele não tem nada a ver com isso?! Da onde ele tirou essa idéia? Será que é influência do padrastro?_ eu tentei arrumar uma lógica de dois fatores somados que desse em um terceiro coerente. Já que o marido de Laura era militar, talvez o Caio de tanto ouvir falar do tema se interessara. Mas daí fazer cursinho?
_Pois é. Ele que pediu para eu colocá-lo lá. Ele está convicto de que vai para São Paulo, eu que não vou impedir. Eu sei que você é muito amiga dele e tem um grande poder de influenciá-lo, por isso, dê muita força, será muito bom para ele.
_Hum..._ não arrumei nenhuma palavra de consentimento para aquela sugestão, eu não queria nada-nada incentivá-lo a ir para longe, para provar o quê, para quem? Era hora de testar meu poder de influência a que ela se referia.
_Tudo bem, então, eu ligo para ele mais tarde. Eu queria saber se tinha deixado um CD de música aí. Obrigada. _ Desliguei o telefone e o joguei sobre o sofá.
Do meu celular, enviei um torpedo:
_ “Quando chegar em casa, me liga, Belinha”.
Ninguém talvez possa entender como nós dois podíamos ser tão amigos, eu era uma pati e ele um roqueiro e isso não casava em nada. Mas havia uma linha limite entre nós de respeito que construía um sentimento muito forte. Apesar disso tudo entrar na minha cabeça perfeitamente bem, não parecia tão normal assim para Debi:
_Tem um lado bom. Os milicos ficam muito mais fortes, sexys... _ ela sorriu maliciosa, enquanto víamos os meninos jogarem futebol, na aula de educação física, na segunda-feira. Caio não me ligara e eu estava mostrando para ela o quanto ele tinha mudado, desde que metera na cabeça de que iria embora. Ele sempre respondia prontamente às minhas chamadas!
_Hum... Mas só se a farda ajudar. Porque olha para ele, é gordinho, tem um monte de espinhas, não tem nada de “SEXY”._ imitei a voz de Débora.
_Pode ser... Mas a Bruna Surfistinha disse no livro dela que a fantasia dela é transar com um homem de farda.
_Ah! Ohhhh!_ Bati palmas e não perdi a chance de debochar. _ Agora vamos analisar a vida segunda a ótica de Bruna Surfistinha?!_ ri e tive que ficar de pé na arquibancada. Olhei minha barriga, ajeitei o short, roubando a atenção de alguns meninos. _ Você acha que devo emagrecer mais um pouco?
_Para quê? Perder os órgãos internos?_ ela ironizou._ Mas vai? Você nunca pensou hen...
_Débi, ninguém te merece._ sentei novamente e olhei para Caio, tentando imaginá-lo em uma farda._ Nããão. Noway!_ fiz uma careta._ É como se eu transasse com meu irmão! Isso é nojento! É quase um pecado..._ balancei a cabeça para os lados.
Assim que terminou o jogo, aproximei-me da grade e gritei por Caio, ele veio até mim sério como sempre, suor escorrendo pelo rosto.
_A gente nunca mais se falou... Eu te mandei uma mensagem...
_Oi, gata! Tá sabendo da festa que vai rolar na casa da Paulinho, no fim de semana que vem? _ O Zé apareceu do nada na minha frente e nem se tocou que estava entre Caio e eu, atrapalhando o diálogo.
_Ah! Sim, legal..._ disse qualquer coisa, fui para o lado para ver se conseguia ver o Caio, muito menor diante daquele paredão, mas ele revirou os olhos e partiu para o vestiário. Sabia que no meio do assédio, ficava difícil conversarmos.
Mais uma vez nosso papo fora adiado.

Autora: Li

6 comentários:

Anônimo disse...

rsss... é como assistir a um seriado americano (sou fã de Gilmore Girls!)...

interessante se ela chegar a conhecer outras garotas q tiveram o início do namoro diferente do dela... ver outros ângulos e outras experiências... "interesting, huh?"(rsss)

ow, estou adorando o modo de escrever, com as expressões em inglês... eu adoro fazer isso! \o/

!!!Keep Up The Good Work!!!

Li (Autora) disse...

Lucy, querida, obrigada pelas dicas. Infelizmente não vejo esse seriado, aqui em casa não tenho TV a cabo e como to trabalhando bastante, com horas bem diferentes e não fixas de folga, praticamente não dá para acompanhar nada, nem na TV aberta. rs. que pena.
Mas fico ultra feliz que estejas gostando! Farei tudo com muito carinho.
Será uma forma da gente esparecer a cabeça.
Um beijo grande da Lizinha!!!

Ana Paula disse...

Liiiii!!!! ta querendo testar meu emocional ???? lindo, lindo!!!! amei!!!!!!!

Carol disse...

Parabéns Li!
ah eu adoorro seriados, e esse aqui está muito bom viu!!!!
tá lindo!
beijos

joy disse...

Tô amandoooooooooooooooo!!!!

eliane disse...

Eeeeh! Que bom que gostaram!!! Vou continuar no pique. Não me desmotivem, hen! Beijão!!!